888 cv e 1.350 Nm, o maior binário alguma vez montado num Bentley. O Bentley Torcal, apresentado a 23 de setembro em Londres, é o primeiro elétrico nos 107 anos da marca britânica.
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Bentley Torcal em duas versões
A gama arranca com duas versões e uma só bateria. A versão base desenvolve 821 cv e 1.194 Nm, faz dos 0 aos 100 km/h em 3,4 segundos e fica limitada a 250 km/h; o Torcal S, com o Launch Control ativo, chega aos 888 cv e 1.350 Nm, cumpre o mesmo arranque em 2,9 segundos e atinge 260 km/h.

São 192 células de bolsa de iões de lítio ligadas em série, a trabalhar a 800 V nominais, com 113 kWh de capacidade útil. A Bentley anuncia até 600 km em ciclo WLTP e carregamento DC até 400 kW, e dá à bateria uma garantia de dez anos ou 100 mil milhas, perto de 161 mil quilómetros.
A marca indica pouco menos de 20 minutos, com 161 km de autonomia recuperados em sete minutos.
PPE, suspensão ativa e 460 litros
Por baixo da carroçaria está a plataforma PPE do grupo Volkswagen, a arquitetura de 800 V estreada pelo Porsche Macan elétrico no início de 2024. Os dois motores síncronos de ímanes permanentes são de cárter seco: o dianteiro tem diferencial aberto e o traseiro usa um diferencial de bloqueio com embraiagem multidisco em cada veio de saída.
Pela primeira vez, um Bentley recebe suspensão totalmente ativa. Cada amortecedor sobe ou desce de forma independente, o que permite dispensar as barras estabilizadoras, e as rodas traseiras viram até cinco graus para reduzir o diâmetro de viragem a 11,1 metros.
Bentley Torcal
Com cinco metros de comprimento, o Torcal é o quatro portas mais curto da gama. Leva 460 litros na bagageira e mais 90 litros sob o capô dianteiro.
Um Bentley antes de ser elétrico
“A nossa intenção foi sempre fazer primeiro um Bentley”, disse Frank-Steffen Walliser, presidente executivo da Bentley, à Reuters. “Sentimos que as pessoas não estão a pedir um carro completamente diferente só por ser elétrico.”
A grelha, desnecessária num elétrico porque não há motor térmico para arrefecer, sobrevive em forma de diamante iluminado. O som segue a mesma lógica. A Bentley gravou músicos a tocar tambores, viola e baixo, com o ritmo do V8 de 6¾ litros como ponto de partida, e chama ao resultado Bentley Dynamic Symphony; o volume acompanha o binário pedido e a velocidade, sobe no modo Sport e pode ser desligado.

Os piscas usam uma gravação feita nas oficinas de estofos de Crewe, com um martelo a bater em pele. O toque do ecrã foi tirado de um copo de cristal.
Também a aceleração foi calibrada a pensar no cliente. Segundo a Bentley, a equipa de desenvolvimento travou os números de propósito, por saber que a maioria dos compradores considera desconfortável um arranque mais violento.
Metade dos interessados é nova na marca
No Reino Unido, o preço começa nas 173 mil libras (201.695 euros), o que põe o Torcal no escalão de entrada da gama. Walliser descreve-o como um “Bentley mais acessível” que “abre novos mercados”.
“Metade do interesse vem de clientes existentes”, disse o presidente executivo, referindo-se a proprietários que procuram um elétrico ou querem substituir um dos carros que já têm. Os restantes, “aproximadamente 50%”, nunca compraram um Bentley.
A marca tem mostrado o SUV a clientes atuais e potenciais, com procura forte na Europa, no Médio Oriente e nos estados norte-americanos onde a adoção de elétricos é mais alta. A campanha de lançamento na China arranca no próximo ano.
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Lamborghini e McLaren recuam
Há poucos meses, o Luce, primeiro elétrico da Ferrari, foi criticado por alguns entusiastas por pouco se parecer com os desportivos baixos a gasolina da marca de Maranello. Custa a partir de 550 mil euros e as encomendas estão esgotadas.
Entre os fabricantes de ultraluzxo, além da Ferrari, só a Rolls-Royce, do grupo BMW, vende atualmente um elétrico. A Lamborghini, que pertence ao grupo Volkswagen tal como a Bentley, adiou o primeiro elétrico para o fim da década, e a McLaren anunciou na semana anterior ao lançamento do Torcal que não tem planos para um. Ambas apontam a procura limitada como razão.
Crewe e o calendário elétrico
Foram 350 milhões de libras investidos na fábrica de Crewe, no noroeste de Inglaterra, onde o Torcal é desenhado, desenvolvido e produzido, de acordo com Jonathan Reynolds, ministro britânico com a pasta dos negócios.
Antes de chegar aqui, a Bentley adiou o primeiro elétrico para 2026 e abandonou a meta de ter uma gama totalmente elétrica em 2030, alegando que os clientes não estavam preparados. A estratégia Beyond100+ aponta agora para uma gama exclusivamente elétrica a partir de 2035.
Nos materiais de lançamento, a Bentley não divulgou preços nem datas de entrega para Portugal.
Fontes: Bentley, comunicado de lançamento do Torcal, 23 de setembro de 2026; Reuters, Nick Carey, 23 de setembro de 2026; electrive, plataforma PPE, 24 de setembro de 2026.




