Dois condomínios com 50 lugares de garagem cada podem ter condições técnicas completamente diferentes. O exemplo é de Horácio Baptista, da VoltBoost, e foi a resposta que deu ao EVMag, no SAHE 2026, quando lhe perguntámos quanto custa equipar um condomínio.
O que está a montante do posto de carregamento
Antes de qualquer posto de carregamento, há a instalação que o alimenta. “Um posto de carregamento de veículos elétricos não deixa de ser um equipamento elétrico”, disse Horácio Baptista, para quem a rede a montante tem de ser levada a sério para que tudo funcione.

Os prédios que a VoltBoost já encontrou cobrem os dois extremos. Há edifícios sem qualquer tipo de infraestrutura, como “alojamentos cuja rede elétrica servia a iluminação e pouco mais, onde foi preciso fazer trabalho exploratório, estudo e projeto antes de instalar um único ponto de carregamento”.
A aparência engana. Houve garagens que “pareciam simples e se revelaram muito difíceis”, e outras em que aconteceu o contrário.
Proposta à medida do condomínio
“Não temos orçamentos baseados no número de lugares”, afirma Horácio Baptista. “Em vez de uma tabela por lugar, o orçamento sai de trabalho exploratório, de informação recolhida junto do condomínio e de uma visita ao local para aferir as condições de instalação”.
O objetivo, explicou, “é entregar uma proposta rigorosa e ajustada ao que cada prédio realmente precisa, e não um pacote fechado”. A escolha passa também pelo modelo de utilização: pontos de uso exclusivo, um por lugar de garagem, ou pontos partilhados em zona comum, as duas modalidades que a lei prevê para os condomínios.
Essa leitura faz-se com o cliente. “Temos é que trabalhar e fazer esse trabalho junto com o cliente”, disse, lembrando que nenhum edifício é igual a outro. Quanto ao investimento, garante que “as propostas já adjudicadas mostram que montar uma rede de carregamento no condomínio compensa para quem a utiliza e fica dentro dos preços de mercado”.
–>| Característica | Valor |
|---|---|
| Unidades ligadas em rede | Até 32 |
| Potência ajustável | 1,4 a 22 kW, com balanceamento automático |
| Acesso | Cartão RFID, aplicação Android e iOS, Plug&Charge |
| Comunicação | OCPP 1.6; Wi-Fi, Bluetooth, Ethernet, 4G, RS485 |
| Versão monofásica | 7,4 kW, 230 V, 32 A |
| Versão trifásica | 11 kW, 400 V, 16 A |
| Versão trifásica | 22 kW, 400 V, 32 A |
| Modos de carga | Eco+, Eco, Fast; compatível com solar e baterias |
| Proteções | Diferencial 6 mA DC e 30 mA AC; IP65 IK10 (cabo), IP55 IK10 (tomada) |
| Dimensões e peso | 260 x 260 x 110 mm; 4 kg |
Infraestrutura primeiro, postos depois
Questionado sobre se já tinha trabalhado desde a fase de preparação dos edifícios, Horácio Baptista confirmou. “Nos prédios de construção recente, a intervenção começa mais cedo, ainda em obra, com a passagem dos cabos antes da montagem dos postos”.
É essa a lógica que a lei passou a impor. Segundo o artigo 22.º do Decreto-Lei n.º 93/2025, de 14 de agosto, a construção de edifícios em propriedade horizontal, ou de outros imóveis com estacionamento, tem de incluir a infraestrutura elétrica para o carregamento de veículos, sem que isso obrigue a instalar logo os pontos de carregamento ou as tomadas.
A Portaria n.º 128/2026/1, de 26 de março, veio pôr números nessa obrigação. Cada ponto de conexão tem de ter, no mínimo, 3.680 VA, e nos prédios de habitação multifamiliar a instalação tem de contar com um sistema de controlo de carga, capaz de desligar cargas ou de reduzir momentaneamente a corrente destinada aos veículos para não exceder a potência disponível.
A portaria está em vigor desde 27 de março.
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O que a lei dá ao condómino
Nos edifícios existentes, o mesmo diploma permite a qualquer condómino instalar, a expensas próprias, um ponto de carregamento de uso exclusivo ou partilhado no seu lugar de estacionamento.
Se a instalação ocupar ou atravessar partes comuns, basta comunicá-la por escrito à administração com 30 dias de antecedência. O equipamento tem de cumprir os requisitos técnicos fixados por portaria, e a lei admite ainda o carregamento sem ponto dedicado, em tomadas de uso doméstico, desde que respeitadas as regras técnicas e de segurança.
A oposição só é admitida em cinco casos: risco comprovado para a segurança, com parecer técnico, prejuízo para a circulação nas vias comuns, incumprimento das regras de acessibilidade, existência de um ponto partilhado equivalente, ou o compromisso de a própria administração instalar um no prazo de 90 dias. A decisão tem de ser tomada em 30 dias, por maioria simples do valor total do prédio, fica em ata e é comunicada por escrito aos ausentes em 15 dias. Uma recusa tem de ser fundamentada.
O vosso serviço é nacional?
Horácio Baptista: Sim, a nível nacional. O nosso centro operacional é no Norte, aqui nos limites do Porto, mas temos operação a nível nacional.
Há quanto tempo existe a VoltBoost? Como é o vosso mercado?
Horácio Baptista: A VoltBoost nasceu da experiência acumulada enquanto equipa técnica responsável por instalações elétricas. Em experiência com instalações elétricas, já estamos a falar de 20 anos.
Porquê? Porque um posto de carregamento de veículos elétricos não deixa de ser um equipamento elétrico. A montante de um posto de carregamento há uma rede muito importante, que tem de ser levada a sério para que tudo possa funcionar devidamente. Foi dessa experiência que nasceu a VoltBoost.
A VoltBoost tem aproximadamente dois anos, dois anos e pouco, e está concentrada só na mobilidade elétrica.
E os condomínios são o vosso alvo?
Horácio Baptista: É o nosso target, são os condomínios. Naturalmente, também trabalhamos com clientes individuais, com moradias, com empresas, com empresas com frotas, com alojamentos, com hotéis.
Mas o produto que estamos agora a apresentar é dedicado aos condomínios. Ou seja, um produto pensado e desenhado para dar resposta às dificuldades e aos desafios que os condomínios enfrentam, sobretudo com a nova legislação, em que é tudo muito recente.
Ouvimos as dificuldades das partes interessadas, compilámos o quadro legislativo e normativo e estamos a apresentar ao mercado um produto que dá resposta a estes problemas.
Já têm feito instalações desde a preparação do edifício? Em prédios novos e antigos, como tem sido a experiência?
Horácio Baptista: Felizmente, sim. Já trabalhámos com vários edifícios e temos de tudo. Trabalhamos com edifícios que não têm qualquer tipo de infraestrutura. Por exemplo, alojamentos que tinham uma rede elétrica para ligar a iluminação e pouco mais. Aí, a VoltBoost tem de fazer todo o trabalho exploratório, de estudo e de projeto.
E também trabalhamos com edifícios de construção muito mais recente, em que a VoltBoost entra logo em fase de obra: passar os cabos, montar o posto e fazer a operação.
Agora, em termos de desafios, cada edifício é um edifício. Já entrámos em edifícios que podiam parecer pouco desafiantes e foram muito desafiantes, e também já se deu o contrário.
O importante é perceber que a VoltBoost é um parceiro de mobilidade elétrica que, mediante as necessidades dos clientes, tem a capacidade técnica para dar resposta. Agora, temos é de trabalhar e fazer esse trabalho junto com o cliente.
Porque é que trabalham com uma linha própria de produtos?
Horácio Baptista: Estamos no mercado com uma linha própria de produtos e escolhemos trabalhar com ela por vários motivos.
EVMag: Quais são os motivos principais?
Horácio Baptista: Sermos especializados e especialistas no nosso produto. Porque, se trabalharmos com vários fabricantes, perdemos a capacidade de dar resposta ao nosso cliente.
E estamos a sentir essa dificuldade em clientes que não são nossos, com equipamento comprado a outro fabricante. Quando o equipamento é VoltBoost, conseguimos dar resposta a tudo.
O equipamento é fabricado por vocês?
Horácio Baptista: O equipamento não é montado por nós, não somos fabricantes. Temos uma parte pequena no desenvolvimento do produto e uma proximidade muito grande com o desenvolvimento e o fabrico, e temos todo o apoio que seja necessário. Este produto que vê aqui já foi desenvolvido com algumas especificações requeridas por nós.
EVMag: Nomeadamente a que nível?
Horácio Baptista: Ao nível do software.
EVMag: Para depois poder fazer a gestão, a faturação?
Horácio Baptista: Exato. Depois, ao nível do hardware, é um produto bastante maduro a nível de eletrónica de potência. Já tem componentes de alta qualidade, o que dá garantias de termos um produto que está aqui para funcionar durante muitos anos. Mesmo a nível de controlo de potência, tem componentes de alta qualidade.
Qual é o custo para um condomínio de 20 lugares?
Horácio Baptista: Não temos orçamentos baseados no número de lugares. Depende sempre da necessidade do condomínio. O que fazemos é sempre algum trabalho exploratório: recolhemos informação do cliente e vamos ao local aferir as condições de instalação, porque cada caso é um caso. O que entregamos efetivamente ao cliente é uma proposta rigorosa e de acordo com aquilo que realmente precisa.
Podemos ter, suponha, dois condomínios com uns 50 lugares e as condições técnicas serem completamente diferentes.
Mas deixe-me só dizer que as propostas que neste momento já temos adjudicadas dão-nos a garantia de que o investimento necessário para ter uma rede VoltBoost no condomínio é compensador para quem a utiliza. Estão dentro do mercado, em termos de preços.
E o preço do carregamento? Há cartões pré-pagos para o condomínio?
Horácio Baptista: Nós não somos comercializadores. A contratação da energia é sempre responsabilidade do cliente.
Fontes: entrevista de Horácio Baptista ao EVMag, no SAHE; VoltBoost; Decreto-Lei n.º 93/2025, artigos 22.º, 23.º e 24.º; Portaria n.º 128/2026/1, artigo 2.º.




