Quase 11% do mercado europeu ficou nas mãos de marcas chinesas no segundo trimestre, segundo a Schmidt Automotive Research, citada pela Reuters. Renault, Stellantis e Volkswagen respondem com elétricos retro, que recuperam nomes e linhas com décadas de história.
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Elétricos retro: Renault 5 elétrico abriu o caminho
O primeiro Renault 5 saiu para a estrada em 1972. A versão elétrica é apresentada pela própria Renault como o elétrico do segmento B mais vendido na Europa, e o grupo fechou o primeiro semestre de 2026 com receitas de 30.252 milhões de euros, 9,5% acima do mesmo período de 2025.
Nas contas do Grupo Renault, as vendas de elétricos na Europa cresceram 47,6% no semestre. Pesam agora 18,8% do total vendido pelo grupo no continente.

Chris Litchfield, britânico de 51 anos, cresceu com Renault 5 à porta de casa e comprou em maio o primeiro elétrico da vida, um Renault 5 amarelo. Contou à Reuters que a vontade de ter o modelo pesou mais do que as reservas que tinha sobre os carros elétricos. “Gosto dele, acima de tudo, porque é um Renault 5”, afirmou.
Citroën 2 CV elétrico e o modo retro do ID. Polo
Ontem, no dia de imprensa do Salão Automóvel de Paris, a Stellantis mostrou o Citroën 2 CV Concept, versão elétrica de um modelo produzido entre 1948 e 1990. O protótipo mede 3,76 metros e aponta para um preço de 15.000 euros no modelo de série.O último 2 CV saiu da fábrica de Mangualde, em 1990.
Na Volkswagen, a referência é o Golf dos anos 80. O ID. Polo tem um modo retro opcional que transforma o painel digital nos mostradores do Golf I, enquanto o ecrã central passa a mostrar a música a tocar numa cassete virtual.
“Era só para ser uma piada”, disse à Reuters Andreas Mindt, diretor de design da Volkswagen, que garante que os clientes adoram a função.
O último dos elétricos retro foi ontem apresentado. No salão de Partis, a smart deu a conhecer o smart #2, que revive o conceito do fortwo que deu o pontapé de saída à marca.
Elétricos pequenos sob pressão chinesa
Porque as margens dos carros pequenos são curtas, qualquer elemento que acrescente valor tende a ser bem recebido, defende Robert Dooley, estratega de design da Car Design Research. É nos elétricos pequenos e acessíveis que a pressão de preço das marcas chinesas se vai sentir com mais força, e é aí que o design retro está a aparecer.
Em Portugal, a lista do EVMag de elétricos até 25 mil euros contava nove modelos, quatro deles de marcas chinesas. Há um ano eram sete, com apenas dois vindos da China. O ID. Polo Trend entrou na lista com 24.702 euros e o Renault 5 Five mantém-se nos 24.900 euros, ambos em preço de tabela com IVA.
A Transport & Environment prevê que as vendas de elétricos acessíveis, com preço de partida abaixo dos 25.000 euros, multipliquem por sete na União Europeia em 2026, face a 2024.
Já conheces as ferramentas interativas EVMag?
Os limites da nostalgia
“Os ícones não são eternos, têm o seu momento ao sol”, disse Laurens van den Acker, diretor de design do Grupo Renault.
O designer admite que a receita dos elétricos retro funciona na Europa, onde muitas famílias se mantiveram fiéis aos mesmos modelos durante gerações. Fora do continente pode não resultar, e nada garante que dure, porque o ícone de uma geração acaba substituído pelo da seguinte.
A Volkswagen conhece bem o problema. Nos Estados Unidos, o entusiasmo inicial pelo ID. Buzz esmoreceu quando os compradores esbarraram no preço e na autonomia, e o Carocha nunca chegou à era elétrica: a marca deixou de o produzir em 2019, com o mercado já virado para os SUV.
Mindt defende que a marca não pode encostar-se à história e tem de liderar em tecnologias como o carregamento rápido e a condução autónoma.
Colecionadores do 2 CV ouvidos pela Citroën
Antes de mostrar o protótipo, a Citroën perguntou a colecionadores do modelo original o que devia ser preservado. As respostas apontaram para o preço acessível, a facilidade de condução e a capota de lona.
Thierry Jouanny preside a um clube francês de colecionadores do 2 CV e tem na garagem um exemplar de 1951. Para ele, o novo carro tem também de recuperar o apelo emocional do original, a capacidade de tirar o condutor do anonimato no meio do trânsito.
Fontes: Reuters, despacho de Gilles Guillaume e Rachel More, 13 de outubro de 2026; Grupo Renault, resultados do primeiro semestre de 2026; EVMag, elétricos até 25 mil euros em Portugal, outubro de 2026; EVMag, Citroën 2 CV Concept.




