O Salão Automóvel de Pequim abriu portas. Com 1.451 viaturas em exposição e 181 estreias mundiais, é o maior salão automóvel do mundo.
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Salão Automóvel de Pequim é capital da indústria
1.451 viaturas em exposição, 181 estreias mundiais, 380.000 metros quadrados em dois pavilhões em simultâneo. O Salão Automóvel de Pequim abriu ontem como o único grande salão automóvel do planeta a crescer enquanto Frankfurt encolhe, Tóquio se reduz e Detroit foi cancelado. Pequim já não é apenas a capital chinesa: é, durante dez dias, a capital da indústria automóvel.
O salão decorre entre 24 de abril e 3 de maio em Pequim, pela primeira vez em dois recintos a funcionar como um só, ligados por um eixo de 1,3 quilómetros entre o Shunyi Hall e o novo Capital International Exhibition Convention Center.
Os números oficiais foram revelados pela organização do Salão Automóvel de Pequim nos dias que antecederam a abertura: 2.000 empresas de 21 países, 1.451 viaturas, 181 estreias mundiais, 71 concept cars e uma área de 380.000 metros quadrados, o que faz desta edição a maior exposição automóvel alguma vez realizada em qualquer parte do mundo.
Pequim recebe 181 estreias mundiais
De 24 de abril a 3 de maio, o Salão Automóvel de Pequim reúne uma escala inédita de fabricantes, fornecedores e tecnologia.
Para enquadrar a dimensão, basta cruzar com os outros grandes salões. O IAA de Munique de 2025 ocupou 260.000 metros quadrados. O Salão de Paris de 2024 ficou abaixo dessa marca. Detroit, em tempos referência da indústria, foi cancelado em 2026. Tóquio reduziu-se. Genebra, depois de várias edições falhadas, encerrou definitivamente em 2024.
O maior mercado mundial
O contraste foi reconhecido pelo próprio setor chinês. Cui Dongshu, secretário-geral da China Passenger Car Association, afirmou que os salões automóveis europeus, americanos, japoneses e sul-coreanos estão a reduzir escala ou a ser cancelados, e que Pequim 2026 é o único grande salão automóvel mundial em expansão.

A China é hoje o maior mercado automóvel mundial e o maior mercado de veículos elétricos por margens largas. Em volume de unidades vendidas, em ritmo de inovação tecnológica e em capacidade industrial, é o ponto onde se decide o que se passa no resto do planeta.
E isso vê-se na quantidade de fabricantes que se desloca ao Salão Automóvel de Pequim para apresentar produto: 212 conferências de imprensa só nos dois primeiros dias.
Europeus já não vendem o que projetaram em casa
Volkswagen, BMW, Mercedes e Audi chegaram a Pequim com uma estratégia que tem nome: in China, for China. Não é marketing. É um modelo industrial que admite, na prática, que os produtos pensados na Europa já não chegam para competir no mercado chinês.

A Volkswagen revelou na noite anterior à abertura, na Group Night de 21 de abril, quatro estreias mundiais. A ID. UNYX 09 foi desenvolvida em conjunto com a Xpeng em apenas 24 meses; a ID. AURA T6 nasceu na joint venture FAW-Volkswagen sobre a nova arquitetura eletrónica chinesa CEA, com sistema ADAS da Carizon; a JETTA X é um show car elétrico para o segmento de entrada; e a Audi E7X é o segundo modelo da marca AUDI exclusiva da China. O grupo lança 20 modelos eletrificados na China em 2026 e prevê chegar a 50 até 2030.
Já conheces?
A BMW estreou no Salão Automóvel de Pequim, em primeira mão mundial, a iX3 50L, uma versão exclusiva para mercado chinês com 108 milímetros de distância entre eixos suplementares e sistema de condução assistida desenvolvido em parceria com a Momenta.
A Mercedes foi mais longe: levou a Pequim quatro estreias, encabeçadas pela GLC L elétrica, o primeiro GLC totalmente elétrico, com 3.027 mm de distância entre eixos, suspensão pneumática AIRMATIC e direção no eixo traseiro com 4,5 graus de variação. Inclui um assistente de voz que reconhece cantonês e o dialeto de Sichuan.
Para o novo Classe S, a Mercedes anunciou um Vision Language Model desenvolvido em parceria com a Universidade de Tsinghua que automatiza definições da cabina traseira por reconhecimento facial e gestual.

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O paradigma chinês: tudo grande, tudo carregado depressa
Do lado chinês, a estratégia é vertical: produtos cada vez maiores, baterias cada vez mais densas e tempos de carga cada vez mais curtos.
No Salão Automóvel de Pequim, A BYD – que é o maior construtor chinês – abriu pré-vendas do novo Great Tang EV, um SUV emblema da rede Dynasty com 950 km de autonomia em ciclo CLTC, 0 a 100 km/h em 3,9 segundos, arquitetura de 1000V, sistema flash charging a 10C com corrente de carga de 1.000 amperes e preços a começar nos 36.200 dólares. A nova geração do Atto 3 chega com 240 kW (326 cv), 630 km de autonomia, sistema flash charging e condução assistida DiPilot 300 com LiDAR.

A Fang Cheng Bao, submarca da BYD, apresentou o Formula X, um descapotável com carroçaria em fibra de carbono, e a Denza, marca premium do mesmo grupo, mostrou a versão descapotável do Z, com debute global marcado para o festival de Goodwood, em julho.
A Xpeng, a Nio, a Li Auto, a Xiaomi, a Leapmotor e a Huawei, através da aliança HIMA, expuseram cada uma o seu lote de novos modelos elétricos, a maioria SUV e berlinas com mais de cinco metros e baterias acima dos 100 kWh.
A nova moeda de troca: tecnologia local
O Salão Automóvel de Pequim deste ano expôs uma realidade que vai além dos carros. O iX3 com distância entre eixos alongada usa sistema de condução assistida desenvolvido com a Momenta. A Audi E7X usa células CATL. A nova A6L combustão estreia o sistema Qiankun de condução autónoma da Huawei.
Hyundai relançou a marca Ioniq na China com integração simultânea da Momenta para condução autónoma, da Qualcomm nos chips de cabina, da CATL nas baterias, do modelo Wenxin da Baidu e do Volcano Engine da ByteDance.
Os fabricantes ocidentais deixaram de tratar os parceiros chineses como fornecedores. Tratam-nos como cocriadores.
A própria Volkswagen apresentou em Pequim o roteiro Agentic AI for All, com agentes de inteligência artificial integrados nos veículos baseados na arquitetura eletrónica chinesa CEA a partir do segundo semestre de 2026.
“Os preços globais na indústria automóvel passaram a ser ditados por um único padrão, e esse padrão é o da China.”
Stefan Hartung Presidente do conselho executivo, Bosch
Stefan Hartung, presidente do conselho executivo da Bosch, disse-o sem rodeios há uma semana, numa conferência de imprensa do fornecedor alemão: “os preços globais na indústria automóvel passaram a ser ditados por um único padrão, e esse padrão é o da China”.
Salão Automóvel de Pequim 2026 em números
O Salão Automóvel de Pequim prolonga-se até 3 de maio com três fases definidas: dias de imprensa a 24 e 25 de abril, dias para profissionais a 26 e 27 de abril, e abertura ao público entre 28 de abril e 3 de maio.
Está dividido por 17 pavilhões, 13 ocupados pelos fabricantes de automóveis e os restantes quatro reservados a fornecedores e empresas de tecnologia.
A próxima edição do Auto China só acontecerá em 2028, em Xangai, no esquema de rotatividade bienal entre as duas cidades.






