Comprar um carro elétrico para a frota da empresa pode ser a solução mais racional. Estas são as contas que o provam.
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Carro elétrico significa poupança para a empresa
Com a gasolina 95 nos 1,94 euros por litro (julho 2026) e um consumo real de 7 litros por 100 km, cada 100 km percorridos num veículo a combustão custam 13,58 euros em combustível. Num elétrico carregado nas instalações da empresa ou em casa, o mesmo percurso fica entre 3 e 6 euros.
Em quatro anos, a 15.000 km por ano, a diferença apenas em energia pode situar-se entre cerca de 4.500 e 6.300 euros, consoante o preço da eletricidade.
O preço de entrada já não é o argumento central
Durante anos, a análise empresarial do elétrico partia de um pressuposto: o custo de aquisição superior seria compensado ao longo do tempo. Nos segmentos abaixo dos 35.000 euros esse pressuposto ainda se sustenta. Acima dos 45.000 euros, já não.
Nesse intervalo existem hoje vários modelos elétricos com preços equivalentes a combustão de equipamento comparável. Nalguns casos a diferença é de alguns centos de euros. Noutros desaparece quando se compara versão a versão.
Já conheces?
Quando o preço de entrada é semelhante, desaparece também o argumento de que comprar elétrico é uma aposta no longo prazo.
Tributação autónoma: 8%, 25% ou 32%, nos elétricos é zero até 62.500 euros
Uma empresa paga tributação autónoma sobre determinados encargos relacionados com viaturas ligeiras de passageiros a combustão. Em 2026, a taxa é de 8% quando o custo de aquisição é inferior a 37.500 euros, de 25% quando é igual ou superior a 37.500 euros e inferior a 45.000 euros, e de 32% quando é igual ou superior a 45.000 euros.
As taxas podem ser agravadas quando a empresa apresenta prejuízo fiscal, sem prejuízo das exclusões transitórias aplicáveis em 2026.
Nos veículos exclusivamente elétricos, os encargos não estão sujeitos a tributação autónoma quando o custo de aquisição não ultrapassa 62.500 euros. Acima desse limite, ficam sujeitos a uma taxa autónoma de 10%.

Num automóvel a combustão com um custo de aquisição de 50.000 euros e 8.000 euros de encargos anuais sujeitos a tributação autónoma, a taxa de 32% representa 2.560 euros por ano. Um elétrico de igual valor não suporta esse encargo.
Os veículos exclusivamente elétricos não suportam ISV e estão isentos de IUC.
O IVA da aquisição de um ligeiro de passageiros exclusivamente elétrico pode ser dedutível quando o custo da viatura, sem IVA, não ultrapassa 62.500 euros, desde que a empresa realize operações que confiram direito à dedução e o veículo esteja afeto à atividade.
Quando a empresa é abrangida por regimes de isenção ou realize atividades isentas, como certas operações de saúde, ensino, seguros, finanças ou arrendamento, podem não ter direito à dedução ou apenas conseguir deduzir parte do imposto.
A utilização pessoal da viatura pode limitar o direito à dedução ou originar outras obrigações em IVA, consoante a forma como o veículo é afeto à atividade e disponibilizado ao trabalhador ou gerente. A dedução efetuada no período da aquisição pode reduzir o IVA a entregar ou gerar um crédito fiscal.
Grande diferença também na depreciação
Há ainda a depreciação, que ao longo de quatro anos consome praticamente todo o valor do carro, à taxa fiscal de 25% ao ano aplicável às viaturas ligeiras de passageiros. O Código do IRC só aceita como gasto essa depreciação até um teto de custo de aquisição fixado pela Portaria n.º 467/2010, de 62.500 euros nos exclusivamente elétricos e de apenas 25.000 euros nos restantes. É esse teto que determina quanto do preço de compra a empresa consegue abater ao lucro tributável.
No topo de cada limite, a empresa deduz 62.500 euros num elétrico e apenas 25.000 euros num carro a combustão, por mais caro que este seja. Na combustão, a poupança de IRC que a depreciação permite nunca ultrapassa 4.750 euros nos quatro anos, à taxa geral de 19% de 2026 e antes das derramas; no elétrico, chega a 11.875 euros. A diferença, 7.125 euros, é o que a empresa deixa de pagar só por optar pelo elétrico em vez da combustão
1.836 euros ou 8.148 euros: a diferença está no combustível
Com carregamento em casa ou nas instalações da empresa e energia a 0,18 euros por kWh, um elétrico com consumo médio de 17 kWh por 100 km gasta 1.836 euros em quatro anos a 15.000 km anuais. Com tarifa bi-horária esse valor pode descer abaixo dos 1.500 euros.
A gasolina 95 está nos 1,94 euros por litro em julho de 2026. Com 7 litros por 100 km, são 8.148 euros no mesmo período.
Na rede pública, o carregamento rápido pode representar aproximadamente entre 10 e 15 euros por 100 km, consoante a tarifa, a potência e o operador.
Na parte inferior deste intervalo, o carregamento rápido continua a ser mais barato do que a gasolina. Perto dos 15 euros por 100 km, porém, a vantagem desaparece num automóvel a gasolina que consuma 7 litros por 100 km.
Pode chegar a um valor muito próximo do real no simulador de custos entre carro elétrico e a combustão do EVMag.
Manutenção e valor residual
A ausência de motor térmico, embraiagem e sistema de escape reduz o número de intervenções periódicas.
O maior peso e a entrega imediata de binário podem acelerar o desgaste dos pneus em alguns modelos e perfis de condução. Os travões tendem a durar mais, pela travagem regenerativa.
O valor residual continua a ser uma das variáveis mais incertas. A evolução dos preços dos automóveis novos, a autonomia, a velocidade de carregamento, a garantia da bateria e o estado efetivo da bateria influenciam a cotação de cada modelo. Não existe ainda uma regra uniforme para o mercado português
O seguro não segue uma regra fixa. Depende do modelo, do perfil de utilização e da seguradora.
Os quatro anos em números
Vejamos um veículo de segmento médio. Em quatro anos, a 15.000 km por ano, a diferença apenas em energia pode situar-se entre cerca de 4.500 e 6.300 euros, dependendo do preço da eletricidade.
A tributação autónoma zero acrescenta uma parcela que varia com o escalão: num veículo de 50.000 euros com encargos anuais de 8.000 euros, são mais de 2.500 euros por ano que o elétrico não paga. A manutenção acrescenta uma folga adicional, menos previsível mas tendencialmente positiva.
Se a empresa tiver direito à dedução de IVA na aquisição, parte relevante do investimento inicial regressa no próprio ano da compra.

A opinião de Paulo Pragana, Business & Retailer Development Director da Volvo Car Portugal
O automóvel mudou. A forma de cuidar dele também.
Wallbox: entre 800 e 3.000 euros
Com equipamento e instalação, uma solução de carregamento em instalações próprias custa entre 800 e 3.000 euros. Partilhada por dois ou mais veículos, o custo por viatura desce proporcionalmente.
A poupança operacional cobre esse investimento antes do segundo ano nos cenários com utilização acima dos 12.000 km anuais. Abaixo disso, a recuperação é mais lenta, mas a vantagem acumulada no final dos quatro anos mantém-se positiva em praticamente todos os cenários com carregamento próprio.
Com estes pressupostos e 12.000 km anuais, uma instalação de 800 euros pode ser recuperada no primeiro ano, uma de 2.000 euros perto do final do segundo e uma de 3.000 euros já durante o terceiro ano.
(Artigo atualizado com a inclusão da depreciação a quatro anos)
Fontes: Autoridade Tributária, ENSE, UVE e Transport & Environment.





