A bicicleta elétrica de plástico que a igus mostrou em junho, na Eurobike, já está em produção em série. Metade do plástico do quadro vem de redes de pesca perdidas no mar, e o preço parte dos 2.500 euros.
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igus:bike é bicicleta elétrica para cidade
Pensada para a cidade, a nova igus:bike elétrica tem uma só velocidade e pesa cerca de 20 kg, com motor montado na roda traseira a entregar 60 Nm de binário e transmissão por correia dentada em fibra de carbono e plástico, em vez de corrente.

Com a bateria cheia, a igus aponta para uma autonomia máxima de 120 km. A apresentação decorreu em Frankfurt, na 34.ª edição da feira, entre 24 e 27 de junho, que contava com cerca de 800 expositores de mais de 40 países.
Redes de pesca no quadro
A bicicleta é feita com 50% de plástico, do quadro às rodas e do espigão do selim ao guiador. O metal fica reservado às peças onde ainda é tecnicamente necessário, como a forqueta de suspensão, os discos e os cabos de travão.
Citando a WWF, a igus afirma que cerca de um terço dos resíduos de plástico nos oceanos são artes de pesca, sobretudo redes e cordas. A matéria-prima reciclada chega de um parceiro belga, que recolhe as redes perdidas pelos barcos de pesca junto à costa, limpa-as e transforma-as em pó de plástico.
“Os nossos especialistas em materiais conseguiram assegurar que 50 por cento do plástico utilizado nos quadros das bicicletas seja proveniente deste material reciclado”, afirmou Jens Boldt, diretor da unidade de negócios igus:bike.
Do processo de fabrico, já usado no modelo anterior, saem peças ocas e sem soldaduras. A igus diz tê-lo afinado ao ponto de ganhar rigidez, o que permitiu reduzir a espessura das paredes e desenhar um quadro mais estreito, agora com escoras de selim e de corrente em ambos os lados. O espigão do selim e o guiador são fabricados por injeção em molde.
Casquilhos sem lubrificação
Manetes de travão, pedais e amortecedores trabalham sobre casquilhos deslizantes em polímeros de elevado desempenho, sem qualquer lubrificação. Os lubrificantes sólidos microscópicos integrados no material garantem funcionamento a seco e com baixo atrito, e a empresa garante que a bicicleta pode ficar à chuva durante anos sem corrosão.
Numa bicicleta convencional deixada ao tempo, a própria igus aponta a corrente, o espigão do selim, os raios e as soldaduras do quadro como as peças que mais enferrujam.
Limpar, manter ou substituir essas peças pode somar valores consideráveis em bicicletas convencionais ou elétricas de gama alta, argumenta a empresa. Na descrição de Boldt, a igus:bike é quase isenta de manutenção, também nos pontos de apoio, onde não há nada para lubrificar.
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Peças testadas em volta ao mundo
Em março de 2024, a igus anunciou na Cyclingworld Europe, em Düsseldorf, a produção em série da bicicleta de plástico sem motor, com a designação RCYL. Pesava cerca de 17 kg, era 92% plástico e custava à volta de 1.200 euros, com as primeiras 100 unidades feitas em conjunto com a MTRL, parceira de desenvolvimento neerlandesa.
A meta anunciada nessa altura era chegar às 10.000 bicicletas com a capacidade de produção alargada.
Com esse modelo, a igus fez uma volta ao mundo de um ano e meio por 25 países, com quase 6.000 km percorridos em climas muito diferentes, numa viagem que assinalou também os 60 anos da empresa, fundada em 1964 numa garagem. As peças que aguentaram a estrada passaram para a versão elétrica, e todos os componentes são testados no laboratório da empresa antes de serem montados.
Na Alemanha, cerca de metade das bicicletas compradas recentemente já são elétricas, segundo uma análise de mercado da consultora EY citada pela igus. “Estamos convictos de que estamos a lançar uma bicicleta elétrica que não só é particularmente robusta, como também se enquadra no conceito de economia circular, dando resposta a esta procura crescente”, afirmou Boldt.
A igus:bike já está em produção e tem um preço de 2.500 euros. Atualmente, está apenas à venda na Alemanha.
Fontes: igus Portugal, comunicado de imprensa de 30 de setembro de 2026; igus, comunicado internacional de 29 de junho de 2026; igus Alemanha, comunicado de março de 2024 sobre a RCYL; Eurobike, edição de 2026; igus:bike; Logistra, volta ao mundo dos 60 anos.




