Carro elétrico com o símbolo da TAPSi em Coimbra Carro elétrico com o símbolo da TAPSi em Coimbra

TAPSi prepara expansão do TVDE 100% elétrico para fora de Coimbra

A TAPSi é a plataforma TVDE que nasceu em Coimbra no final de 2025 e conta com 200 motoristas e 5.000 utilizadores na cidade.

A TAPSi vai expandir-se para lá de Coimbra. A plataforma portuguesa de TVDE, 100% elétrica desde o primeiro dia, prepara a expansão a outras cidades portuguesas, adiantou o CEO ao EVMag.

Ouve o resumo do artigo:


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Resumo
A TAPSi expande-se a novas cidades
Opera só em Coimbra desde o final de 2025 e prepara a entrada noutras cidades portuguesas, sem deixar a cidade onde nasceu.
100% elétrico a bateria desde o primeiro dia
A plataforma só admite veículos elétricos, sem qualquer carro a combustão.
Duas semanas sem comissão no arranque
Num mercado em que as plataformas dominantes cobram entre 20% e 25% por viagem.
Cerca de 45% do TVDE é elétrico em Portugal
A TAPSi opera nos 100%, à frente da média do setor, segundo dados do IMT.

A expansão para fora de Coimbra

Por enquanto, a TAPSi opera apenas em Coimbra, a cidade onde nasceu e que serviu de terreno de ensaio. O CEO, Rui Nuno Castro, chama-lhe “um laboratório vivo”, com “dimensão certa para testar tecnologia e modelo”.

A expansão para outras cidades portuguesas será anunciada “em breve”, revela em primeira mão ao EVMag, sem dizer ainda quais, e com a regra a viajar com a empresa: “100% elétrico em todo o lado para onde formos”.

A expansão é o terceiro de três objetivos que Castro traça. Antes dela vêm consolidar a operação em Coimbra e provar que um modelo urbano totalmente elétrico é viável. “Não queremos ser a maior plataforma. Queremos ser a plataforma que prova que se pode fazer melhor”, afirma.

Elétrico desde o primeiro dia

Desde o arranque, no final de 2025, a TAPSi só admite veículos 100% elétricos a bateria, sem qualquer carro a combustão. Para Castro, é também uma exigência técnica: “uma plataforma 100% elétrica não pode falhar tecnicamente, porque é precisamente isso que nos distingue”.

A regra não admite exceções.

Carro elétrico com o símbolo da TAPSi em Coimbra
A TAPSi só aceita carros elétricos na sua plataforma, que tem já 5.000 utilizadores ativos em Coimbra @TAPSi

“Contamos com mais de 200 motoristas registados na plataforma, todos a operar veículos elétricos. A composição exata da frota é informação dos operadores nossos parceiros, mas o critério é nosso e é inegociável”, afirma Castro.

Como se distingue das plataformas globais

Castro coloca a TAPSi no mesmo enquadramento legal das rivais e distingue-a pela frota. “A Uber e a Bolt mantêm frotas maioritariamente a combustão e planos de eletrificação faseada até 2030. A TAPSi opera com 100% de veículos elétricos desde o primeiro dia”, afirma. “Não temos uma transição para gerir, porque nascemos já no ponto de chegada.”

Os outros pontos são a origem e a relação com os motoristas. A tecnologia foi concebida em Portugal. “Não somos uma operação local de uma multinacional; somos uma empresa portuguesa que está a construir um modelo a partir de Coimbra”, resume Castro.


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Duas semanas sem comissão

A TAPSi arranca com uma isenção total de comissão nas duas primeiras semanas, num mercado em que as plataformas dominantes cobram entre 20% e 25% por viagem.

Rui Nuno Castro diz querer uma relação mais próxima com motoristas e operadores, com tarifas premium que, defende, se traduzem em maior rendimento por viagem para quem conduz. A isenção vale apenas para o arranque.

O que é a TAPSi e quem a financia

A empresa nasceu de um grupo de doutorandos da Universidade de Coimbra e está incubada na inCoimbra StartUp HUB, com tecnologia concebida em Portugal. Opera com a licença 334/2025 do IMT e conta hoje com mais de 5.000 utilizadores registados na cidade.

TAPSi infografia

Infografia gerada por IA

A nova fase assenta numa ronda de investimento recentemente concluída, liderada por um family office com sede em Chester, no Reino Unido, e com investidores ligados ao setor tecnológico português. O montante não foi divulgado. Segundo Rui Nuno Castro, o encaixe serve para reforçar a estrutura da empresa e acelerar o desenvolvimento da tecnologia.

O reforço de capital coincidiu com a nomeação de Castro para CEO. Engenheiro informático, com uma pós-graduação em Marketing e Inovação pela Católica Lisbon Business & Economics, dirige também a inCoimbra StartUp HUB, a incubadora onde a TAPSi nasceu e continua sediada.

O TVDE elétrico ainda vai a meio

Os dados ajudam a situar a aposta. Em março de 2025, os veículos eletrificados eram 33% da frota TVDE ativa, segundo o IMT. Um ano depois, o regulador colocava-os perto de metade. O valor soma híbridos e elétricos. A plataforma de partilha de dados do IMT, criada com a Uber e a Bolt, contabilizava cerca de 40 mil condutores de TVDE ativos em março de 2026, mais 6% do que um ano antes.

Olhado só o elétrico a bateria, a fatia é menor. O acordo de TVDE assinado em março entre a câmara de Lisboa, a Uber e a Bolt aponta cerca de 43% de veículos elétricos no setor. A própria TAPSi, na leitura que faz dos dados do IMT, separa 45% de elétricos, 49% de carros a combustão e 6% de híbridos.

A empresa junta ainda uma estimativa ilustrativa do peso ambiental do setor. Assumindo a proporção de frota a combustão indicada pelo IMT, uma distância média de 6 km por viagem e cerca de 120 g de CO2 por quilómetro, a TAPSi calcula mais de uma centena de toneladas de CO2 emitidas por dia pela componente não elétrica do TVDE. O número é da própria empresa e parte destes pressupostos.

As duas maiores plataformas em Portugal seguem caminho mais lento. No acordo com Lisboa, a Uber e a Bolt comprometeram-se a chegar a 60% de frota elétrica até ao final de 2026 e a 100% em 2030.

A entrevista na íntegra

Rui Nuno Castro · Entrevista
A entrevista completa
P
A frota da TAPSi é 100% elétrica. De quantos carros estamos a falar?
RNC
Uma nota de enquadramento importante: no quadro legal português, a TAPSi é uma plataforma eletrónica de TVDE, licenciada pelo IMT (licença 334/2025), e não opera diretamente nenhuma frota. Os veículos pertencem aos operadores TVDE com quem trabalhamos, que são empresas independentes. O que a TAPSi faz, e este é o ponto central do nosso reposicionamento, é definir o critério de elegibilidade da plataforma: a partir de agora, só veículos 100% elétricos a bateria, sem qualquer veículo a combustão. Em termos de escala atual, contamos com mais de 200 motoristas registados na plataforma, todos a operar veículos elétricos. A composição exata da frota é informação dos operadores nossos parceiros, mas o critério é nosso e é inegociável.
P
Qual o âmbito geográfico da TAPSi?
RNC
A TAPSi opera atualmente na cidade de Coimbra, onde nascemos e onde estamos a consolidar a operação. Coimbra tem sido para nós um laboratório vivo: dimensão certa para testar tecnologia e modelo, com uma comunidade académica forte e crescente presença de veículos elétricos no setor TVDE local. E posso adiantar-lhe, em primeira mão, que estamos prestes a anunciar a expansão para novas cidades portuguesas, mantendo intacto o princípio com que nascemos: 100% elétrico em todo o lado para onde formos. Os detalhes serão partilhados em breve.
P
A TAPSi compara-se à Uber e à Bolt? Quais são as diferenças?
RNC
Comparamo-nos no que somos: uma plataforma TVDE licenciada pelo IMT, em Portugal, a operar legalmente no mesmo enquadramento. Distinguimo-nos em três pontos concretos. Primeiro, na frota. A Uber e a Bolt mantêm frotas maioritariamente a combustão e planos de eletrificação faseada até 2030. A TAPSi opera com 100% de veículos elétricos desde o primeiro dia. Não temos uma transição para gerir, porque nascemos já no ponto de chegada. Segundo, na origem. A TAPSi é uma plataforma portuguesa, criada por estudantes de doutoramento da Universidade de Coimbra, incubada na inCoimbra StartUp HUB, com tecnologia integralmente concebida em Portugal. Não somos uma operação local de uma multinacional; somos uma empresa portuguesa que está a construir um modelo a partir de Coimbra. Terceiro, na relação com motoristas e operadores. Queremos uma relação mais próxima, mais transparente, com tarifas premium que se traduzem em maior rendimento por viagem para quem conduz, e com proximidade real a quem está no terreno. É um modelo que só conseguimos manter se crescermos de forma sustentada.
P
Quais são os objetivos da TAPSi?
RNC
Temos três objetivos articulados. O primeiro é consolidar a operação em Coimbra com a qualidade e a robustez que o nosso posicionamento exige: uma plataforma 100% elétrica não pode falhar tecnicamente, porque é precisamente isso que nos distingue. O segundo é demonstrar que é possível operar mobilidade urbana em Portugal com um modelo totalmente elétrico, viável economicamente, justo para motoristas e operadores, e útil para as cidades. O terceiro é, a partir desta base sólida, expandir progressivamente para outras cidades portuguesas, mantendo intactos os princípios com que nascemos: 100% elétrico, tecnologia portuguesa, proximidade com quem trabalha connosco. Não queremos ser a maior plataforma. Queremos ser a plataforma que prova que se pode fazer melhor.
P
A TAPSi nasceu da incubadora da Universidade de Coimbra, qual é neste momento a situação da startup?
RNC
A TAPSi é hoje uma empresa licenciada pelo IMT como operadora de plataforma eletrónica de TVDE (licença 334/2025), com operação real e em crescimento na cidade de Coimbra. Contamos com mais de 200 motoristas registados na plataforma e mais de 5000 utilizadores registados, e concluímos recentemente uma ronda de investimento, com a entrada de novos investidores ligados ao ecossistema tecnológico português e liderada por um family office com sede em Chester (UK). Esse investimento permitiu-nos reforçar a estrutura da empresa, acelerar o desenvolvimento da tecnologia e preparar este reposicionamento estratégico. Mantemos uma ligação forte à comunidade académica de onde nascemos, e continuamos incubados na inCoimbra StartUp HUB.

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