Não há, para já, nenhum recall da Tesla na Europa motivado pela dificuldade em abrir as portas depois de um acidente. A garantia é da RDW, a autoridade neerlandesa que homologa os modelos da marca para todo o mercado europeu.
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Regulador dos Países Baixos “atento”
Em resposta escrita à agência Reuters, o regulador dos Países Baixos diz que está a acompanhar o assunto. Recusou, no entanto, esclarecer se pondera ou investiga uma recolha, limitando-se a afirmar que, neste momento, nenhuma está em curso.

A RDW emitiu as homologações europeias dos Tesla e é, por essa via, a entidade com competência para desencadear uma campanha que abranja toda a União Europeia. Foi também o organismo que homologou o Full Self-Driving (Supervised) na Holanda, decisão que outros Estados-membros vieram depois a reconhecer.
“A RDW considera que os veículos têm de poder ser abertos em todas as circunstâncias, incluindo quando os sistemas elétricos falham, de forma intuitiva, sem recurso a ferramentas, tanto do interior como do exterior”, escreveu a autoridade em resposta à Reuters.
O recall da Tesla na China de quase três milhões de carros
São 2.975.910 os veículos abrangidos pela campanha que a Tesla apresentou à SAMR, o regulador chinês do mercado, e que arranca a 25 de setembro. Entram 973.156 Model 3 e 1.956.713 Model Y de fabrico chinês, aos quais se juntam mais de 35 mil Model 3 importados, 8.328 Model X e 2.123 Model S. É a maior recolha alguma vez feita pela Tesla em qualquer mercado.
A solução não mexe no hardware das portas. A Tesla vai colar etiquetas no interior a identificar os comandos mecânicos de emergência e enviar uma atualização à distância que baixa os vidros assim que é detetado um embate. Numa segunda campanha, sem relação com as portas, a SAMR obrigou ainda a corrigir 2.740.642 Model 3 e Model Y fabricados na China por causa do sistema de vigilância da atenção do condutor.
Puxadores encastrados dos Tesla não são o problema
Os puxadores encastrados, escreveu a RDW, não constituem por si só uma falha de segurança. As portas têm é de ser fáceis de abrir mesmo quando os sistemas elétricos falham.
O que a SAMR aponta são os comandos mecânicos de emergência do habitáculo, com cor próxima da dos revestimentos em redor e por isso difíceis de localizar.
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Num Tesla, as portas abrem normalmente por botão elétrico. Se o embate cortar a alimentação de baixa tensão, esse botão deixa de responder e os ocupantes ficam dependentes do comando mecânico. Nos lugares de trás do Model Y, esse comando obriga a levantar uma tampa no fundo do bolso da porta e a puxar um cabo escondido.
O risco, para o regulador chinês, aparece num cenário extremo, o de uma colisão grave que desative o sistema elétrico de baixa tensão, pelo que decidiu por um recall da Tesla.
A Bloomberg identificou pelo menos 15 mortes em 12 acidentes nos quais ocupantes ou equipas de socorro não conseguiram abrir as portas de Tesla em chamas. Segundo a mesma agência, houve ocupantes que sobreviveram ao impacto inicial e morreram ou ficaram gravemente feridos no incêndio que se seguiu.
Genebra, Euro NCAP e o calendário chinês
Em Genebra, nas negociações sobre regulamentação de veículos das Nações Unidas, a abertura de portas em situação de emergência está em cima da mesa. O mesmo acontece no Euro NCAP, o programa europeu independente de avaliação de segurança.
A RDW justifica o debate com os incidentes registados nos últimos anos, em que ocupantes ou socorristas tiveram dificuldade em abrir viaturas depois de um acidente ou de um incêndio.
Os protocolos do Euro NCAP em vigor desde janeiro de 2026 já exigem que os puxadores exteriores acionados eletricamente continuem operacionais depois de um embate.
A avaliação passou a integrar uma fase de segurança pós-colisão, com pontuação própria, que cobre o isolamento da bateria de alta tensão e a informação sobre o número de ocupantes transmitida pelo eCall. O BMW iX3 e o Zeekr 7GT foram os primeiros modelos avaliados com estes critérios e tiveram nota positiva.
Na China, a norma do Ministério da Indústria e Tecnologias da Informação que obriga a comandos mecânicos no interior e no exterior de todas as portas, com exceção da porta da bagageira, entra em vigor a 1 de janeiro de 2027. Os modelos já homologados têm até 1 de janeiro de 2029 para cumprir.
Fontes: RDW, via Reuters, respostas escritas de 26 de agosto de 2026; Electrek e Forbes, sobre a recolha registada na SAMR a 21 de agosto de 2026; Euro NCAP, protocolos de 2026; TechNode, norma do MIIT sobre puxadores.




