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Carros elétricos acessíveis: T&E prevê vendas sete vezes maiores em 2026

Sete vezes mais. É quanto devem crescer em 2026, face a 2024, as vendas de carros elétricos acessíveis com preço de partida abaixo dos 25.000 euros na União Europeia, segundo o relatório de progresso da Transport & Environment (T&E).

Sete vezes mais. É quanto devem crescer em 2026, face a 2024, as vendas de carros elétricos acessíveis com preço de partida abaixo dos 25.000 euros na União Europeia, segundo o relatório de progresso da Transport & Environment (T&E).

Ouve o resumo do artigo:

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Resumo
Vendas de elétricos abaixo de 25 mil euros sobem sete vezes
A T&E compara 2026 com 2024 e prevê mais 34% em 2027.
16 modelos abaixo de 25 mil euros até dezembro
É o dobro de há um ano; quatro ficam abaixo dos 20 mil euros.
Recorde de 1,64 milhões de elétricos vendidos na UE até agosto
Mais 45% do que em 2025 e 22% de quota; Portugal chegou aos 47,7% em setembro.
Metas mais fracas deixariam os elétricos nos 22% em 2030
É a projeção da T&E para a proposta Salini; a da Comissão aponta para 47%.

Recorde de vendas na União Europeia

Entre janeiro e agosto venderam-se na UE 1,64 milhões de elétricos a bateria, mais 45% do que no mesmo período de 2025. A quota acumulada ficou nos 22%, seis pontos acima do ano anterior, e só em agosto chegou aos 28%. França e Alemanha concentraram perto de metade das vendas do bloco no primeiro semestre, com quotas mensais de 38% e 32% em agosto.

No segundo trimestre, pela primeira vez num trimestre completo, os BEV venderam mais na Europa do que os carros movidos apenas a gasolina.

Portugal Europa Carros elétricos. imagem ilustrativa gerada por IA
Portugal está no pelotão da frente da mobilidade elétrica europeia | imagem gerada por IA

Oferta de carros elétricos acessíveis duplica

Até ao fim do ano vão estar à venda 16 modelos com preço de partida abaixo dos 25.000 euros, o dobro do que existia há um ano. Quatro ficam abaixo dos 20.000 euros. Para 2028, a T&E conta com perto de 10 modelos nessa faixa, entre os quais o Renault Twingo, o Volkswagen ID.Up e propostas da Dacia.

A Stellantis aponta a sua família de citadinos elétricos aos 15.000 euros, com o regresso do Citroën 2CV já confirmado. Quase 40 modelos novos chegaram ao mercado no primeiro semestre e a organização espera 60 até dezembro, perto de quatro vezes a média de 15 por ano registada entre 2021 e 2025. Os fabricantes europeus asseguram quase 60% dos modelos disponíveis e juntaram 16 na primeira metade do ano, enquanto os chineses ficam com 21% e acrescentaram 11.

Nas faixas mais baixas, os carros a combustão continuam a ter mais escolha. Abaixo dos 30.000 euros há hoje quase três vezes mais modelos térmicos do que elétricos, e entre os 20.000 e os 25.000 euros a proporção sobe para 4,4 vezes. A T&E calcula que este fosso, nessa faixa intermédia, fique fechado em 2028.

Preço dos combustíveis empurra a procura

Desde o início da guerra no Irão, o gasóleo encareceu 38% e encher um depósito de 50 litros custa hoje mais 30 euros. A meados de setembro, segundo a T&E, conduzir um elétrico carregado em casa saía metade do preço de um carro a gasolina ou gasóleo, e o choque petrolífero já custou 53 mil milhões de euros aos condutores da UE.

O Volkswagen ID. Polo esgotou pouco depois do lançamento, com mais de 40.000 encomendas e uma lista de espera de dez meses. Para Lucien Mathieu, diretor para a área automóvel da T&E, os fabricantes queixaram-se durante anos de falta de procura sem razão: “A questão não era a procura, mas o que tinham para oferecer.”

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Em Portugal

Quase metade dos ligeiros de passageiros novos matriculados em Portugal em setembro foi 100% elétrica: 9.338 unidades, 47,7% do mercado, segundo a ACAP. De janeiro a setembro, a quota acumulada fixou-se nos 29,0%, acima dos 22% que a T&E regista para a UE entre janeiro e agosto.

Dois dos exemplos do relatório, o Renault 5 e o Leapmotor T03, estiveram entre os dez elétricos mais vendidos na Europa no primeiro semestre. Em Portugal, a Leapmotor matriculou 268 elétricos em setembro, mais 1.686,7% do que um ano antes.

A faixa de carro elétricos abaixo dos 20.000 euros já tem oferta no mercado português: o Dacia Spring Expression parte dos 17.900 euros e o Renault Twingo E-Tech evolution dos 19.490 euros, preços com IVA. Com bateria de 44 kWh, o Citroën ë-C3 Autonomia Conforto custa 23.650 euros.

Metas de 2030 em negociação

A meio do período de cumprimento de 2025 a 2027, os fabricantes já fecharam 75% da distância para a meta de CO2. Metade do mercado está em conformidade, incluindo a BMW, o grupo Mercedes-Volvo, a Stellantis, a Kia e o grupo Tesla-Ford, e a Renault está a menos de 1 gCO2/km do objetivo. A T&E espera que todos os construtores europeus cumpram até ao fim dos três anos.

Metas de CO2 · União Europeia
Quota de elétricos nas vendas de carros novos, consoante a regra que vingar
Projeção da T&E para a quota de BEV na UE em 2030 e 2035, com a proposta da Comissão Europeia e com a proposta do relator do PPE, Massimiliano Salini.
Proposta da Comissão Proposta Salini (PPE)
2030
Comissão Europeia
47%
Proposta Salini
22%
2035
Comissão Europeia
85%
Proposta Salini
39%
25
Pontos percentuais de diferença em 2030
Com a proposta Salini, a quota de BEV em 2030 ficaria nos 22%, o mesmo valor registado de janeiro a agosto de 2026.
Quota projetada de carros elétricos a bateria nas vendas de novos na UE, segundo a T&E, com a proposta da Comissão Europeia e com a proposta Salini (PPE)
AnoProposta da Comissão EuropeiaProposta Salini (PPE)
203047%22%
203585%39%
BEV: elétricos a bateria · Projeções T&E, EV progress report, outubro de 2026
Fonte: T&E · EVMag

Os colegisladores europeus votam este outono a revisão das metas seguintes, e em cima da mesa está a proposta do relator do PPE, o eurodeputado italiano Massimiliano Salini, que calcula a meta de 2030 em média ao longo de cinco anos, abre uma exceção para veículos movidos a combustíveis ditos elegíveis e congela a correção do fator de utilização dos híbridos plug-in.

Com essas regras, segundo a T&E, a quota de BEV ficaria parada nos 22% em 2030, contra os 47% da proposta da Comissão Europeia, e as vendas de modelos abaixo dos 25.000 euros cairiam quase três quartos; mesmo a proposta da Comissão as cortaria em mais de metade.

Fontes: Transport & Environment, comunicado de 5 de outubro de 2026; Transport & Environment, EV progress report, outubro de 2026; ACEA, matrículas na UE até agosto de 2026; ACAP, matrículas em Portugal, setembro de 2026; base de dados do EVMag, preços em Portugal com IVA.

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