um jovem com evidente satisfação junto a um Xpeng. imagem gerada por IA um jovem com evidente satisfação junto a um Xpeng. imagem gerada por IA

Satisfação com carros elétricos bate recorde, mas carregamento tem nota negativa

O software continua a ser o fator determinante na satisfação dos condutores.

Os condutores de carros elétricos na Alemanha, na Áustria e na Suíça nunca estiveram tão dispostos a recomendar o próprio carro. No estudo anual da USCALE, divulgado esta semana, a satisfação com carros elétricos subiu pelo terceiro ano seguido e fixou-se no valor mais alto da série.

Ouve o resumo do artigo:

Satisfação carros elétricos

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Resumo
Recomendação dos elétricos atinge 38 pontos, o máximo da série
Terceira subida seguida no inquérito a 4.004 condutores na Alemanha, Áustria e Suíça.
Autonomia real de verão de 400 km ou mais para 59%
Em 2023 eram 27%. A exigência também sobe: só 75% acham 400 km bons ou muito bons.
Software lidera a lista de melhorias pedidas aos fabricantes
É apontado por 44%, e 48% dos condutores tiveram problemas com a aplicação do carro.
XPENG e Tesla lideram, Opel fecha a tabela
Têm 82% e 79% de promotores; a Opel fica nos 19%, com 92% a relatar falhas na aplicação.

Satisfação com carros elétricos sobe pela terceira vez

A empresa de estudos de mercado de Estugarda mede a recomendação através do Net Promoter Score (NPS), que subtrai a percentagem de detratores, quem responde entre 0 e 6, à de promotores, quem dá 9 ou 10. Em 2023, o indicador ficou nos 18 pontos. Um ano depois chegou aos 24, e em 2025 fechou nos 33.

O EV Satisfaction Study 2026 regista agora 38 pontos.

um jovem com evidente satisfação junto a um Xpeng. imagem gerada por IA
Os condutores estão satisfeitos com os carros elétricos, mas o software é o fator decisivo | imagem gerada por IA

Dos 4.004 inquiridos, 53% recomendariam ativamente o carro que conduzem e 15% desaconselhariam a compra, ficando os restantes 32% numa posição neutra. A amostra inclui apenas proprietários de automóveis 100% elétricos.

Autonomia e carregamento melhoram, as exigências também

Os carros nas mãos dos clientes vão mais longe. Em 2023, só 27% dos inquiridos diziam conduzir um elétrico com 400 km ou mais de autonomia real no verão. Este ano, são 59%, nove pontos acima de 2025.

No carregamento rápido, a evolução é mais lenta mas parte de uma base mais alta: 77% dos condutores indicam uma potência máxima DC de 150 kW ou superior, quando no ano passado eram 75% e em 2023 não passavam de 45%.

A régua dos utilizadores subiu ao mesmo tempo. Uma autonomia real de 400 km no verão é boa ou muito boa para 75% dos inquiridos, contra 79% em 2025, e só 15% a classificam como muito boa, metade da proporção registada em 2023. Em 2025, 65% aprovavam 150 kW de potência de carregamento. Em 2026, a aprovação ficou pelos 58%.

Carregamento e software no topo das queixas

Sete em cada dez inquiridos (71%) relatam problemas ao carregar, uma proporção quase igual à de 2025 (73%). As falhas mais referidas são a dificuldade em iniciar a sessão e uma potência de carregamento abaixo do esperado. A pesquisa de postos no sistema de navegação também sai mal na avaliação: apenas 43% a consideram bem resolvida, e 56% veem margem para melhorar.

Quase metade dos condutores (48%) teve problemas com a aplicação ligada ao carro. Entre marcas, a distância é enorme. Na Tesla, só 8% dos condutores referem falhas na aplicação, enquanto na Opel a percentagem sobe para 92%.

Quando se pergunta onde devem os fabricantes melhorar, a qualidade do software aparece em primeiro, com 44% das respostas, à frente da potência de carregamento (42%), da aplicação (39%), do planeamento de rotas (35%) e da autonomia (34%).

Autonomia, consumo e potência de carregamento recolhem menos críticas do que em 2025; o software, mais. “A concorrência vai decidir-se no software, na conectividade e numa experiência de carregamento sem falhas”, afirmou Axel Sprenger, fundador e diretor-geral da USCALE.

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Avisos sonoros incomodam metade

Os sons de aviso e de notificação tornaram-se uma nova fonte de irritação, com metade dos inquiridos a dizer-se incomodada.

Para a USCALE, a variação entre marcas mostra que se trata de uma opção de design e não de uma necessidade técnica: o incómodo atinge 29% dos condutores de Mini e cerca de 80% dos de Kia e Hyundai. Só os alertas dos sistemas de assistência à condução incomodam 30% da amostra.

XPENG lidera, Opel fecha a tabela

A XPENG mantém o primeiro lugar, com 82% de promotores, e destaca-se na potência de carregamento, na gestão de carregamento e na autonomia.

Sexta classificada em 2025, a Tesla regressa ao segundo posto com 79%, apesar de mais de metade dos seus condutores criticar a potência de carregamento. Skoda e Porsche somam ambas 67% e completam os quatro primeiros lugares.

Recomendação por marca, EV Satisfaction Study 2026
EV Satisfaction Study 2026 · Alemanha, Áustria e Suíça
XPENG e Tesla lideram a recomendação, Opel fecha a tabela
Percentagem de condutores que recomendariam a marca do seu elétrico (nota 9 ou 10) e que a desaconselhariam (nota 0 a 6). Inquérito a 4.004 condutores, junho e julho de 2026.
Promotores Detratores Neutros (7 e 8) não representados
Todas as marcas−15%53%
XPENGn.d.82%
Tesla−6%79%
Skoda−7%67%
Porsche−9%67%
Hyundai−8%63%
BMW−6%63%
Kia−10%61%
Polestar−7%58%
Mercedes−13%54%
Ford−19%51%
BYD−9%47%
Volkswagen−14%46%
Leapmotor−7%46%
Renault−21%44%
Cupra−19%38%
Volvo−19%37%
Smart−26%37%
Audi−31%37%
MG−29%30%
Fiat−30%24%
Opel−50%19%
38
Pontos de NPS em 2026, o valor mais alto da série
Resultam de 53% de promotores menos 15% de detratores. Em 2023, o indicador ficava nos 18 pontos.
Promotores e detratores por marca de carro elétrico, EV Satisfaction Study 2026 da USCALE, Alemanha, Áustria e Suíça
MarcaPromotores (nota 9 a 10)Detratores (nota 0 a 6)
Todas as marcas53%15%
XPENG82%não indicado
Tesla79%6%
Skoda67%7%
Porsche67%9%
Hyundai63%8%
BMW63%6%
Kia61%10%
Polestar58%7%
Mercedes54%13%
Ford51%19%
BYD47%9%
Volkswagen46%14%
Leapmotor46%7%
Renault44%21%
Cupra38%19%
Volvo37%19%
Smart37%26%
Audi37%31%
MG30%29%
Fiat24%30%
Opel19%50%
NPS: Net Promoter Score · Escala de 0 a 10 · n.d.: valor não indicado pela USCALE · N = 4.004
Fonte: USCALE · EVMag

Entre as marcas chinesas, o retrato é desigual. A BYD (47% de promotores) e a estreante Leapmotor (46%) ficam a meio da tabela, enquanto a Smart (37%) e a MG (30%) surgem nas posições de baixo.

Vários modelos recentes explicam subidas na tabela. Face ao Enyaq, o Skoda Elroq melhora em quase todas as áreas; a plataforma MMA dá à Mercedes ganhos de autonomia, consumo e carregamento com o CLA e o GLB, embora o software e a qualidade de construção dos novos modelos recolham mais críticas.

Na Ford, o Explorer supera o Mustang Mach-E na maioria das categorias, e na Audi o A6 e o Q6 e-tron trazem melhorias claras em autonomia e potência de carregamento. A BMW Neue Klasse, à venda desde meados de 2026, ainda não entrou no inquérito.

No fundo da tabela voltam a estar duas marcas da Stellantis, acompanhadas pela MG. A Fiat soma 24% de promotores e mantém o consumo baixo como ponto forte. A Opel não passa dos 19%, com metade dos condutores a responder entre 0 e 6, e acumula críticas na gestão de carregamento, no software e na usabilidade.

Uma amostra de condutores exigentes

O inquérito decorreu online em junho e julho de 2026 e abrangeu apenas carros com três anos ou menos. Os participantes foram recrutados nas redes sociais, e a própria USCALE reconhece que não representam o condutor médio: prestam mais atenção aos detalhes, valorizam mais as boas soluções e criticam mais as más.

O estudo não inclui condutores portugueses. Esta é a sétima edição do EV Satisfaction Study.

Fontes: USCALE, comunicado de imprensa do EV Satisfaction Study 2026, 20 de outubro de 2026; USCALE, press handout, gráficos do estudo.

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