A Alemanha vai dar o ok ao Tesla FSD, naquele que é um passo de gigante para a aprovação europeia do sistema. Berlim aceita que a condução assistida possa exceder em 10% o limite de velocidade.
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Berlim aceita tolerância de 10%
O ministro alemão dos Transportes, Steffen Bilger, anunciou na terça-feira que vai defender em Bruxelas uma aprovação rápida do Full Self-Driving (Supervised). A posição surge depois de reuniões com a Tesla em setembro, onde se discutiram pormenores técnicos e a questão da responsabilidade em caso de acidente.
Nessas conversas, Berlim concordou que o sistema possa exceder o limite de velocidade em até 10%, uma posição que vai também apoiar no processo de aprovação europeu, onde a velocidade se tornou o principal ponto de discórdia.

Do lado da Tesla, a cedência foi no nome. A marca propôs rebatizar o sistema como “Tesla Assisted Driving”, para responder às críticas de que a designação atual sugere uma autonomia que o FSD não tem. Bilger quer que os condutores Tesla possam usar a “condução assistida” em toda a UE “sem demora”, escreveu o ministro em comunicado.
Velocidade divide os Estados-membros
Na versão europeia aprovada em abril pela RDW, a autoridade neerlandesa de homologação, a Tesla deixou de fora o modo “Mad Max” disponível nos Estados Unidos. Ficou, no entanto, uma função que permite subir a velocidade máxima até 50% acima do limite detetado pelo carro.
O Conselho Europeu de Segurança nos Transportes (ETSC) pediu a 29 de setembro que essa função seja retirada antes de qualquer aprovação, e a Suécia e a França levantaram reservas semelhantes. A votação no comité técnico europeu, esperada para outubro, foi adiada para dezembro, no mínimo, enquanto alguns países fazem testes adicionais. Para passar, o FSD precisa do voto favorável de 15 dos 27 Estados-membros, que representem pelo menos 65% da população da UE. É por isso que o OK da Alemanha é tão importante, o país mais populoso da Europa, com 18,5% da população da UE.
Elon Musk agradeceu no X, em alemão, no mesmo dia em que a Reuters publicou uma investigação que contesta os dados de segurança entregues pela Tesla aos reguladores europeus.
Dados de segurança do FSD contestados
Sete investigadores em segurança rodoviária analisaram para a Reuters o estudo europeu que a Tesla diz ter partilhado com os reguladores em abril. Nenhum encontrou prova de que o FSD evite acidentes mortais.
A comparação opõe carros com FSD conduzidos por engenheiros da própria Tesla a todos os Tesla guiados por clientes comuns na Europa. Com dezenas ou centenas de milhares de milhas percorridas com o sistema ativo, contra centenas de milhões em condução manual, a amostra não permitiu calcular taxas de acidente, e a marca recorreu a comportamentos usados como substitutos: uso da buzina, pouco uso do pisca, acelerações e travagens bruscas, ativações da travagem automática de emergência e curvas apertadas. Nas notas do estudo, a própria Tesla avisa que os resultados não podem ser lidos como estimativas causais.
Em setembro, ao tornar o estudo público no X, a Tesla associou-o às 53 mortes diárias nas estradas europeias, que considera em grande parte evitáveis com a tecnologia atual. Em julho, Musk tinha acusado o ministro francês dos Transportes, Philippe Tabarot, de pôr vidas em risco ao travar o FSD. “Quando se começa a falar de ‘vidas salvas’, deixa de fazer sentido”, disse à Reuters Marco Benedetti, investigador da Universidade do Michigan e antigo estatístico da NHTSA, o regulador norte-americano da segurança rodoviária.
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Pressão sobre os reguladores
Quando a RDW cobrou à Tesla 365.000 euros por cinco meses de testes e trabalho técnico, terminados em março de 2025, a marca queixou-se do custo e reteve o pagamento até receber a discriminação das horas e do custo de cada técnico envolvido. Uma semana depois, um funcionário do regulador convidou a Tesla a sugerir formas de ajustar ou reduzir o esforço exigido. A RDW garante que avalia os sistemas de todos os fabricantes de forma objetiva e independente.
Em França, Tabarot mudou de discurso em setembro e disse estar a trabalhar com a Tesla em alterações que permitam ao país apoiar a aprovação.
Portugal fora da lista
Portugal não está entre os oito países europeus que já autorizaram o FSD a nível nacional: Países Baixos, Bélgica, Dinamarca, Croácia, Eslovénia, Estónia, Lituânia e República Checa.
A Tesla também levou números às autoridades portuguesas. Segundo dados da marca divulgados pelo 4gnews, os proprietários de Tesla com hardware HW4 fizeram 192 milhões de quilómetros em condução manual em Portugal entre 10 de abril e 18 de agosto de 2026; aplicando-lhes a melhoria que diz ter observado em cinco países onde o sistema está aprovado, a marca calcula que 167 colisões teriam sido evitadas.
Sem aprovação nacional, os condutores portugueses dependem da votação europeia, que não acontece antes de dezembro.
Fontes: Reuters, apoio alemão ao FSD, 7 de outubro de 2026; Reuters, investigação sobre a campanha da Tesla na Europa, 7 de outubro de 2026; Reuters, ETSC e função de velocidade, 29 de setembro de 2026;




