Na versão homologada em abril, o Tesla Assisted Driving podia ser regulado para circular 50% acima do limite de velocidade. Na atualização que a RDW validou ontem, o teto desce para 10%.
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Da autoestrada à zona 30
A autoridade neerlandesa de homologação aprovou o sistema a 10 de abril, ainda com o nome FSD Supervised, depois de um processo de avaliação de 18 meses com testes em pista e na via pública.
Nessa configuração, o condutor podia definir uma margem de velocidade, ou seja, uma percentagem que autoriza o sistema a afastar-se do limite em vigor quando a segurança ou a fluidez do trânsito o exijam.

Com o máximo de 50%, uma autoestrada limitada a 100 km/h permitia ao carro chegar aos 150 km/h e, numa zona 30, aos 45 km/h. Depois da atualização, os mesmos troços passam a admitir 110 km/h e 33 km/h, e a regulação regressa aos 0% sempre que o carro é ligado.
Tesla Assisted Driving substitui o FSD Supervised
Foi a Tesla a pedir à RDW que avaliasse aquilo que o regulador descreve como um conjunto de pequenas alterações. Verificada a implementação, a autoridade neerlandesa não detetou efeitos adversos nem indesejados no funcionamento do sistema ou no comportamento do carro, e a homologação continua válida nas mesmas condições, sem precisar de ser alterada ou alargada.
Outras funções ligadas à velocidade ficam desativadas por defeito. A RDW não diz quais.
O novo nome vai aparecer no ecrã do carro, no manual e em toda a restante informação destinada ao condutor, com a atualização a chegar por via remota. “Continua a ser um sistema de assistência ao condutor”, sublinha a RDW, que deixa a responsabilidade da condução do lado de quem vai ao volante.
As condições de Berlim
Nome e margem coincidem com o que a Alemanha acordou com a Tesla em reuniões em setembro e tornou público a 6 de outubro. Steffen Bilger, ministro dos Transportes, comprometeu-se a defender em Bruxelas a aprovação europeia do sistema, com a velocidade limitada a 10% acima do limite. Para o ministério, a designação Full Self-Driving induzia em erro, porque o condutor tem de se manter atento em permanência.
Foi a própria Tesla a propor o novo nome, que já aparece desde outubro nos sites europeus da marca, incluindo o português.
Dez países e uma votação adiada
Para lá dos Países Baixos, o sistema já é reconhecido na Bélgica, Croácia, Chéquia, Dinamarca, Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Letónia e Lituânia, os nove Estados-membros que a RDW informou das alterações. A Eslováquia entrou a 16 de outubro e a Letónia a 26.
A aprovação para os 27 depende do Comité Técnico de Veículos a Motor (TCMV), cujas discussões a RDW considera confidenciais e sobre as quais não comenta. Para passar, a proposta precisa de maioria qualificada, com pelo menos 15 Estados-membros que representem 65% da população da União, e a primeira oportunidade de votação é a reunião de dezembro.
Com a Itália a pedir também uma aprovação rápida, o bloco favorável soma 12 países e 45,94% da população. Faltam três Estados e 19,06 pontos percentuais.
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Velocidade, a principal objeção
Em junho, a Suécia pediu à UE que chumbasse o sistema caso a Tesla não eliminasse a possibilidade de definir velocidades acima do limite, segundo a Electrek. Três meses depois, uma associação de segurança de peões de Bruxelas registou excesso de velocidade em 55% dos troços de 30 km/h que testou, num país que já tinha reconhecido a aprovação. A França também apontou a velocidade em meio urbano entre as razões para não reconhecer a homologação neerlandesa.
Estocolmo queria tolerância zero.
Para a Electrek, o teto resolve apenas parte do problema, porque o sistema continua a não detetar corretamente todos os limites de velocidade. Uma margem de 10% sobre um limite mal lido deixa o carro, ainda assim, acima do permitido.
Portugal fora da lista
A 25 de setembro, o gabinete da secretária de Estado da Mobilidade, Cristina Pinto Dias, recusou o reconhecimento da aprovação neerlandesa em resposta a um pedido de Hugo Cadavez, que tinha solicitado uma posição favorável ao sistema. A resposta invocava uma avaliação técnica do IMT, a falta de validação independente em Portugal, incluindo pela ANSR, e a vontade de acompanhar a evolução do enquadramento europeu.
A 21 de outubro, Sofia Henriques, chefe do Gabinete Jurídico e de Contencioso do IMT, respondeu por escrito que não existe qualquer documento com avaliação técnica, parecer, informação ou despacho sobre o assunto.
Na votação europeia, que é uma decisão separada do reconhecimento nacional, Portugal pesa 2,38% da população da UE.
Fontes: RDW, comunicado de 3 de novembro de 2026; Electrek; EVMag: Alemanha apoia FSD da Tesla, Tesla Assisted Driving, IMT sem avaliação técnica, maioria qualificada.




