A Tesla entregou 486.532 carros entre julho e setembro, menos 2,1% do que há um ano. Nos resultados da Tesla do terceiro trimestre, a marca atribui a quebra à falta de baterias e diz que tem mais encomendas do que consegue produzir.
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Baterias limitam as entregas da Tesla
“A disponibilidade de baterias continuou a ser o fator limitativo para aumentar os volumes automóveis no trimestre”, escreve a Tesla na carta aos acionistas. No mesmo documento, a empresa afirma ter terminado setembro com a maior carteira de encomendas de automóveis de passageiros dos últimos quatro anos.
Entre os projetos que a marca considera críticos está o aumento da capacidade de montagem de baterias na fábrica de Berlim, a par da produção de material de cátodo e da refinação de lítio no Texas.

A Tesla produziu 464.391 carros no trimestre, menos do que os que entregou. Nos primeiros nove meses do ano, as entregas somam 1.324.681 unidades, 8,8% acima do mesmo período de 2025.
Europa sustenta a recuperação
Para a Reuters, a surpresa do trimestre está no negócio automóvel tradicional, que volta a recuperar porque a subida dos combustíveis está a empurrar a procura de elétricos, sobretudo na Europa.
Os dados da ACEA publicados esta quinta-feira vão no mesmo sentido: em setembro, a Tesla matriculou 45.866 carros na União Europeia, mais 78,6% do que no mesmo mês de 2025, e soma 188.035 desde janeiro, com uma subida de 68,9% e 2,2% do mercado.
Vaibhav Taneja, diretor financeiro, disse na conferência com analistas que, pelos dados preliminares da marca, o Model Y foi o elétrico mais vendido na Europa no trimestre.
Em Portugal, foi o Model 3 a liderar em setembro: com 2.065 matrículas, ficou à frente de todos os modelos a gasolina, gasóleo ou híbridos.
Receitas da Tesla no terceiro trimestre
As receitas chegaram aos 28,05 mil milhões de dólares, praticamente iguais aos 28,10 mil milhões de um ano antes. Por dentro, a composição mudou: a faturação automóvel caiu 3%, para 20,56 mil milhões, a energia recuou 16%, para 2,88 mil milhões, e os serviços cresceram 33%, para 4,61 mil milhões, com o Supercharging, os seguros e os primeiros meses de Robotaxi a contribuir.
Com as despesas operacionais a subir de 3.430 para 4.776 milhões de dólares, puxadas pela investigação em inteligência artificial, chips e novos produtos, o lucro líquido desceu 43%, de 1.373 para 787 milhões. Em termos ajustados, o lucro por ação ficou nos 48 cêntimos, acima dos 45 esperados pelos analistas, e a margem bruta automóvel sem créditos regulatórios passou de 16,3% no segundo trimestre para 18,1%, graças a uma maior proporção de entregas na região Ásia-Pacífico.
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Tesla Assisted Driving na Europa
“A procura pelos nossos veículos está a crescer rapidamente. Está a exceder a nossa produção por uma margem significativa”, afirmou Elon Musk, presidente executivo da Tesla. Para Musk, o principal motor dessa procura é o software de condução assistida que nos Estados Unidos se chama FSD e que, na Europa, a Tesla passou a vender como Tesla Assisted Driving.
Como o EVMag noticiou, a troca de nome chegou aos sites europeus da marca no início de outubro, depois de o Ministério dos Transportes alemão ter considerado a designação FSD enganadora; foi a própria Tesla a propor a alternativa, e Berlim passou a apoiar a aprovação em toda a União
Na conferência com analistas, Musk disse que o sistema já está aprovado em vários países europeus e que conta com luz verde para toda a UE dentro de alguns meses, acrescentando que ficaria surpreendido se passasse do primeiro trimestre do próximo ano.
Enquanto a aprovação não chega, a Tesla está a vender alguns carros na Europa com benefícios, para alargar a frota antes de o sistema ser autorizado em todo o bloco, disse Taneja. O diretor financeiro não detalhou que benefícios são nem em que mercados se aplicam.
Cinco milhões de carros até 2030
A Tesla reviu em baixa o investimento previsto para este ano, de 25 para cerca de 20 mil milhões de dólares, e fechou o trimestre com 1,5 mil milhões de fluxo de caixa livre, quando os analistas esperavam um valor negativo próximo dos 5 mil milhões. Musk apontou uma meta de cinco milhões de veículos por ano por volta de 2030.
Para lá chegar, a marca pediu as licenças para ampliar a fábrica de Berlim, a única que tem na Europa.
Fontes: Tesla, carta aos acionistas do terceiro trimestre de 2026; SEC, formulário 8-K, anexo 99.1, 21 de outubro de 2026; ACEA, matrículas de setembro de 2026; Investing.com, transcrição da conferência com analistas; Reuters, análise de Abhirup Roy; Electrek, leitura da carta aos acionistas.




