Cem mil euros em cinco anos. É quanto poupa uma transportadora nos Países Baixos que troque um camião a gasóleo por um camião elétrico de fabrico europeu, nas contas da Transport & Environment (T&E). Os camiões elétricos já compensam em seis mercados.
Ouve o resumo do artigo:
Áudio gerado por IA
Neste artigo:
Camiões elétricos compensam em seis de nove países
O estudo, assinado por Nils Hooftman, compara o custo total de propriedade de camiões pesados de longo curso em nove Estados-membros da União Europeia. Em seis deles, o elétrico já é a escolha mais barata ao fim de cinco anos de utilização. Esses seis mercados absorvem 46% dos camiões pesados novos vendidos na UE.

Depois dos Países Baixos surgem a Alemanha, com 85.000 euros de poupança, e a Dinamarca, com 69.000 euros. Nos dois primeiros casos, o investimento fica pago em dois anos.
Na Polónia, o camião elétrico ainda sai 16.000 euros mais caro do que o equivalente a gasóleo. A diferença chega aos 47.000 euros em Espanha e dispara para 94.000 euros em Itália, os três mercados onde a conta continua a pender para o motor de combustão.
Portugal não faz parte da análise.
Preço de compra pesa 40%
No modelo da T&E, um camião elétrico europeu de longo curso custa 265.000 euros, contra 120.000 euros de um camião a gasóleo equivalente. A compra representa em média 40% do custo total do elétrico e apenas 21% no caso do gasóleo, porque os fabricantes ainda vendem as versões elétricas por duas a três vezes o preço de outro tipo de motorização.
Com um camião chinês, que o estudo avalia em 210.000 euros, as contas mudam. Nos Países Baixos, a poupança pode chegar aos 128.000 euros em cinco anos, e na Alemanha um modelo chinês acrescenta 34.000 euros à vantagem de um europeu. Stef Cornelis, diretor de mercadorias e frotas da T&E, defendeu que manter as metas de CO2 para pesados será decisivo para a indústria europeia competir com os camiões elétricos chineses e com o Tesla Semi.
Portagens e eletricidade
A Alemanha isenta os camiões elétricos de portagem até junho de 2031 e cobra aos camiões a gasóleo uma taxa sobre o custo externo do CO2 de 200 euros por tonelada. Segundo o relatório, só a isenção quase chega para recuperar, nos primeiros cinco anos, o preço mais alto do elétrico.
Em França, Itália e Espanha, a diferenciação das portagens por emissões só passa a ser obrigatória quando os contratos de concessão forem renovados, porque as autoestradas são total ou parcialmente concessionadas. Em França, a rentabilidade do elétrico assenta hoje num subsídio de até 107.000 euros por camião. Se esse apoio acabar, a poupança de 2030 cai para 10.000 euros.
A Suécia tem a eletricidade mais barata dos nove países, a 0,10 euros por kWh sem IVA, e o elétrico poupa ali 42.000 euros em cinco anos. Na Alemanha, o preço sobe para 0,23 euros por kWh, com taxas e encargos de rede a pesar até 51% da fatura. A Polónia ainda não transpôs a diretiva Eurovinheta e enfrenta um processo de infração.
Já conheces as ferramentas interativas EVMag?
Espanha sem apoios nem portagens verdes
Espanha não diferencia as portagens por CO2 nem apoia a compra de camiões elétricos ou de carregadores. Para 2030, a T&E calcula uma poupança de 7.000 euros apenas com a descida do preço dos camiões.
O valor sobe para 32.000 euros se o país adotar portagens diferenciadas e créditos de energias renováveis para o carregamento nos parques das empresas, embora as portagens só contribuam com 7.000 euros, porque a parte da rede espanhola sujeita a portagem é pequena.
Gasóleo caro e metas para 2030
Os preços dos combustíveis subiram desde março de 2026, depois do encerramento do estreito de Ormuz, e a ferramenta da T&E permite simular um sobrecusto de 20% no gasóleo em 2026 e 2027. Com os preços atuais, a poupança nos Países Baixos sobe para 123.000 euros. Na Alemanha, atinge 106.000 euros.
“Os camionistas europeus estão na linha da frente da crise do gasóleo. Nunca houve melhor altura para trocar o gasóleo pelo elétrico, mas precisamos que os fabricantes de camiões e os governos os apoiem nessa mudança”, disse Stef Cornelis.
Até 2030, o modelo aponta para camiões elétricos mais baratos nos nove países, mesmo com a redução ou o fim dos subsídios à compra. Para isso, a T&E conta com a manutenção da meta de redução de 43% nas emissões dos pesados novos e com a aplicação da diretiva Eurovinheta e da diretiva de energias renováveis (RED III).
As contas assumem 116.000 km por ano, cinco anos de utilização e uma taxa de desconto de 9,5%.
Fontes: Transport & Environment, relatório “Are electric trucks cheaper to operate than diesel?”, 28 de setembro de 2026; Transport & Environment, comunicado de imprensa, 28 de setembro de 2026.




