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Fábrica de baterias da BYD pode nascer na antiga refinaria de Matosinhos

A proximidade da mina de lítio do Barroso é um dos fatores que podem trazer a fábrica de baterias para Matosinhos.

Os terrenos da antiga refinaria da Galp, em Matosinhos, estão entre as localizações que a BYD estuda para instalar em Portugal uma fábrica de baterias para automóveis elétricos. O projeto está “bastante bem encaminhado”, segundo uma fonte próxima do processo citada pelo Expresso.

Ouve o resumo do artigo:

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Resumo
Antiga refinaria de Matosinhos está na lista da BYD
Fonte próxima diz que o projeto está “bastante bem encaminhado”; a marca ainda não confirmou.
140 hectares da antiga refinaria sem destino definido
Dos 240 hectares, 100 passaram para o município, com polo da Universidade do Porto e parque verde.
Lítio do Barroso começa a sair em 2028
Proximidade à mina de Boticas, porto de Leixões e energia renovável pesam na escolha.
BYD quer uma fábrica de baterias na Europa
O plano a longo prazo inclui três fábricas de montagem; Szeged arranca a produção em série até dezembro.

Fábrica de baterias da BYD ainda sem números

Já houve vários contactos entre a fabricante chinesa, a AICEP e o Governo, de acordo com a mesma fonte. O Ministério da Economia e a agência de investimento acompanham o processo há algum tempo, mas nenhuma das partes revelou o valor do investimento, a capacidade de produção, o número de postos de trabalho ou um calendário.

A BYD não confirmou oficialmente o projeto.

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A BYD estuda Matosinhos para instalar a sua fábrica de baterias da Europa @BYD

À autarquia, ninguém bateu ainda à porta. “Um projeto muito bem-vindo”, disse Luísa Salgueiro, presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, que lamentou não ter sido informada e confirmou que o município não recebeu qualquer contacto formal.

Os 140 hectares sem destino

A antiga refinaria ocupava 240 hectares em Leça da Palmeira. Desses, 100 passaram para o município, que reservou 40 para um polo da Universidade do Porto e 20 para um parque verde; os restantes 140 continuam sem utilização definida.

Nenhuma das fontes indica quantos hectares a BYD pretende ocupar.

Lítio do Barroso chega em 2028

A proximidade à mina do Barroso, em Boticas, pesa na escolha. A Savannah Resources, concessionária da exploração, prevê começar a extrair lítio em 2028 e tem já comprador para cerca de um quarto do minério, segundo uma fonte próxima do processo. Está também em negociações avançadas com outros clientes, entre os quais compradores chineses, mas não confirmou nem desmentiu contactos com a BYD.

O porto de Leixões e as principais vias de comunicação completam o argumento logístico. Para a fonte ouvida pelo Expresso, Portugal tem outros trunfos: uma percentagem elevada de energia renovável, que melhora a pegada carbónica do investimento, e uma “razoável estabilidade política” quando comparado com França, Alemanha e Espanha, países que também estiveram na lista da empresa.

Pesa ainda o desempenho comercial da marca, que a mesma fonte classifica como “muito favorável”. Entre os condutores portugueses sem veículo eletrificado, a BYD passou a ser a marca preferida para o próximo elétrico, segundo o estudo do ACP noticiado pelo EVMag. Em 2025 reunia 4% das preferências. Em 2026 chegou aos 11%.

Governo fala em “diálogo frutuoso”

Em entrevista ao Jornal de Negócios esta semana, o ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, admitiu existir um “diálogo frutuoso” para a instalação em Portugal de uma fábrica de uma marca automóvel chinesa. Questionado pelo Expresso sobre um anúncio próximo, recusou acrescentar mais, sem desmentir a BYD nem Matosinhos.

O interesse não é novo. Em junho de 2025, o embaixador da China em Portugal, Zhao Bentang, já tinha falado em “ideias” de empresas como a BYD para investir no país.

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Três fábricas de montagem e uma de baterias na Europa

Um académico especialista no setor extrativo, também citado pelo Expresso, vê a unidade de Matosinhos como um hub ibérico capaz de abastecer uma futura fábrica de automóveis da BYD na península. Essa fábrica ainda não tem localização. Espanha e França são as opções preferidas para o segundo centro de montagem europeu, com decisão prevista até ao fim do ano, revelou em setembro Alfredo Altavilla, conselheiro especial da BYD para a Europa, numa apresentação em Turim.

“A longo prazo, vamos precisar de três fábricas de montagem e de uma fábrica de baterias”, afirmou Altavilla, citado pela Reuters. O conselheiro admitiu que não será coisa para acontecer de um dia para o outro, mas apontou essa rede como condição para atingir os volumes pretendidos e cumprir as regras europeias. A marca prefere comprar e recuperar uma fábrica existente a construir de raiz.

Por agora, só Szeged está a arrancar. A fábrica húngara iniciou a produção experimental em janeiro, com 960 trabalhadores, e a montagem em série está prevista para novembro ou dezembro, com o Dolphin Surf como primeiro modelo. Na Turquia, o projeto de mil milhões de dólares em Manisa, anunciado em 2024 para 150.000 veículos por ano, ficou suspenso em junho sem que a construção tivesse começado.

Sines já tem a CALB

Se avançar, a fábrica de baterias da BYD será o segundo investimento chinês do género em Portugal. A CALB lançou em fevereiro de 2025 o projeto de Sines, com 2.000 milhões de euros de investimento, 1.800 postos de trabalho diretos previstos e acesso a até 350 milhões de euros em apoios públicos.

A unidade terá capacidade para 15 GWh e deverá estar totalmente operacional em 2028, o mesmo ano em que o lítio do Barroso começa a sair da mina.

Fontes: Expresso, 5 de novembro de 2026; Reuters, declarações de Alfredo Altavilla; Automotive World, Szeged; electrive, suspensão de Manisa; Portugal Global, declarações de Zhao Bentang; Governo de Portugal, CALB Sines; Observador, apoios à CALB; EVMag: BYD ultrapassa Tesla como marca de sonho.

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