Hoje é o último dia do prazo anunciado pela própria ministra. O governo prometeu abrir até 11 de junho o novo apoio à compra de carros elétricos e, à hora a que escrevemos, o aviso continua por publicar no Fundo Ambiental.
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A data não saiu de um aviso
A data não veio de um diploma. Saiu de uma entrevista da ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, ao Jornal de Notícias e à TSF, onde fixou a abertura da primeira fatia do incentivo “o mais tardar” a 11 de junho de 2026.
Sem aviso publicado, não há candidaturas. O processo é todo digital, feito no portal do Fundo Ambiental, e só arranca no dia em que o documento sair. Quem tem o carro escolhido e a papelada pronta espera por esse momento, porque o histórico mostra que a dotação não dura muito.
Apoio para carros elétricos: dez milhões para a primeira fase
São 10 milhões de euros nesta primeira tranche. É metade dos 20 milhões que o Estado tem autorizados para gastar em 2026 com o apoio à compra de carros elétricos.
A segunda metade fica suspensa e pode nem chegar a abrir este ano. A ministra ligou-a à evolução do preço dos combustíveis e à situação no Irão, que apertam as contas do Fundo Ambiental num momento em que o organismo tem outras obras a pagar. Mesmo assim, Carvalho defende avançar já com a primeira fatia. Fá-lo “porque também ajudam na questão da guerra, com menos consumo de combustíveis fósseis”, disse a ministra.

4.000 euros por carro, com abate obrigatório
Para um particular, o incentivo é de 4.000 euros por cada carro 100% elétrico novo. Sobe para 5.000 quando quem compra é uma IPSS, uma autarquia ou uma autoridade de transporte. Feitas as contas, 10 milhões dão para cerca de 2.500 apoios a particulares.
As condições repetem as do costume. Mantém-se o abate obrigatório de um carro a combustão com mais de dez anos, registado em nome de quem se candidata.
O teto de preço também não muda: 38.500 euros, com IVA, para o elétrico a comprar, com o limite a subir para 55.000 nos modelos de mais de cinco lugares. O apoio cobre apenas veículos de emissões nulas. Os carros elétricos a bateria ficam com a maior fatia da verba, embora o mesmo Fundo financie bicicletas e motociclos elétricos em rubricas separadas.
Quem se candidata e como funciona
O dinheiro não é um desconto na fatura. O beneficiário paga o carro, candidata-se com a documentação e o Estado reembolsa em até 90 dias, com os pedidos analisados por ordem de submissão até esgotar a dotação. Quem recebe fica obrigado a manter o veículo durante pelo menos 24 meses e não o pode exportar.
A candidatura faz-se apenas no portal do Fundo Ambiental, sem intermediários. Exige a identificação e o IBAN do beneficiário, a situação regularizada perante a Autoridade Tributária e a Segurança Social, a fatura do veículo e o comprovativo do abate. Não há balcão físico nem candidatura através do concessionário.
Há uma diferença face a avisos antigos: o apoio é retroativo. Quem comprou um elétrico e abateu um carro velho desde 1 de janeiro de 2025, e ficou a ver a verba esgotar no aviso anterior, pode candidatar-se nesta fase.
Já conheces?
Quanto deste dinheiro é mesmo novo
Nem todos os 10 milhões são dinheiro fresco.
Como o EVMag mostrou a 1 de junho, apenas 366.637,07 euros desta tranche correspondem a investimento novo. Os restantes 9.633.362,93 euros vinham por executar do programa original e foram empurrados para 2026, ao abrigo da Portaria n.º 791/2025/2 e da Resolução do Conselho de Ministros n.º 28/2026. A conta detalhada está neste artigo.
A procura sobe, a verba fica
A pressão sobre o apoio não vem do nada. Em maio, os carros elétricos a bateria foram 27,9% das vendas de ligeiros de passageiros em Portugal, uma quota recorde, com 6.988 unidades matriculadas e uma subida de 56,1% face ao mesmo mês de 2025, segundo a ACAP. A subida do preço dos combustíveis desde março voltou a empurrar muitos condutores para o elétrico.
O incentivo existe desde 2017 e cada aviso esgota mais cedo do que o anterior. A procura cresce todos os anos, mas o bolo dos apoios fica mais ou menos no mesmo, e uma fatia transita sempre para o exercício seguinte.
O que aconteceu da última vez
A dotação tem oscilado de aviso para aviso. Em março de 2025, a fase para passageiros abriu com 13,5 milhões de euros. Em dezembro, o aviso seguinte subiu para 17,6 milhões e abriu a 29 desse mês, com as candidaturas a irem, no papel, até 12 de fevereiro de 2026.
Na prática, a verba disponibilizada esgotou poucas horas depois de o formulário abrir. Depois, a verba efetivamente gasta foi pouca.






