Pela primeira vez, a BYD superou a Tesla como a marca de elétrico que os condutores portugueses mais querem ter. O dado consta do estudo “Mobilidade Elétrica em Portugal 2026” do ACP.
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BYD à frente da Tesla: o que dizem os números
Em 2025, os veículos eletrificados eram 3,5% do parque automóvel. Em 2026 são 9%. A predisposição para comprar um elétrico chegou aos 55%, quando há um ano ficava nos 33%.
A BYD é a marca de sonho e não chegou a este patamar por acidente. Entrou em Portugal com o Dolphin Surf a menos de 20.000 euros, seguiu com o Atto 3 EVO e confirmou recentemente a chegada do flash charging ao mercado nacional.

Nos condutores mais jovens, entre os 25 e os 44 anos, a preferência pela marca chinesa é ainda mais pronunciada. No lado do preço, o estudo confirma o contexto: 61% dos inquiridos sem carro elétrico não está disposto a pagar mais de 40.000 euros por um elétrico novo, com 34% a apontar um máximo entre 20.000 e 30.000 euros.
O estudo “Mobilidade Elétrica em Portugal 2026”, publicado pelo Observatório ACP, tem por base 1.608 entrevistas realizadas entre 28 de janeiro e 11 de fevereiro.
Quase metade dos condutores quer trocar de carro
Em 2025, apenas 24% admitiam querer substituir o carro nos próximos anos. Em 2026 são 49%.
No mercado de usados, em 2025 eram 18% os que consideravam provável comprar um elétrico em segunda mão. Agora são 37%. O preço mais acessível é a razão principal. As dúvidas sobre as baterias persistem, mas já não são o que trava a conversa.
Carregar em casa nem sempre é fácil
Em casa carregam 86% dos proprietários de elétricos, mais três pontos do que em 2025. Mas 43% dizem ter dificuldade em fazê-lo, e nos condomínios um em cada quatro moradores diz ter problemas para instalar um carregador. Na rede pública, o custo médio fica pelos 50 euros por mês.

A Galp Electric lidera entre os operadores e foi a que mais cresceu em 2025, com a EDP a manter presença relevante. Quase 4 em cada 10 utilizadores já recorrem a aplicações para localizar e pagar carregamentos, com a Galp Electric, a Via Verde Electric, o Mundo Galp e o EDP Charge no topo das preferências.
As barreiras continuam as mesmas
Preço inicial elevado, autonomia percebida como insuficiente, tempos de carregamento e falta de oficinas especializadas: a lista de razões para não comprar não mudou.
O barómetro da mobilidade elétrica 2026 do ACP detalha que 56% dos inquiridos sem elétrico considera necessária uma autonomia superior a 400 km para se sentir confortável, um limiar que o mercado já consegue cumprir na maioria dos modelos mas que ainda não chegou à perceção geral.
59% conhece alguém com carro elétrico
A rede pública mantém-se desigual no território, com as zonas rurais e o Alentejo em pior situação. Já 59% dos inquiridos têm amigos ou familiares com um veículo eletrificado, mais do que em qualquer edição anterior do estudo.
O relatório foi apresentado na cerimónia do ACP Elétrico do Ano 2025. O Audi Q6 e-tron foi o modelo mais votado em todas as categorias. O Škoda Elroq ganhou nos Familiares, o Renault 4 E-Tech nos Citadinos e o Peugeot e-5008 nos SUV.



