A Eslovénia autorizou o Tesla FSD Supervised nas suas estradas por reconhecimento da homologação neerlandesa, 28 dias antes da votação europeia que pode abrir os 27 mercados de uma só vez.
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Aprovação por reconhecimento, sem ensaios locais
A 10 de abril, o RDW, autoridade neerlandesa de veículos, emitiu a homologação provisória de tipo para o Tesla FSD Supervised, ao abrigo do artigo 39 do Regulamento 2018/858 e com derrogações face à norma UN R171. Foi a primeira decisão do género na União Europeia, tomada depois de mais de 18 meses de testes em pista e em estrada aberta.
O que se seguiu não foram novas homologações do Tesla FSD, foi reconhecimento mútuo. A Lituânia aceitou a certificação neerlandesa em maio, a Estónia poucos dias depois, e junho trouxe a Dinamarca e a Bélgica, todas sem avaliação técnica própria. A Eslovénia fecha agora a lista dos seis sem ter testado o sistema.

O anúncio partiu da própria Tesla, num post na rede social X republicado por Elon Musk: “FSD Supervised aprovado na Eslovénia. A implementação começa em breve.” O ministro esloveno da Energia e Infraestruturas, Jernej Vrtovec, republicou a mensagem com as palavras “A desenvolver a Eslovénia”, segundo a Reuters.
Faltam 15 países e 65% da população
A votação sobre a aprovação do Tesla FSD na União Europeia está marcada para 6 de outubro, no Comité Técnico para os Veículos a Motor (TCMV). Passa com maioria qualificada, o que significa pelo menos 15 dos 27 Estados-membros, representando 65% da população da União. Caso o comité aprove, a Comissão Europeia emite um ato de execução que estende a homologação neerlandesa aos 27 mercados.
Somados, os seis países que já autorizaram o sistema não chegam a 9% da população da União. Os cinco que aprovaram antes da Eslovénia valiam 8,9%, e a Eslovénia acrescenta pouco mais de dois milhões de habitantes. Sem a Alemanha, a França ou a Itália, que representam 18,5%, 15,3% e 13% da população europeia, o segundo limiar não se atinge.
Nada disto muda a classificação técnica do sistema. O Tesla FSD Supervised é um sistema de nível 2 na escala SAE, que conduz, muda de faixa e estaciona, mas mantém o condutor legalmente responsável pelo veículo a cada momento. Nem a decisão eslovena nem a votação de outubro transferem essa responsabilidade para a Tesla.
Os dois limiares que o Tesla FSD tem de vencer
A aprovação europeia exige maioria qualificada no Comité Técnico para os Veículos a Motor: pelo menos 15 dos 27 Estados-membros, que representem 65% da população da União. As barras mostram onde estão hoje as autorizações nacionais.
Países Baixos, Lituânia, Estónia, Dinamarca, Bélgica e Eslovénia.
Os cinco países aprovados antes da Eslovénia valiam 8,9% da população da União. A Eslovénia acrescenta pouco mais de dois milhões de habitantes.
O travão sueco chama-se Speed Offset
A Suécia não aprovou o Tesla FSD por causa do Speed Offset. Este é o nome da funcionalidade que permite ao condutor definir uma margem acima do limite legal de velocidade, que o sistema depois segue. Está no centro da objeção nórdica desde a primavera.
Numa carta datada de 30 de abril e dirigida ao TCMV, a Administração de Transportes sueca recomendou o voto contra. “Permitir que sistemas automatizados excedam sistematicamente os limites legais de velocidade compromete o quadro jurídico e os benefícios de segurança esperados da automação dos veículos”, lê-se no documento, citado pela Reuters.
Onde é que o Tesla FSD já é legal na União Europeia
Seis Estados-membros aceitaram a homologação provisória emitida pelo RDW neerlandês a 10 de abril. Somados, valem perto de 9% da população da União.
- Aprovado (6 países)
- Sem autorização, posição pública conhecida (2)
- Sem decisão nacional (19)
- 1Países Baixos10 de abril
- 2Lituâniamaio
- 3Estóniamaio
- 4Dinamarcajunho
- 5Bélgica10 de junho
- 6Eslovénia8 de setembro
A laranja, os dois países com posição já assumida: a Suécia recomendou por escrito o voto contra a 30 de abril, enquanto a funcionalidade Speed Offset não for retirada; a França não emitiu autorização nacional e testa dois veículos em estrada desde setembro.
Em junho, um porta-voz confirmou que a posição se mantinha e que o representante sueco no comité só votaria a favor com a funcionalidade retirada.
A França também não emitiu autorização nacional para o Tesla FSD. O ministro dos Transportes, Philippe Tabarot, levantou em julho objeções ligadas à velocidade e à monitorização da atenção do condutor em meio urbano, sobretudo em rotundas e mudanças de faixa. A 3 de setembro, a Reuters noticiou o arranque de testes em estrada com dois veículos equipados com FSD cedidos pela marca.
Os números que a Tesla pôs na mesa
A 1 de setembro, a Tesla Europa publicou um painel público com parte das provas que sustentaram a decisão do RDW. Nos cinco países onde o sistema estava então ativo, mais de 70.000 clientes percorriam mais de 1 milhão de quilómetros por dia, e ao longo de cerca de 100 milhões de quilómetros a marca aponta uma probabilidade de colisão 4,1 vezes menor do que em condução manual. Segundo a Reuters, os carros em FSD registaram três colisões em autoestrada e nove fora dela, contra 137 e 490 nos Tesla conduzidos manualmente.
A leitura desses números esbarra num problema de datas. A medição mais recente do painel é de 5 de dezembro de 2025, os dados de travagem automática de emergência param a 31 de outubro do mesmo ano e a distribuição de quilometragem cobre o ano civil de 2025, meses antes do período de abril a agosto de 2026 a que o rácio de 4,1 diz respeito.
Já conheces as ferramentas interativas EVMag?
Portugal continua fora da lista
Portugal continua sem divulgar uma posição oficial sobre o Tesla FSD. O configurador português apresenta o pacote em subscrição de 99 euros por mês, valor verificado pelo EVMag a 9 de setembro, com a ressalva de que “a condução automatizada total (Supervisionada) ainda não está disponível, mas poderá estar no futuro”.
A mesma página diz que a disponibilidade depende do desenvolvimento e da aprovação legal, e que as funcionalidades atualmente ativadas exigem supervisão ativa do condutor. Parte do pacote já opera em estradas portuguesas.
A lista associada ao pacote inclui Autosteer, cruise control adaptativo, mudança de faixa, navegação em Autosteer, Dumb Summon, Actually Smart Summon, estacionamento automático e controlo de semáforos e sinais de stop.
Fontes: Reuters, aprovação do FSD na Eslovénia, 8 de setembro de 2026; Automotive World, carta da Administração de Transportes sueca ao TCMV; Automotive World, análise ao painel de segurança da Tesla Europa; FSD Europe Tracker, estado das aprovações nacionais e calendário do TCMV; Eurostat via ECO, população da União Europeia a 1 de janeiro de 2026; The Next Web, enquadramento do reconhecimento mútuo; Tesla Portugal, configurador, consultado a 9 de setembro de 2026.




