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Apoio a carros elétricos para famílias carenciadas: tudo o que já se sabe

O apoio do Estado é descontado diretamente no stand, ficando a família responsável pelo pagamento do restante.

As famílias carenciadas que recorrerem ao novo apoio para carros elétricos vão receber um vale descontado diretamente no stand, sem terem de pagar o automóvel primeiro. O limite de 15 mil euros aplica-se ao incentivo, e o preço do carro poderá ficar perto dos 37.500 euros.

Ouve o resumo do artigo:

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Resumo
Apoio descontado no stand, sem adiantar dinheiro
Vales semelhantes aos do E-Lar, válidos para elétricos novos e usados até cinco anos.
80% do preço sem IVA, até 15 mil euros
Mais mil euros com abate facultativo; carros até 37.500 euros, com o IVA pago pela família.
Nos elétricos novos, a família paga pelo menos 5.258 euros
Cálculo EVMag para o Dacia Spring, com abate. Nos nove modelos até 25 mil euros, chega a 8.901.
Cheques gerais sobem para 50 milhões de euros
As famílias vulneráveis têm 104,5 milhões para 5.500 carros, com candidaturas previstas para os primeiros meses de 2027.

Vale descontado no stand

O modelo segue o do E-Lar, o programa que troca equipamentos a gás por elétricos através de vales usados diretamente nos fornecedores.

No caso dos automóveis, a comparticipação sai do preço no momento da compra, explicou a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.

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O apoio do Estado é descontado diretamente pelo stand | imagem gerada por IA

Os apoios abrangem elétricos novos e usados com até cinco anos, desde que comprados num estabelecimento comercial, ficando excluídas as vendas entre particulares. Quem receber o apoio tem de manter o veículo durante pelo menos três anos. Segundo o Negócios, o programa deverá incluir também quadriciclos elétricos ligeiros e pesados.

O abate de um carro a combustão é facultativo nesta modalidade, e quem entregar a viatura antiga soma mil euros ao apoio, enquanto quem a vender pode usar esse dinheiro na parte que o incentivo não cobre.

Apoio até 15 mil euros, carros até 37.500

No debate do Orçamento do Estado para 2027, a 28 de outubro, os 15 mil euros sem IVA foram anunciados como o preço máximo do próprio veículo. Agora já se sabem mais pormenores.

A comparticipação será de 80% do preço sem IVA, depois de estudados cenários entre 70% e 90%, com um máximo de 15 mil euros por veículo e um teto para o preço do automóvel perto dos 37.500 euros, atualizado à inflação. O IVA fica a cargo do comprador.

Numa simulação apresentada pela ministra, um elétrico de 16.700 euros, com 80% de comparticipação e mil euros pelo abate, deixaria à família pouco mais de dois mil euros para pagar. O tratamento do IVA ainda não está fechado e pode alterar essa conta.

Famílias vulneráveis · Apoio 2027
Quanto paga uma família carenciada por um elétrico
O Estado comparticipa 80% do preço sem IVA, até 15.000 euros, mais mil euros com abate. O IVA e a parte acima do teto ficam a cargo da família.
Quem paga o quê, por preço do carro
Apoio do Estado Majoração por abate Paga a família
17.900 €
Dacia Spring · Cálculo EVMag
5.258 €
a cargo da família
11.642 €
5.258 €
25.000 €
Cálculo EVMag
9.000 €
a cargo da família
15.000 €
9.000 €
37.500 €
Preço máximo · Cálculo EVMag
21.500 €
a cargo da família
15.000 €
21.500 €
0 €37.500 €
23.063 €
É o preço com IVA a partir do qual o apoio deixa de crescer
Corresponde a 18.750 euros sem IVA, valor em que os 80% atingem o teto de 15.000 euros. Daí para cima, cada euro é pago pela família.
Para quantas famílias chega
Agregados que cumprem o critério de rendimento
1,5 milhões
Beneficiários da tarifa social, com prioridade admitida
780 mil
Veículos que a dotação de 104,5 milhões financia
5.500
1 em 270
Há cerca de um carro apoiado por cada 270 agregados elegíveis
A meta pode crescer com as negociações em Bruxelas, mas o número adicional ainda não está fechado.
Apoio à compra de carros elétricos por famílias carenciadas em 2027: repartição do custo e alcance
CenárioApoio do EstadoMajoração por abatePaga a família
Dacia Spring, 17.900 euros (cálculo EVMag)11.642 euros1.000 euros5.258 euros
Carro de 25.000 euros (cálculo EVMag)15.000 euros1.000 euros9.000 euros
Carro de 37.500 euros (cálculo EVMag)15.000 euros1.000 euros21.500 euros
Agregados que cumprem o critério de rendimento1,5 milhões
Beneficiários da tarifa social780 mil
Veículos financiados5.500
Preços com IVA · Cenários com abate (facultativo) e comparticipação de 80% sobre o preço sem IVA · IVA a cargo do comprador · Preço máximo ainda por fechar · Sobreposição entre os 780 mil e os 1,5 milhões de agregados não esclarecida
Fontes: Ministério do Ambiente e Energia, Jornal de Negócios, JN/Lusa · Cálculos EVMag

Nas contas do EVMag, com abate, os nove carros elétricos até 25 mil euros à venda em Portugal deixam às famílias entre 5.258 e 8.901 euros por pagar. O mais barato é o Dacia Spring Expression, de 17.900 euros, em que o apoio cobre 12.642 euros e a família paga o resto, incluindo o IVA. Seguem-se o Renault Twingo E-Tech, com 5.814 euros a cargo da família, o Leapmotor T03, com 5.852, e o Citroën ë-C3, com 5.988.

Até aos 23.063 euros com IVA, o apoio cresce com o preço do carro, e acima desse valor fica fixo nos 16 mil euros. O Geely E2 PRO, ainda abaixo do limiar, deixa 6.656 euros por pagar, enquanto o MG4 Urban já o ultrapassa e deixa 7.900 euros. No topo da lista, o Leapmotor B03X, o Volkswagen ID. Polo, o Renault 5 E-Tech e o Geely E2 MAX deixam entre 8.285 e 8.901 euros a cargo da família.

Quem tem acesso ao apoio para carros elétricos

O critério é o rendimento monetário líquido por adulto equivalente, que não pode passar dos 11.572 euros anuais, o equivalente a 80% da mediana nacional nos dados do INE para os rendimentos de 2024.

No cálculo, o primeiro adulto conta como uma unidade, cada pessoa com 14 ou mais anos como 0,5 e cada criança abaixo dessa idade como 0,3. Só um elemento do agregado pode candidatar-se, e a Autoridade Tributária está a preparar um simulador para as famílias confirmarem a elegibilidade antes de avançar.

Segundo a ministra, cerca de 1,5 milhões de agregados cumprem a condição de rendimento. A dotação de 104,5 milhões de euros, inscrita no Plano Social para o Clima, chega para 5.500 veículos, número que pode subir consoante o desfecho das negociações com Bruxelas. Mais de 20% das famílias vulneráveis têm carro próprio, e a governante quer cortar “a dependência do diesel” nestes agregados.

Para escolher entre candidatos, o Governo admite dar prioridade aos beneficiários da tarifa social de eletricidade, cerca de 780 mil agregados, em vez de seguir a ordem de chegada. O apoio não fica limitado aos territórios de baixa densidade e abrange as áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto. A ACAP já contestou esse filtro: o secretário-geral, Helder Pedro, disse ao Negócios duvidar que algum apoio chegue a ser atribuído se o critério for a tarifa social.

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Microempresas com até dois veículos

As microempresas, com menos de dez trabalhadores e volume de negócios até dois milhões de euros, terão 228 milhões de euros para comprar 13.700 veículos elétricos, com uma ou duas viaturas por empresa e cerca de nove mil empresas abrangidas. A comparticipação pode chegar a 100% do valor sem IVA. Neste caso, o abate de um veículo a combustão é obrigatório e os combustíveis têm de representar pelo menos 5% das despesas da empresa.

Mobilidade elétrica · Apoios 2027
Apoios aos elétricos somam 508 milhões de euros em 2027
Dotações anunciadas pelo Governo para famílias vulneráveis, microempresas, autocarros e população em geral. Todos os programas dependem ainda de aprovação europeia.
Dotação por programa
Microempresas
13.700 veículos · até dois por empresa
228M€
Autocarros
700 veículos · territórios de baixa densidade
125,5M€
Famílias vulneráveis
5.500 veículos · vale descontado no stand
104,5M€
População em geral
Cheques do Fundo de Modernização
50M€
Apoio às famílias vulneráveis
80%
Comparticipação prevista
Sobre o preço sem IVA
15.000 €
Teto do apoio por veículo
16.000 € com abate facultativo
37.500 €
Preço máximo do carro
Provisório
11.572 €
Rendimento anual máximo
Por adulto equivalente
5 anos
Idade máxima dos usados
Só em stand, não entre particulares
3 anos
Posse mínima obrigatória
Antes de poder vender o carro
Cheques para a população em geral
2025
Dois avisos: 13,5 M€ em março, 17,6 M€ em dezembro
31,1M€
2026
20 M€ anunciados, só a primeira tranche abriu
10M€
2027
Regras semelhantes às dos concursos anteriores
50M€
Verba aberta a concurso Anunciada e não aberta
5×
A verba de 2027 é cinco vezes a que abriu em 2026
No concurso de junho, com quatro mil euros por particular, a parte destinada aos automóveis esgotou em menos de duas horas.
Apoios à compra de veículos elétricos em Portugal anunciados para 2027
Programa ou anoDotaçãoNotas
Microempresas228 milhões de euros13.700 veículos, até dois por empresa
Autocarros em territórios de baixa densidade125,5 milhões de euros700 autocarros
Famílias vulneráveis104,5 milhões de euros5.500 veículos; comparticipação prevista de 80% sobre o preço sem IVA, até 15.000 euros (16.000 euros com abate); preço máximo do carro de 37.500 euros, provisório; rendimento máximo de 11.572 euros por adulto equivalente; usados até 5 anos; posse mínima de 3 anos
População em geral 202750 milhões de eurosFundo de Modernização
Total 2027508 milhões de eurosSoma dos quatro programas
População em geral 202610 milhões de euros abertos20 milhões anunciados em duas tranches
População em geral 202531,1 milhões de euros13,5 milhões em março e 17,6 milhões em dezembro
M€: milhões de euros · Dotações de 2025 e 2026 referem-se ao total de cada aviso, incluindo outras categorias além de automóveis · IVA a cargo do comprador · Preço máximo ainda por fechar
Fontes: Ministério do Ambiente e Energia, Jornal de Negócios, JN/Lusa, Renascença, ECO · EVMag

Outros 125,5 milhões de euros vão cofinanciar 700 autocarros elétricos para territórios de baixa densidade, a única destas medidas com restrição geográfica. No conjunto, o Governo aponta para 21.500 veículos elétricos apoiados.

Apoio geral sobe para 50 milhões

Os cheques para a população em geral continuam em 2027, com 50 milhões de euros do Fundo de Modernização e regras semelhantes às dos concursos anteriores. Em 2025, o Fundo Ambiental abriu dois avisos, com 13,5 milhões de euros em março e 17,6 milhões em dezembro.

Para 2026, o Governo anunciou em janeiro 20 milhões de euros, divididos em duas tranches de 10 milhões. Só a primeira chegou a abrir, em junho, com quatro mil euros por particular na compra de um elétrico novo e abate obrigatório de um carro a combustão com mais de dez anos. A verba destinada aos automóveis esgotou em menos de duas horas, e a segunda tranche, prevista para a segunda metade do ano, continua por lançar.

A abertura das candidaturas de 2027 depende da aprovação do comité do Fundo de Modernização, que integra representantes da Comissão Europeia. O Governo quer disponibilizar a totalidade da verba ao longo do ano, ainda sem calendário, e a ministra considerou pouco provável um novo concurso até dezembro, devido à pressão sobre as contas do Fundo Ambiental.

Calendário depende de Bruxelas

O Plano Social para o Clima, com 1,6 mil milhões de euros a executar até 2032 e gerido pela Agência para o Clima, foi submetido à Comissão Europeia a 9 de outubro. No comunicado desse dia, o Ministério do Ambiente e Energia previa o lançamento dos primeiros avisos no segundo semestre de 2027.

A ministra conta agora fechar as negociações até ao fim do ano e abrir o programa para famílias nos primeiros meses de 2027, ainda sem data definida.

Fontes: Jornal de Negócios, declarações da ministra do Ambiente e Energia, 3 de novembro de 2026; JN/Lusa, 3 de novembro de 2026; Governo de Portugal, comunicado sobre o Plano Social para o Clima, 9 de outubro de 2026; Jornal de Negócios, 1 de novembro de 2026; Jornal de Negócios, microempresas; Jornal de Negócios, entrevista a Helder Pedro, ACAP; Renascença, 20 milhões para 2026; idealista, tranches de 2026; e-konomista, aviso de março de 2025; ECO, aviso de dezembro de 2025.

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