Sete vezes mais. É quanto devem crescer em 2026, face a 2024, as vendas de carros elétricos acessíveis com preço de partida abaixo dos 25.000 euros na União Europeia, segundo o relatório de progresso da Transport & Environment (T&E).
Ouve o resumo do artigo:
Áudio gerado por IA
Neste artigo:
Recorde de vendas na União Europeia
Entre janeiro e agosto venderam-se na UE 1,64 milhões de elétricos a bateria, mais 45% do que no mesmo período de 2025. A quota acumulada ficou nos 22%, seis pontos acima do ano anterior, e só em agosto chegou aos 28%. França e Alemanha concentraram perto de metade das vendas do bloco no primeiro semestre, com quotas mensais de 38% e 32% em agosto.
No segundo trimestre, pela primeira vez num trimestre completo, os BEV venderam mais na Europa do que os carros movidos apenas a gasolina.

Oferta de carros elétricos acessíveis duplica
Até ao fim do ano vão estar à venda 16 modelos com preço de partida abaixo dos 25.000 euros, o dobro do que existia há um ano. Quatro ficam abaixo dos 20.000 euros. Para 2028, a T&E conta com perto de 10 modelos nessa faixa, entre os quais o Renault Twingo, o Volkswagen ID.Up e propostas da Dacia.
A Stellantis aponta a sua família de citadinos elétricos aos 15.000 euros, com o regresso do Citroën 2CV já confirmado. Quase 40 modelos novos chegaram ao mercado no primeiro semestre e a organização espera 60 até dezembro, perto de quatro vezes a média de 15 por ano registada entre 2021 e 2025. Os fabricantes europeus asseguram quase 60% dos modelos disponíveis e juntaram 16 na primeira metade do ano, enquanto os chineses ficam com 21% e acrescentaram 11.
Nas faixas mais baixas, os carros a combustão continuam a ter mais escolha. Abaixo dos 30.000 euros há hoje quase três vezes mais modelos térmicos do que elétricos, e entre os 20.000 e os 25.000 euros a proporção sobe para 4,4 vezes. A T&E calcula que este fosso, nessa faixa intermédia, fique fechado em 2028.
Preço dos combustíveis empurra a procura
Desde o início da guerra no Irão, o gasóleo encareceu 38% e encher um depósito de 50 litros custa hoje mais 30 euros. A meados de setembro, segundo a T&E, conduzir um elétrico carregado em casa saía metade do preço de um carro a gasolina ou gasóleo, e o choque petrolífero já custou 53 mil milhões de euros aos condutores da UE.
O Volkswagen ID. Polo esgotou pouco depois do lançamento, com mais de 40.000 encomendas e uma lista de espera de dez meses. Para Lucien Mathieu, diretor para a área automóvel da T&E, os fabricantes queixaram-se durante anos de falta de procura sem razão: “A questão não era a procura, mas o que tinham para oferecer.”
Já conheces as ferramentas interativas EVMag?
Em Portugal
Quase metade dos ligeiros de passageiros novos matriculados em Portugal em setembro foi 100% elétrica: 9.338 unidades, 47,7% do mercado, segundo a ACAP. De janeiro a setembro, a quota acumulada fixou-se nos 29,0%, acima dos 22% que a T&E regista para a UE entre janeiro e agosto.
Dois dos exemplos do relatório, o Renault 5 e o Leapmotor T03, estiveram entre os dez elétricos mais vendidos na Europa no primeiro semestre. Em Portugal, a Leapmotor matriculou 268 elétricos em setembro, mais 1.686,7% do que um ano antes.
A faixa de carro elétricos abaixo dos 20.000 euros já tem oferta no mercado português: o Dacia Spring Expression parte dos 17.900 euros e o Renault Twingo E-Tech evolution dos 19.490 euros, preços com IVA. Com bateria de 44 kWh, o Citroën ë-C3 Autonomia Conforto custa 23.650 euros.
Metas de 2030 em negociação
A meio do período de cumprimento de 2025 a 2027, os fabricantes já fecharam 75% da distância para a meta de CO2. Metade do mercado está em conformidade, incluindo a BMW, o grupo Mercedes-Volvo, a Stellantis, a Kia e o grupo Tesla-Ford, e a Renault está a menos de 1 gCO2/km do objetivo. A T&E espera que todos os construtores europeus cumpram até ao fim dos três anos.
| Ano | Proposta da Comissão Europeia | Proposta Salini (PPE) |
|---|---|---|
| 2030 | 47% | 22% |
| 2035 | 85% | 39% |
Os colegisladores europeus votam este outono a revisão das metas seguintes, e em cima da mesa está a proposta do relator do PPE, o eurodeputado italiano Massimiliano Salini, que calcula a meta de 2030 em média ao longo de cinco anos, abre uma exceção para veículos movidos a combustíveis ditos elegíveis e congela a correção do fator de utilização dos híbridos plug-in.
Com essas regras, segundo a T&E, a quota de BEV ficaria parada nos 22% em 2030, contra os 47% da proposta da Comissão Europeia, e as vendas de modelos abaixo dos 25.000 euros cairiam quase três quartos; mesmo a proposta da Comissão as cortaria em mais de metade.
Fontes: Transport & Environment, comunicado de 5 de outubro de 2026; Transport & Environment, EV progress report, outubro de 2026; ACEA, matrículas na UE até agosto de 2026; ACAP, matrículas em Portugal, setembro de 2026; base de dados do EVMag, preços em Portugal com IVA.




