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Nem tudo o que parece, é

O desafio já não é provar que os BEV usados têm potencial, mas criar as condições para o concretizar.

O mercado de BEV usados tem escala e entusiasmo, mas a confiança dos compradores nestes veículos nem tanto. Segundo os dados do estudo da Ayvens “100% elétricos usados: risco ou oportunidade de negócio” é tempo de passar do receio à decisão informada.

Isto porque os números não enganam: em 2025, foram vendidos mais de 110 mil veículos 100% elétricos em território nacional, entre novos e usados, um aumento de 51% face a 2024. Entre 2020 e 2025, o segmento dos BEV usados cresceu a uma taxa média anual composta de 54%, enquanto o mercado de usados a combustão avançou apenas aproximadamente 3% ao ano.

Os números descrevem um segmento que deixou de ser marginal e entra agora numa fase de maturidade. Seria de esperar que quem vende carros acompanhasse esta evolução com convicção. Não é isso que mostra a auscultação do estudo: 68,8% dos comerciantes de veículos usados consideram os BEV usados mais arriscados do que os equivalentes a combustão e 63% identificam a perceção de risco associada à desvalorização e à evolução tecnológica como a principal razão para não comprarem um elétrico usado. Existe, portanto, um desfasamento evidente entre o potencial do mercado e a confiança de quem nele trabalha. O interesse é real, mas a abordagem continua prudente, e é essa prudência que trava a expansão do segmento.

No centro da desconfiança está a bateria, o componente mais caro e menos visível do veículo. Para 63% dos parceiros Ayvens, o estado e a durabilidade da bateria são a principal preocupação dos clientes, e 86% admitem que o risco associado à bateria influencia diretamente as suas decisões de compra. É um receio compreensível, porque ninguém quer ficar com um ativo cujo valor não consegue avaliar, mas os dados disponíveis contam uma história diferente da que o mercado imagina.

A Ayvens analisou cerca de 4.000 veículos elétricos usados, aproximadamente 3.000 na Alemanha e 1.000 em Portugal, e calculou o estado de saúde das baterias. O indicador State of Health (SoH) médio calculado na amostra foi de 95%, mesmo após uma média de quatro anos de utilização e 59.000 quilómetros. Mais de 85% dos veículos apresentavam um SoH superior a 90%, e apenas 2,6% registavam valores inferiores a 85%.

Isto não elimina o risco, nem pretende fazê-lo, mas demonstra que a degradação real é, de facto, significativamente inferior à percecionada. Continuar a penalizar um veículo com base em receios genéricos, e não em informação técnica concreta, significa deixar valor e margem em cima da mesa.

E quais são os fatores que levarão os comerciantes de veículos usados a comprar mais? Quando questionados, 56,7% apontam as garantias adicionais como principal prioridade, e 40% indicam a certificação do estado da bateria. A mensagem é clara: a confiança depende da combinação entre transparência técnica e proteção pós-venda. Os estudos da entidade independente AVILOO vão no mesmo sentido, ao mostrar que 75% dos compradores esperam uma certificação independente da bateria e que 81% consideram mais fiáveis os vendedores que a disponibilizam.

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O efeito comercial é mensurável, os veículos certificados vendem-se 36% mais depressa, e os compradores estão dispostos a pagar entre 550 e 1.100 euros adicionais por um veículo acompanhado de um certificado independente. A confiança deixa de ser um argumento de comunicação e passa a ter impacto direto na rotação do stock e no valor comercial.

A estes argumentos soma-se o económico, talvez o mais subestimado. A análise do custo total de utilização (TCO) da Ayvens mostra que os BEV usados apresentam um TCO inferior ao dos equivalentes diesel e gasolina nos segmentos utilitário (B), pequeno familiar (C) e médio familiar (D), sobretudo quando existe acesso a carregamento privado.

No segmento utilitário, a vantagem pode atingir 34,6%; nos segmentos familiares, as poupanças situam-se entre aproximadamente 8% e 16%, consoante a quilometragem anual. O preço de aquisição é apenas uma parte da equação. O custo da energia, a manutenção e a possibilidade de carregar em casa ou no local de trabalho pesam muito no custo real, e é precisamente aí que o elétrico usado ganha vantagem.

Para transformar este potencial em resultados, o setor precisa de combinar informação técnica, proteção pós-venda e inteligência comercial. Os certificados SoH e as soluções de garantia de bateria reduzem a incerteza sobre o ativo e dão previsibilidade a clientes e parceiros.

O Dynamic Velocity Pricing (uma metodologia desenvolvida pela Indicata para apoiar a gestão de preços e stock de veículos usados), os indicadores de Market Days Supply (calculado com base no stock atual dividido pela média diária de vendas dos últimos 45 dias) e as formações e ferramentas de suporte à venda complementam esta proposta, transformando dados técnicos em argumentos de venda, ajudando os parceiros a aumentar margem, acelerar rotação e gerir o negócio de usados com maior confiança.

Para a Ayvens, a oportunidade está em assumir um papel ativo na normalização deste mercado, não apenas como fornecedor, mas como facilitador de confiança, rotação e valor.

Os números mostram que existe mercado, que a bateria está, em regra, em melhores condições do que se presume e que há vantagens económicas concretas para o comprador. O desafio já não é provar que os BEV usados têm potencial, mas criar as condições para o concretizar. E esse é o risco atual do mercado: deixar que perceções erradas do passado moldem o potencial verdadeiro do futuro.

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Infografia gerada por IA

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