imagem ilustrativa do tesla FSD junto de um sinal de trânsito de proibição de circular a mais de 30 km/h. imagem gerada por IA imagem ilustrativa do tesla FSD junto de um sinal de trânsito de proibição de circular a mais de 30 km/h. imagem gerada por IA

Croácia aprova Tesla FSD enquanto ETSC pede travão europeu

Uma aprovação em Zagreb e um pedido de chumbo dirigido a Bruxelas, no mesmo dia.

Uma aprovação em Zagreb e um pedido de chumbo dirigido a Bruxelas, no mesmo dia. O Tesla FSD Supervised,foi autorizado na Croácia, enquanto o Conselho Europeu de Segurança nos Transportes (ETSC) pedia à Comissão Europeia e aos Estados-membros que rejeitassem duas das suas funções de velocidade.

Ouve o resumo do artigo:

Áudio gerado por IA

Resumo
Croácia autoriza o FSD Supervised da Tesla
Segue a homologação provisória neerlandesa de abril; Eslovénia e Chéquia aderiram em setembro.
Speed offset permite até 50% acima do limite
Para a ETSC, viola o Regulamento n.º 171 da ONU: uma zona de 50 km/h passa a 75 km/h.
ETSC rejeita a velocidade do tráfego como referência
O contextual max speed pode copiar o excesso de velocidade dos outros condutores.
Decisão europeia não chega antes de dezembro
Exige 15 dos 27 Estados-membros com 65% da população; Portugal recusou o reconhecimento nacional.

Croácia reconhece a homologação neerlandesa

A ativação no país deve começar em breve, segundo a Tesla. O sistema controla a velocidade e a direção do carro, mas obriga o condutor a manter-se atento e pronto a intervir. Zagreb já tinha recebido em abril o primeiro serviço comercial de robotáxis da Europa, da Pony.ai em parceria com a Verne e a Uber.

imagem ilustrativa do tesla FSD junto de um sinal de trânsito de proibição de circular a mais de 30 km/h. imagem gerada por IA

A 10 de abril, a RDW, autoridade neerlandesa de homologação, concedeu ao FSD Supervised uma homologação provisória ao abrigo do artigo 39.º, o procedimento europeu de exceção para tecnologias incompatíveis com as regras em vigor.

A Croácia é o oitavo país da UE a autorizar o sistema. Aos Países Baixos juntaram-se a Lituânia a 20 de maio, a Estónia a 29 de maio, a Dinamarca a 9 de junho e a Bélgica no dia seguinte; em setembro, chegaram a Eslovénia, vizinha da Croácia, a dia 7, e a Chéquia, a dia 21. Para a Tesla, a expansão europeia do sistema é decisiva para recuperar vendas e quota de mercado perante a concorrência dos fabricantes chineses de elétricos.

O que a ETSC contesta no FSD Supervised

Chama-se speed offset a primeira função contestada, que o condutor ativa num menu para fixar uma margem permanente acima de cada limite de velocidade detetado pelo carro, em degraus de 5% até um máximo de 50%. Numa estrada de 50 km/h, o teto passa a 75 km/h; numa zona de 30 km/h, fica nos 45 km/h.

“O sistema não deve permitir ao condutor definir uma margem por defeito pela qual a velocidade máxima atual deva exceder o limite de velocidade determinado pelo sistema”, estabelece o parágrafo 5.3.7.4.9 do Regulamento n.º 171 da ONU, que rege os sistemas de assistência ao controlo da condução. Para a ETSC, a função da Tesla preenche todos os elementos dessa proibição. A marca pediu exceção ao abrigo do artigo 39.º para o contextual max speed, mas deixou o speed offset fora da lista, o que implica que o considerou conforme às regras.

As regras atuais deixam o condutor escolher uma velocidade de assistência acima do limite, 60 km/h numa estrada de 50 km/h, por exemplo, mas proíbem o próprio sistema de o fazer. A ETSC lembra que a probabilidade de um peão morrer atropelado por um automóvel ligeiro a 50 km/h é mais de cinco vezes superior à registada a 30 km/h. Num teste de cerca de 400 km publicado a 24 de setembro pelo grupo belga Johanna.be, o FSD Supervised excedeu o limite em 55% dos troços de 30 km/h, com uma média de 44 km/h, sem recorrer a nenhuma das duas funções.

Velocidade do tráfego como referência

Com o contextual max speed ativo, o FSD Supervised ajusta a velocidade máxima a partir do que observa na via, incluindo a velocidade dos outros veículos. A ETSC aceita que marcas rodoviárias, traçado e infraestrutura ajudem a determinar o limite com mais rigor, porque o reconhecimento de sinais e os dados de mapa podem falhar. Rejeita que a velocidade do tráfego entre nessa conta, porque o excesso de velocidade é generalizado nas estradas europeias.

Os números da contestação ao FSD Supervised · EVMag
Tesla FSD Supervised · UE · setembro de 2026
Os números da contestação ao FSD
Quatro dados no centro do pedido da ETSC para que a UE rejeite as funções de velocidade do sistema da Tesla.
Speed offset
+50%
Margem máxima que o condutor pode fixar acima do limite detetado
Numa zona de 30 km/h, o teto passa a 45 km/h; numa estrada de 50 km/h, a 75 km/h.
Risco para o peão
>5×
Probabilidade de morte num atropelamento a 50 km/h face a 30 km/h
Estudo de Kröyer et al., 2014, citado pela ETSC.
Teste Johanna.be
55%
Troços de 30 km/h em que o FSD Supervised excedeu o limite
Média de 44 km/h em cerca de 400 km, sem recorrer às duas funções contestadas.
Dados da Tesla
98%
Casos em que o carro seguia à velocidade mediana do tráfego ou abaixo
A ETSC considera os dados insuficientes: não indicam a velocidade do tráfego nem o limite em vigor.
Os números da contestação da ETSC ao Tesla FSD Supervised, setembro de 2026
IndicadorValorContexto
Speed offset: margem máxima acima do limite detetado50%30 km/h passam a 45 km/h; 50 km/h passam a 75 km/h
Risco de morte do peão a 50 km/h face a 30 km/hMais de 5 vezesKröyer et al., 2014, citado pela ETSC
Troços de 30 km/h com limite excedido no teste Johanna.be55%Média de 44 km/h em cerca de 400 km
Casos em que o FSD seguia à mediana do tráfego ou abaixo, segundo a Tesla98%Dados considerados insuficientes pela ETSC
ETSC · Conselho Europeu de Segurança nos Transportes · Johanna.be, teste publicado a 24 de setembro
Fonte: ETSC, Johanna.be · EVMag

Segundo a agência finlandesa Traficom, a Tesla justifica a função com o argumento de que um veículo a circular estritamente ao limite pode perturbar o trânsito quando os outros condutores não o respeitam. “Não é um sistema a assistir um condutor que decidiu exceder o limite. É um sistema que excede o limite”, responde a ETSC no documento.

O painel de dados com que a Tesla sustenta o pedido de exceção mostra que, em 98% dos casos selecionados pela marca em que o sistema elevou a velocidade máxima acima do limite detetado, o carro seguia à velocidade mediana do tráfego ou abaixo dela. A ETSC considera os dados insuficientes, por não indicarem a velocidade do tráfego nem o limite em vigor: um FSD a 68 km/h numa estrada de 50 km/h, com o trânsito a 70 km/h, conta como caso favorável.

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Votação europeia adiada para dezembro

A RDW propõe que a aprovação passe a valer em toda a UE, mas, como o EVMag noticiou, a agenda provisória da reunião do Comité Técnico dos Veículos a Motor (TCMV) de 6 de outubro reserva 25 minutos ao pedido neerlandês e nenhuma votação. O comité só volta a reunir-se em dezembro. Se a Comissão Europeia recusar a autorização, a homologação provisória neerlandesa é revogada seis meses depois, e com ela caem os reconhecimentos nacionais entretanto concedidos.

Aprovar o FSD Supervised a nível europeu exige maioria qualificada, ou seja, pelo menos 15 dos 27 Estados-membros, representando 65% da população. Suécia, França e Chéquia levantaram reservas sobre a capacidade do sistema de ultrapassar os limites de velocidade; França recusou reconhecer a aprovação neerlandesa, mas começou a 3 de setembro testes em estrada. A ETSC defende que o processo nem deve ir a votos antes de um debate público sobre se as regras devem passar a permitir condução sem mãos e manobras iniciadas pelo sistema fora das autoestradas.

Tesla FSD em Portugal

Por decisão do Governo, Portugal não vai reconhecer a nível nacional a aprovação da RDW, segundo uma resposta do secretário de Estado da Mobilidade tornada pública no X e noticiada a 25 de setembro pelo Long Range. Com base na posição do IMT, o Executivo alega que o sistema não passou por uma validação técnica independente das autoridades nacionais, incluindo a ANSR, e prefere esperar pelo enquadramento europeu. A recusa não corresponde ao voto de Portugal no TCMV, que ainda pode ser favorável em dezembro.

A Tesla tinha entregado às autoridades portuguesas dados de 192 milhões de quilómetros para defender a aprovação. Desde maio, a marca vende o FSD na Europa apenas por subscrição, a 99 euros por mês, e em Portugal quem a paga continua sem acesso às funções completas do sistema.

Fontes: ETSC, documento de posição “The Speed Offset and Contextual Max Speed Functions of Tesla’s FSD (Supervised)”, setembro de 2026; Reuters, aprovação na Croácia e maioria qualificada; Reuters, posição da ETSC e reservas dos Estados-membros; Reuters, adiamento da votação europeia; Reuters, testes em França; Investing.com, teste belga sem as funções contestadas; FSD Europe Tracker, aprovações nacionais e estudo Johanna.be; Razão Automóvel, consequências de um chumbo; Long Range, posição do Governo português; Pplware, dados entregues em Portugal; Público, subscrição de 99 euros; Echo Boomer, robotáxis em Zagreb.

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