Em 49 dos 56 países acompanhados pela Ember, a quota de carros 100% elétricos nas vendas de 2026 é a mais alta de sempre. O centro de estudos de energia britânico atualizou hoje o seu tracker mensal de vendas de carros elétricos e cruzou os números com o petróleo que essas frotas deixaram de consumir desde o fecho do Estreito de Ormuz.
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Vendas de carros elétricos chegam aos 18% no mundo
Nos primeiros oito meses de 2025, os elétricos a bateria (BEV) representavam 16% dos carros novos vendidos no mundo. Entre janeiro e agosto de 2026, ficaram com 18%, num período em que as vendas de BEV cresceram 11% face ao ano anterior e as de carros a combustão recuaram 6%.

Retirando da conta os Estados Unidos e a China, os dois maiores mercados em volume e ambos com mudanças recentes nas políticas de apoio, a Ember estima que as vendas de BEV cresceram 45% no resto do mundo.
Petróleo evitado desde o fecho de Ormuz
Entre março e agosto, as frotas de carros elétricos dos países importadores de petróleo evitaram o consumo de 200 milhões de barris de crude, avaliados pela Ember em 20 mil milhões de dólares. Desse valor, 16,5 mil milhões correspondem aos elétricos a bateria.
Nos números por país, a Ember não separa motorizações. A China lidera, com 14 mil milhões de dólares, perto de três quartos do total; os Estados-membros da UE somam 3,1 mil milhões, com a Alemanha nos 760 milhões e a França nos 560 milhões. O Reino Unido, fora da UE, chega aos 790 milhões.
Medida em proporção do consumo, a Dinamarca destaca-se: a frota elétrica do país evita 6,4 milhões de barris por ano, o equivalente a 13% do petróleo consumido em 2025. “Os países que investiram em veículos elétricos antes desta crise estão hoje mais protegidos”, afirmou Euan Graham, analista sénior de energia da Ember.
Em setembro, o Brent voltou a fixar-se acima dos 100 dólares por barril pela primeira vez desde maio.
Na Índia, no Chile, na Austrália e na Nova Zelândia, as vendas de BEV subiram de forma acentuada a partir de março, com os consumidores expostos ao aumento dos combustíveis. Na UE, uma análise da Transport & Environment citada pela Ember concluiu que os condutores de carros a gasolina são cinco vezes mais afetados pelo fecho de Ormuz do que os de um BEV típico.
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Incentivos aceleram a Europa
Com o leasing social, a França levou a quota de BEV acima dos 30% pela primeira vez. Na Alemanha, os novos apoios à compra em vigor desde o início do ano fizeram subir as vendas, e do lado da oferta a Ember aponta modelos mais acessíveis de fabricantes europeus: em julho, segundo a JATO Dynamics, os elétricos mais vendidos na Europa foram propostas da Renault, da Volkswagen e da Skoda.
Fora da Europa, a Coreia do Sul duplicou as vendas de BEV, que já valem quase um quarto do mercado de carros novos, depois de lançar no final de 2025 uma estratégia nacional que inclui apoios à procura interna. O Japão, mercado historicamente lento a adotar elétricos, também duplicou as vendas na sequência de um apoio ao custo de aquisição introduzido em janeiro.
Estados Unidos ficam para trás
Depois de retirar o apoio federal aos elétricos no ano passado, os Estados Unidos ficaram com 6% de BEV nas vendas de ligeiros entre janeiro e agosto. Dos 56 países do tracker, 49 estão hoje à frente, e quinze ultrapassaram os norte-americanos pela primeira vez este ano, entre eles o Brasil, a Índia, a Itália, a Malásia e a Nova Zelândia.
A Índia tinha 2% de BEV nas vendas em 2024 e desde abril supera os EUA todos os meses.
O que mede o tracker da Ember
O EV Sales Data Tracker reúne as matrículas mensais de carros novos por motorização em 56 países, que somaram mais de 90% das vendas mundiais de elétricos em 2025, e estima ainda a frota atual, o consumo de eletricidade e o petróleo evitado em cada mercado.
Fontes: Ember, “Electric energy security: how EVs are reducing oil import vulnerabilities”, 14 de outubro de 2026; Ember, EV Sales Data Tracker; Ember, Monthly EV Sales Data; JATO Dynamics, mercado europeu em julho; Transport & Environment, impacto do conflito nos condutores.




