Com tarifa bi-horária noturna e carregamento doméstico, um familiar elétrico custa cerca de 25 euros por mês em energia, manutenção e impostos para percorrer 1.250 km. O mesmo perfil a gasolina tem um custo de 215 euros.
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O perfil do condutor português
Cerca de 15.100 km por ano. É o que o condutor português percorre em média, segundo dados da carVertical recolhidos entre janeiro e outubro de 2025 em 18 países europeus. São 1.250 km por mês, pouco mais de 40 km por dia. O trajeto habitual de quem usa o carro para trabalho, escola e alguma saída ao fim de semana. É este o perfil que serve de base aos cálculos que se seguem.
O carro de referência é um familiar elétrico com consumo real de 17 kWh por 100 km, o segmento mais vendido em Portugal em 2026. Do lado da combustão, o par equivalente é um familiar a gasolina com 7,5 litros de consumo médio.
Quanto custa carregar um elétrico por mês
A 1.250 km com 17 kWh de consumo, o elétrico precisa de 212,5 kWh por mês da tomada. Com bi-horário noturno a 0,09 euros por kWh, a fatura de energia fica nos 19 euros. Com tarifa simples ao preço médio de março de 2026, 0,157 euros por kWh: 33 euros.
Quem não tem carregamento em casa paga mais, mas continua abaixo da gasolina. Num posto público de corrente alternada lenta, a 0,40 euros por kWh: cerca de 85 euros mensais. Num posto rápido de corrente contínua, a 0,55 euros por kWh: 117 euros. São valores muito acima do carregamento noturno em casa, mas ainda assim inferiores ao custo mensal de abastecer a gasolina.

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Com 7,5 litros de consumo e gasolina 95 a 1,918 euros por litro nesta semana, o familiar a gasolina gasta 181 euros só em combustível. O gasóleo está nos 2,037 euros por litro, ultrapassando esta semana os 2 euros pela primeira vez desde 2022. Com 5,5 litros de consumo: 140 euros mensais.
Manutenção: a poupança que os condutores de combustão não esperam
A diferença na manutenção é onde muita gente se surpreende. Num carro a combustão há óleo para mudar a cada 10.000 a 15.000 km, filtros, pastilhas, correias. Num elétrico não existe nenhuma dessas intervenções. A Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos estima 50 a 100 euros de manutenção anual num BEV, contra 180 a 250 euros num equivalente a combustão.

A travagem regenerativa é parte da explicação: como o motor desacelera o carro ao soltar o acelerador, as pastilhas de travão quase não se desgastam. O que fica são os pneus e uma revisão anual do sistema elétrico. Em termos mensais, a diferença entre os dois perfis anda entre os 10 e os 15 euros a favor do elétrico.
IUC: mais 12 euros por mês que o elétrico não paga
Os veículos 100% elétricos estão isentos de IUC em 2026. Um familiar a gasolina de cilindrada média paga entre 120 e 180 euros por ano. Todos os anos, independentemente dos quilómetros.
Os totais: 25 euros vs. 211 euros por mês
Um carro elétrico carregado em casa com tarifa bi-horário noturno e 80% do carregamento gasta 19 euros de energia, 6 euros de manutenção, zero de IUC. Ao todo, são 25 euros por mês para andar 1.250 km.
Mais de 2.000 euros por ano em energia, manutenção e IUC.
Já no carro a gasolina falamos de 81 euros de combustível, 18 euros de manutenção, 12 euros de IUC. 211 euros.
A diferença é de 190 euros por mês, mais de 2.000 euros por ano. Estes valores mudam consoante o tarifário de cada casa, a percentagem de carregamento em postos públicos e os quilómetros anuais. O Simulador de Custos do EVMag recalcula tudo com os dados de cada condutor, incluindo o preço de compra dos dois veículos.
O ponto de equilíbrio
A diferença operacional de 190 euros por mês não inclui a diferença de compra. Um familiar elétrico novo custa tipicamente entre 6.000 e 12.000 euros mais do que o equivalente a combustão antes de incentivos.
Com um diferencial de 8.000 euros e uma poupança anual de 2.230 euros, o equilíbrio chega ao fim do terceiro ano e meio.
Com o Simulador de Custos do EVMag consegue-se calcular o ponto de equilíbrio com os dados reais de cada condutor, mostrando ainda o gasto acumulado a 4, 6 e 10 anos. O tarifário, os quilómetros anuais e o preço de cada modelo mudam o resultado de forma significativa.

Quem percorre menos de 8.000 km por ano sem carregamento doméstico vê a poupança anual em energia cair para menos de 900 euros, e o ponto de equilíbrio afasta-se para o nono ou décimo ano.
O apoio de 4.000 euros do Fundo Ambiental esgotou em poucas horas a 29 de dezembro de 2025. Um novo programa de incentivos foi anunciado com cerca de 20 milhões de euros. O novo aviso tinha abertura prevista para março de 2026, sem data confirmada à data deste artigo.
Já conheces?
Bateria, valor residual e painéis solares
A maioria dos modelos atuais já tem garantia de fábrica de 8 anos ou 160.000 km, com mínimo de 70% de capacidade. Em condições normais, esta é uma questão que não se coloca para quem percorre 1.250 km por mês. É possível que a bateria dure mais do que o ciclo de vida útil do carro.
Estudos de 2024 e 2025 apontam para uma desvalorização do elétrico em segunda mão comparável à do equivalente a combustão nos primeiros cinco anos. Durante muito tempo foi um dos principais argumentos contra a compra. Já não é. O mercado de carros elétricos usados está a ganhar tração em Portugal.
Quem tem painéis solares e carrega com produção própria durante o dia reduz o custo de energia para valores próximos de zero. A fatura operacional total fica abaixo dos 15 euros por mês. O Simulador de Custos do EVMag permite ajustar quilómetros, tarifário, perfil de carregamento e horizonte temporal.





