Os condutores de carros elétricos na Alemanha, na Áustria e na Suíça nunca estiveram tão dispostos a recomendar o próprio carro. No estudo anual da USCALE, divulgado esta semana, a satisfação com carros elétricos subiu pelo terceiro ano seguido e fixou-se no valor mais alto da série.
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Satisfação com carros elétricos sobe pela terceira vez
A empresa de estudos de mercado de Estugarda mede a recomendação através do Net Promoter Score (NPS), que subtrai a percentagem de detratores, quem responde entre 0 e 6, à de promotores, quem dá 9 ou 10. Em 2023, o indicador ficou nos 18 pontos. Um ano depois chegou aos 24, e em 2025 fechou nos 33.
O EV Satisfaction Study 2026 regista agora 38 pontos.

Dos 4.004 inquiridos, 53% recomendariam ativamente o carro que conduzem e 15% desaconselhariam a compra, ficando os restantes 32% numa posição neutra. A amostra inclui apenas proprietários de automóveis 100% elétricos.
Autonomia e carregamento melhoram, as exigências também
Os carros nas mãos dos clientes vão mais longe. Em 2023, só 27% dos inquiridos diziam conduzir um elétrico com 400 km ou mais de autonomia real no verão. Este ano, são 59%, nove pontos acima de 2025.
No carregamento rápido, a evolução é mais lenta mas parte de uma base mais alta: 77% dos condutores indicam uma potência máxima DC de 150 kW ou superior, quando no ano passado eram 75% e em 2023 não passavam de 45%.
A régua dos utilizadores subiu ao mesmo tempo. Uma autonomia real de 400 km no verão é boa ou muito boa para 75% dos inquiridos, contra 79% em 2025, e só 15% a classificam como muito boa, metade da proporção registada em 2023. Em 2025, 65% aprovavam 150 kW de potência de carregamento. Em 2026, a aprovação ficou pelos 58%.
Carregamento e software no topo das queixas
Sete em cada dez inquiridos (71%) relatam problemas ao carregar, uma proporção quase igual à de 2025 (73%). As falhas mais referidas são a dificuldade em iniciar a sessão e uma potência de carregamento abaixo do esperado. A pesquisa de postos no sistema de navegação também sai mal na avaliação: apenas 43% a consideram bem resolvida, e 56% veem margem para melhorar.
Quase metade dos condutores (48%) teve problemas com a aplicação ligada ao carro. Entre marcas, a distância é enorme. Na Tesla, só 8% dos condutores referem falhas na aplicação, enquanto na Opel a percentagem sobe para 92%.
Quando se pergunta onde devem os fabricantes melhorar, a qualidade do software aparece em primeiro, com 44% das respostas, à frente da potência de carregamento (42%), da aplicação (39%), do planeamento de rotas (35%) e da autonomia (34%).
Autonomia, consumo e potência de carregamento recolhem menos críticas do que em 2025; o software, mais. “A concorrência vai decidir-se no software, na conectividade e numa experiência de carregamento sem falhas”, afirmou Axel Sprenger, fundador e diretor-geral da USCALE.
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Avisos sonoros incomodam metade
Os sons de aviso e de notificação tornaram-se uma nova fonte de irritação, com metade dos inquiridos a dizer-se incomodada.
Para a USCALE, a variação entre marcas mostra que se trata de uma opção de design e não de uma necessidade técnica: o incómodo atinge 29% dos condutores de Mini e cerca de 80% dos de Kia e Hyundai. Só os alertas dos sistemas de assistência à condução incomodam 30% da amostra.
XPENG lidera, Opel fecha a tabela
A XPENG mantém o primeiro lugar, com 82% de promotores, e destaca-se na potência de carregamento, na gestão de carregamento e na autonomia.
Sexta classificada em 2025, a Tesla regressa ao segundo posto com 79%, apesar de mais de metade dos seus condutores criticar a potência de carregamento. Skoda e Porsche somam ambas 67% e completam os quatro primeiros lugares.
| Marca | Promotores (nota 9 a 10) | Detratores (nota 0 a 6) |
|---|---|---|
| Todas as marcas | 53% | 15% |
| XPENG | 82% | não indicado |
| Tesla | 79% | 6% |
| Skoda | 67% | 7% |
| Porsche | 67% | 9% |
| Hyundai | 63% | 8% |
| BMW | 63% | 6% |
| Kia | 61% | 10% |
| Polestar | 58% | 7% |
| Mercedes | 54% | 13% |
| Ford | 51% | 19% |
| BYD | 47% | 9% |
| Volkswagen | 46% | 14% |
| Leapmotor | 46% | 7% |
| Renault | 44% | 21% |
| Cupra | 38% | 19% |
| Volvo | 37% | 19% |
| Smart | 37% | 26% |
| Audi | 37% | 31% |
| MG | 30% | 29% |
| Fiat | 24% | 30% |
| Opel | 19% | 50% |
Entre as marcas chinesas, o retrato é desigual. A BYD (47% de promotores) e a estreante Leapmotor (46%) ficam a meio da tabela, enquanto a Smart (37%) e a MG (30%) surgem nas posições de baixo.
Vários modelos recentes explicam subidas na tabela. Face ao Enyaq, o Skoda Elroq melhora em quase todas as áreas; a plataforma MMA dá à Mercedes ganhos de autonomia, consumo e carregamento com o CLA e o GLB, embora o software e a qualidade de construção dos novos modelos recolham mais críticas.
Na Ford, o Explorer supera o Mustang Mach-E na maioria das categorias, e na Audi o A6 e o Q6 e-tron trazem melhorias claras em autonomia e potência de carregamento. A BMW Neue Klasse, à venda desde meados de 2026, ainda não entrou no inquérito.
No fundo da tabela voltam a estar duas marcas da Stellantis, acompanhadas pela MG. A Fiat soma 24% de promotores e mantém o consumo baixo como ponto forte. A Opel não passa dos 19%, com metade dos condutores a responder entre 0 e 6, e acumula críticas na gestão de carregamento, no software e na usabilidade.
Uma amostra de condutores exigentes
O inquérito decorreu online em junho e julho de 2026 e abrangeu apenas carros com três anos ou menos. Os participantes foram recrutados nas redes sociais, e a própria USCALE reconhece que não representam o condutor médio: prestam mais atenção aos detalhes, valorizam mais as boas soluções e criticam mais as más.
O estudo não inclui condutores portugueses. Esta é a sétima edição do EV Satisfaction Study.
Fontes: USCALE, comunicado de imprensa do EV Satisfaction Study 2026, 20 de outubro de 2026; USCALE, press handout, gráficos do estudo.




