As famílias carenciadas que recorrerem ao novo apoio para carros elétricos vão receber um vale descontado diretamente no stand, sem terem de pagar o automóvel primeiro. O limite de 15 mil euros aplica-se ao incentivo, e o preço do carro poderá ficar perto dos 37.500 euros.
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Vale descontado no stand
O modelo segue o do E-Lar, o programa que troca equipamentos a gás por elétricos através de vales usados diretamente nos fornecedores.
No caso dos automóveis, a comparticipação sai do preço no momento da compra, explicou a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.

Os apoios abrangem elétricos novos e usados com até cinco anos, desde que comprados num estabelecimento comercial, ficando excluídas as vendas entre particulares. Quem receber o apoio tem de manter o veículo durante pelo menos três anos. Segundo o Negócios, o programa deverá incluir também quadriciclos elétricos ligeiros e pesados.
O abate de um carro a combustão é facultativo nesta modalidade, e quem entregar a viatura antiga soma mil euros ao apoio, enquanto quem a vender pode usar esse dinheiro na parte que o incentivo não cobre.
Apoio até 15 mil euros, carros até 37.500
No debate do Orçamento do Estado para 2027, a 28 de outubro, os 15 mil euros sem IVA foram anunciados como o preço máximo do próprio veículo. Agora já se sabem mais pormenores.
A comparticipação será de 80% do preço sem IVA, depois de estudados cenários entre 70% e 90%, com um máximo de 15 mil euros por veículo e um teto para o preço do automóvel perto dos 37.500 euros, atualizado à inflação. O IVA fica a cargo do comprador.
Numa simulação apresentada pela ministra, um elétrico de 16.700 euros, com 80% de comparticipação e mil euros pelo abate, deixaria à família pouco mais de dois mil euros para pagar. O tratamento do IVA ainda não está fechado e pode alterar essa conta.
Nas contas do EVMag, com abate, os nove carros elétricos até 25 mil euros à venda em Portugal deixam às famílias entre 5.258 e 8.901 euros por pagar. O mais barato é o Dacia Spring Expression, de 17.900 euros, em que o apoio cobre 12.642 euros e a família paga o resto, incluindo o IVA. Seguem-se o Renault Twingo E-Tech, com 5.814 euros a cargo da família, o Leapmotor T03, com 5.852, e o Citroën ë-C3, com 5.988.
Até aos 23.063 euros com IVA, o apoio cresce com o preço do carro, e acima desse valor fica fixo nos 16 mil euros. O Geely E2 PRO, ainda abaixo do limiar, deixa 6.656 euros por pagar, enquanto o MG4 Urban já o ultrapassa e deixa 7.900 euros. No topo da lista, o Leapmotor B03X, o Volkswagen ID. Polo, o Renault 5 E-Tech e o Geely E2 MAX deixam entre 8.285 e 8.901 euros a cargo da família.
Quem tem acesso ao apoio para carros elétricos
O critério é o rendimento monetário líquido por adulto equivalente, que não pode passar dos 11.572 euros anuais, o equivalente a 80% da mediana nacional nos dados do INE para os rendimentos de 2024.
No cálculo, o primeiro adulto conta como uma unidade, cada pessoa com 14 ou mais anos como 0,5 e cada criança abaixo dessa idade como 0,3. Só um elemento do agregado pode candidatar-se, e a Autoridade Tributária está a preparar um simulador para as famílias confirmarem a elegibilidade antes de avançar.
Segundo a ministra, cerca de 1,5 milhões de agregados cumprem a condição de rendimento. A dotação de 104,5 milhões de euros, inscrita no Plano Social para o Clima, chega para 5.500 veículos, número que pode subir consoante o desfecho das negociações com Bruxelas. Mais de 20% das famílias vulneráveis têm carro próprio, e a governante quer cortar “a dependência do diesel” nestes agregados.
Para escolher entre candidatos, o Governo admite dar prioridade aos beneficiários da tarifa social de eletricidade, cerca de 780 mil agregados, em vez de seguir a ordem de chegada. O apoio não fica limitado aos territórios de baixa densidade e abrange as áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto. A ACAP já contestou esse filtro: o secretário-geral, Helder Pedro, disse ao Negócios duvidar que algum apoio chegue a ser atribuído se o critério for a tarifa social.
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Microempresas com até dois veículos
As microempresas, com menos de dez trabalhadores e volume de negócios até dois milhões de euros, terão 228 milhões de euros para comprar 13.700 veículos elétricos, com uma ou duas viaturas por empresa e cerca de nove mil empresas abrangidas. A comparticipação pode chegar a 100% do valor sem IVA. Neste caso, o abate de um veículo a combustão é obrigatório e os combustíveis têm de representar pelo menos 5% das despesas da empresa.
Outros 125,5 milhões de euros vão cofinanciar 700 autocarros elétricos para territórios de baixa densidade, a única destas medidas com restrição geográfica. No conjunto, o Governo aponta para 21.500 veículos elétricos apoiados.
Apoio geral sobe para 50 milhões
Os cheques para a população em geral continuam em 2027, com 50 milhões de euros do Fundo de Modernização e regras semelhantes às dos concursos anteriores. Em 2025, o Fundo Ambiental abriu dois avisos, com 13,5 milhões de euros em março e 17,6 milhões em dezembro.
Para 2026, o Governo anunciou em janeiro 20 milhões de euros, divididos em duas tranches de 10 milhões. Só a primeira chegou a abrir, em junho, com quatro mil euros por particular na compra de um elétrico novo e abate obrigatório de um carro a combustão com mais de dez anos. A verba destinada aos automóveis esgotou em menos de duas horas, e a segunda tranche, prevista para a segunda metade do ano, continua por lançar.
A abertura das candidaturas de 2027 depende da aprovação do comité do Fundo de Modernização, que integra representantes da Comissão Europeia. O Governo quer disponibilizar a totalidade da verba ao longo do ano, ainda sem calendário, e a ministra considerou pouco provável um novo concurso até dezembro, devido à pressão sobre as contas do Fundo Ambiental.
Calendário depende de Bruxelas
O Plano Social para o Clima, com 1,6 mil milhões de euros a executar até 2032 e gerido pela Agência para o Clima, foi submetido à Comissão Europeia a 9 de outubro. No comunicado desse dia, o Ministério do Ambiente e Energia previa o lançamento dos primeiros avisos no segundo semestre de 2027.
A ministra conta agora fechar as negociações até ao fim do ano e abrir o programa para famílias nos primeiros meses de 2027, ainda sem data definida.
Fontes: Jornal de Negócios, declarações da ministra do Ambiente e Energia, 3 de novembro de 2026; JN/Lusa, 3 de novembro de 2026; Governo de Portugal, comunicado sobre o Plano Social para o Clima, 9 de outubro de 2026; Jornal de Negócios, 1 de novembro de 2026; Jornal de Negócios, microempresas; Jornal de Negócios, entrevista a Helder Pedro, ACAP; Renascença, 20 milhões para 2026; idealista, tranches de 2026; e-konomista, aviso de março de 2025; ECO, aviso de dezembro de 2025.




