A pegada carbónica por quilómetro de um carro elétrico em Portugal é menor do que na maior parte da Europa graças às energias renováveis.
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75,6% renováveis, com a marca do apagão de abril
A produção total de eletricidade em Portugal continental chegou aos 48.903 gigawatts-hora em 2025, mais 7,2% do que no ano anterior. A quota das renováveis ficou nos 75,6%.
Foi um valor abaixo dos 80,5% de 2024. A Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN) explica porquê: o apagão de 28 de abril forçou uma interrupção das interligações com Espanha.
Nos meses seguintes, a produção dos ciclos combinados a gás “quase quadruplicou” face ao período homólogo. Entre maio e agosto, a variação foi de 391%. Sem esse episódio, o valor anual teria ficado acima de 2024.
Carro elétrico com emissões próximas do zero
Ainda assim, no primeiro semestre Portugal registou 1.196 horas em que a produção renovável cobriu integralmente o consumo nacional, sem queimar gás, sem importar.
São horas não consecutivas, mas equivalem a quase 50 dias. Num carro elétrico a carregar nesses períodos, as emissões associadas à eletricidade consumida foram próximas de zero.
Portugal com 3ª maior redução
Em julho de 2025, o Conselho Internacional de Transportes Limpos (ICCT) publicou a análise mais atualizada sobre emissões de ciclo de vida de automóveis na Europa. Com o mix médio projetado para a União Europeia entre 2025 e 2044, um veículo 100% elétrico produz 63 gramas de CO₂ equivalente por quilómetro ao longo de toda a vida útil. Um veículo a gasolina produz 235 gramas.
Três em cada quatro kWh são renováveis
Quanto mais limpa é a rede, menor é a pegada por quilómetro de um carro 100% elétrico.
produção total de eletricidade em Portugal continental em 2025
renováveis cobriram todo o consumo nacional no 1.º semestre
capacidade solar fotovoltaica instalada em Portugal
veículos 100% elétricos matriculados em 2025
Emissões de ciclo de vida na Europa
Fontes: APREN; ICCT; EAFO; ACAP/EVMag.
Portugal está acima da média europeia em produção renovável. O valor de emissões por quilómetro de um carro elétrico carregado na rede portuguesa é mais baixo do que o cálculo europeu sugere.
Há um dado adicional no mesmo relatório do ICCT que é significativo: as emissões de ciclo de vida de um elétrico são 24% mais baixas do que as estimadas num estudo equivalente de 2021. A rede europeia descarbonizou mais depressa do que os modelos previam.
Em Portugal, a descida foi de 85% desde 1990, segundo a Agência Europeia do Ambiente, a terceira maior redução da Europa a seguir ao Luxemburgo e à Dinamarca.
Já conheces?
Solar pela primeira vez à frente do vento
Junho de 2025 é um mês que marca uma mudança significativa. Pela primeira vez em Portugal continental, a produção solar superou pela primeira vez a eólica, ainda que por margem curta.
A capacidade instalada em solar fotovoltaico ultrapassou os 6 gigawatts. Em 2024 era cerca de 4,5 gigawatts.

Este crescimento tem consequência prática para os condutores de carros elétricos: uma parte crescente do carregamento diurno, nos pontos públicos ou em casa, coincide com picos de produção solar. São as horas de menor intensidade carbónica da rede.
56 mil elétricos vendidos em 2025
Segundo o EAFO (Observatório Europeu de Combustíveis Alternativos), foram matriculados 56.156 veículos 100% elétricos em Portugal em 2025.
No primeiro trimestre de 2026, a quota de elétricos nos ligeiros de passageiros chegou aos 23,6%, de acordo com dados da ACAP recolhidos pelo EVMag.
Um carro a gasolina comprado hoje emite ao mesmo ritmo durante toda a vida útil, podendo mesmo aumentar as emissões. Já um carro elétrico carregado na rede portuguesa parte de um patamar de emissões já baixo, e esse patamar desce à medida que o mix renovável cresce.
A APREN alerta que o ritmo de instalação de nova potência renovável abrandou em 2025: as tecnologias não solares cresceram apenas 0,03% face a 2024.
A meta de 86% de incorporação renovável no consumo, definida para 2025 no Plano Nacional de Energia e Clima, ficou por cumprir. A intensidade carbónica da eletricidade chegou aos 97 gramas. O próximo patamar já tem data no plano energético nacional: neutralidade carbónica em 2045.






