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Carros elétricos foram 19,3% das vendas na UE em janeiro

Em janeiro, um em cada cinco carros vendidos na União Europeia foi 100% elétrico.

As matrículas de automóveis novos na União Europeia recuaram 3,9% em janeiro de 2026 face ao mesmo mês do ano passado, num arranque de ano novamente em contraciclo para o mercado, mas com crescimentos expressivos nos carros elétricos a bateria e nos híbridos.​

Ouve o resumo do artigo:

Áudio gerado por IA

Elétricos ganham peso: quase um em cada cinco

Os automóveis 100% elétricos atingiram em janeiro uma quota de 19,3% do mercado da UE, acima dos 14,9% registados há um ano, o que traduz um aumento de 24,2% em termos de volume, para 154.230 unidades. A ACEA sublinha que este desempenho “realça o potencial de crescimento adicional” dos carros elétricos, mesmo num contexto macroeconómico menos favorável.​

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Os carros elétricos representaram quase 20% das vendas na União Europeia. Fonte ACEA

Apesar da boa prestação dos carros elétricos, o comportamento não foi homogéneo entre os principais mercados europeus. Em França as vendas de elétricos dispararam 52,1% e a Alemanha cresceu 23,8%, enquanto Bélgica (-11,5%) e Países Baixos (-35,4%) registaram quebras significativas neste tipo de propulsão.​

Híbridos lideram, plug‑in voltam a acelerar

Os híbridos não plug‑in consolidaram‑se como a escolha preferida dos compradores europeus, ao captarem 38,6% das novas matrículas na UE em janeiro, com 308.364 unidades e um crescimento de 6,2% face a 2025. Este resultado foi impulsionado, em particular, por Itália, onde as vendas de híbridos cresceram 24,9%, e por Espanha, com um aumento de 9%, enquanto França estabilizou e a Alemanha recuou 1,8%.​

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França foi o país em que as vendas de carros elétricos mais cresceu | imagem gerada por IA

Já os híbridos plug‑in (PHEV) voltaram a terreno claramente positivo, com uma subida de 28,7%, para 78.741 unidades, o que lhes garante 9,8% do mercado, contra 7,4% em janeiro do ano passado. Itália (+134,2%), Espanha (+66,7%) e Alemanha (+23%) estiveram entre os principais motores deste regresso ao crescimento, após um período de maior pressão regulatória e de incentivos menos generosos em alguns países.​

Gasolina e gasóleo em queda livre

O recuo do mercado na Europa em janeiro explica‑se pela forte quebra dos modelos a combustão. A venda de automóveis a gasolina sofreu uma descida de 28,2%, vendo a sua quota encolher para 22%, face aos 29,5% de janeiro de 2025.

Infografia gerada por IA

Os carros com motor a gasolina recuaram em toda a Europa, com França a destacar‑se pela negativa, ao cair 48,9%, seguida da Alemanha (-29,9%), Itália (-25,5%) e Espanha (-22,5%).​

O diesel manteve a tendência estrutural de queda, com um recuo de 22,3% e uma fatia de apenas 8,1% das novas matrículas, correspondente a 64.550 unidades.

A ACEA regista assim uma nova compressão da relevância do gasóleo na Europa, que se afasta rapidamente do papel dominante que teve na década passada.​

Portugal cresce acima da média e elétricos disparam

Portugal contrariou a contração do mercado europeu e registou em janeiro um crescimento de 16,1% nas matrículas de automóveis novos, para 16.839 unidades, face às 14.504 do mesmo mês de 2025.

O país apresenta também um desempenho particularmente forte na eletrificação, com os carros elétricos a subirem 33%, para 4.341 unidades, e uma taxa de crescimento ainda mais acentuada nos híbridos plug‑in, que avançam 24,2%, para 2.409 matrículas.​

Mercado automóvel: UE vs Portugal por tipo de motorização · Janeiro 2026
Estrutura de mercado por tecnologia (% de quota) e variação homóloga nas matrículas. Fonte: ACEA (dados provisórios).
BEV – 100% elétricos
zero emissões
Quota UE 27 19,3%
Quota Portugal 25,8%
Variação UE +24,2%
Variação PT +33,0%
PHEV – híbridos plug‑in
carregamento externo
Quota UE 27 9,8%
Quota Portugal 14,3%
Variação UE +28,7%
Variação PT +24,2%
HEV – híbridos (sem ficha)
eletrificação suave
Quota UE 27 38,6%
Quota Portugal 35,2%
Variação UE +6,2%
Variação PT +78,9%
Gasolina
combustão
Quota UE 27 22,0%
Quota Portugal 15,7%
Variação UE ‑28,2%
Variação PT ‑29,7%
Diesel
combustão
Quota UE 27 8,1%
Quota Portugal 4,3%
Variação UE ‑22,3%
Variação PT ‑34,0%
Outros (GLP, GNV, etc.)
Quota UE 27 4,2%
Quota Portugal ~9,0%
Variação UE ‑36,5%
Variação PT n.d.
Tipo de motorizaçãoUE 27
quota mercado
Portugal
quota mercado
Variação UE
matrículas 26 vs 25
Variação PT
matrículas 26 vs 25
BEV – 100% elétricos UE 27 19,3% Portugal 25,8% +24,2% +33,0%
PHEV – híbridos plug‑in UE 27 9,8% Portugal 14,3% +28,7% +24,2%
HEV – híbridos (sem ficha) UE 27 38,6% Portugal 35,2% +6,2% +78,9%
Gasolina UE 27 22,0% Portugal 15,7% ‑28,2% ‑29,7%
Diesel UE 27 8,1% Portugal 4,3% ‑22,3% ‑34,0%
Outros (GLP, GNV, etc.) UE 27 4,2% Portugal ~9,0% ‑36,5% n.d.
Notas: quota da UE baseada nas percentagens indicadas pela ACEA; quota de Portugal estimada a partir do mix de matrículas por tecnologia em janeiro de 2026.

Os híbridos não plug‑in quase duplicaram (+78,9%), para 5.924 unidades, reforçando a sua posição como uma das soluções preferidas pelos compradores portugueses num contexto de transição. Em contrapartida, as motorizações a gasolina e diesel continuaram a perder espaço: a gasolina recuou 29,7% (2.651 unidades) e o gasóleo caiu 34% (721 unidades).

Tesla e BYD com sortes diferentes

No recorte por construtor, o grupo Volkswagen voltou a colocar‑se na linha da frente, mantendo em janeiro a liderança na UE com 27,5% de quota e 219.708 matrículas, ainda que com uma ligeira quebra de 3,7% face ao mesmo mês do ano passado

A Stellantis, por seu lado, teve também um arranque de 2026 positivo, somando um crescimento de 9,1% para 145.750 unidades e uma fatia de 18,2%. Já o Renault Group começou o ano com perdas, ao recuar 16,7% para 75.243 matrículas.​

Entre os fabricantes mais associados à mobilidade elétrica, a fotografia de janeiro mostra uma Tesla e uma BYD em movimentos opostos.

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A Tesla cedeu ligeiramente terreno, com 7.187 matrículas e uma descida de 1,6% face a janeiro de 2025 que já tinha sido negativo. A marca mantém cerca de 0,9% de quota no conjunto da UE. Já a BYD assinou um salto raro num mercado maduro como o europeu, ao crescer 175,3% – de 5.079 para 13.982 unidades – o que lhe vale 1,7% de participação e a deixa cada vez mais próxima dos volumes da marca norte‑americana na região.

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