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Angola quer mil autocarros elétricos e 2.000 carregadores

Mil autocarros elétricos e 2.000 carregadores espalhados pelo país. São estas as metas da primeira fase do Ondjila Green, o programa com que Angola se propõe eletrificar o transporte público.

Mil autocarros elétricos e 2.000 carregadores espalhados pelo país. São estas as metas da primeira fase do Ondjila Green, o programa com que Angola se propõe eletrificar o transporte público.

Ouve o resumo do artigo:

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Resumo
Pelo menos mil autocarros elétricos em Angola
Entrada faseada em diferentes pontos do país, na primeira fase do programa Ondjila Green.
2.000 carregadores previstos, 240 na primeira vaga
Os primeiros postos ficam sobretudo em Luanda, segundo a OPAIA Motors.
Financiamento assinado, valor por divulgar
O Fundo Soberano e a OPAIA fecharam acordo, mas não há calendário nem investimento global públicos.
Fábrica da OPAIA monta mil autocarros por ano
A meta do programa equivale a um ano de produção da unidade na ZEE Luanda-Bengo.

Angola com autocarros elétricos por etapas

O ministro dos Transportes, Ricardo Viegas D’Abreu anunciou a introdução faseada de pelo menos mil autocarros elétricos em diferentes regiões de Angola. Fê-lo na abertura da segunda edição do Angola Hub Transporte e Logística Summit, em Luanda, onde o Ministério dos Transportes, o Fundo Soberano de Angola e a OPAIA Motors assinaram no mesmo dia o memorando de entendimento que cria o programa.

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Os autocarros elétricos entram ao abrigo do programa Ondjila Green, de Angola ©Magnific

O Ondjila Green integra a Estratégia Nacional de Eletromobilidade e tem como objetivo declarado a construção de uma rede nacional de carregamento para autocarros e veículos elétricos. Segundo o ministro, os autocarros vão entrar em circulação por etapas, acompanhando a expansão da infraestrutura necessária para os carregar e pôr a funcionar.

Rede de carregamento arranca com 240 postos

Dos 2.000 carregadores previstos, 240 serão instalados no arranque, sobretudo em Luanda. O número foi avançado por Danilo Ventura, administrador executivo da OPAIA Motors, que apresentou a rede como resposta à procura de carregamento dos modelos elétricos já à venda no país.

A sequência tem lógica operacional: sem uma rede fiável, os operadores não conseguem planear rotas nem horários, e um serviço de transporte coletivo depende de ter viaturas disponíveis todos os dias. Por isso, os carregadores devem chegar antes dos autocarros, ou pelo menos ao mesmo tempo, escreve o jornal angolano Mercado.

À margem do memorando tripartido, a OPAIA Motors e o Fundo Soberano assinaram um acordo de financiamento para o projeto. O valor não foi divulgado.

Também não há, até agora, calendário público nem montante global de investimento para o programa, nota o Mercado. As fontes angolanas alternam entre “carregadores” e “pontos de carregamento” sem especificar potências nem a divisão entre carga lenta e rápida. Para ter uma escala de comparação, a rede pública portuguesa ligada à MOBI.E contava no fim de julho com 8.239 postos, correspondentes a 15.680 pontos de carregamento; desses postos, 3.268 ofereciam carregamento rápido ou ultrarrápido.

Autocarros elétricos e a fábrica da OPAIA

A OPAIA Motors pertence ao Grupo Opaia, fundado em 2002 pelo empresário Agostinho Kapaia. Em janeiro, o grupo inaugurou na Zona Económica Especial Luanda-Bengo uma fábrica com capacidade para montar, por ano, mil autocarros e 22 mil veículos ligeiros, segundo o Mercado.

Nenhuma das fontes consultadas identifica o modelo de autocarro, a capacidade das baterias ou o fabricante dos carregadores. Também nenhuma confirma que as unidades do Ondjila Green vão sair da linha de montagem da Zona Económica Especial, embora a meta de mil autocarros coincida com a capacidade anual declarada da fábrica.

Quando a unidade abriu, o semanário angolano Expansão noticiou que o Estado passaria a comprar à OPAIA Motors as viaturas das instituições públicas e que o grupo tinha recebido cerca de 1,3 mil milhões de euros em contratos públicos por ajuste direto, de acordo com o Mercado.

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Formação de técnicos e capacidade da rede

Formar técnicos angolanos está entre os objetivos oficiais do programa, a par da promoção da mobilidade elétrica e da transição energética no setor dos transportes, segundo a descrição do acordo divulgada pela allAfrica.

No discurso de abertura, D’Abreu defendeu o reforço da formação de recursos humanos para que Angola tenha capacidade própria de operar, gerir e manter as novas infraestruturas. Pediu também mais coordenação entre governos, instituições financeiras internacionais, setor privado e parceiros de desenvolvimento para mobilizar o investimento de que o setor precisa.

Porque motores elétricos, baterias, carregadores e sistemas de controlo exigem competências hoje escassas no país, o Mercado aponta a formação de mecânicos, eletricistas e gestores de frota como condição para manter os autocarros em serviço. Na lista de dependências do programa, o mesmo jornal inclui ainda os estudos técnicos, a escolha dos modelos de implementação, a estruturação financeira e a capacidade da rede elétrica para absorver a nova procura.

Os primeiros projetos vão servir de teste no terreno e definir as condições das fases seguintes, segundo o mesmo jornal. Se o modelo resultar, a eletrificação poderá abrir espaço a negócios como a instalação e gestão de postos, os serviços de pagamento e a manutenção de frotas.

Três acordos no primeiro dia

O Ondjila Green foi um de três acordos assinados no primeiro dia da cimeira.

Com a IFC, do Grupo Banco Mundial, o Ministério dos Transportes firmou um acordo de apoio técnico para estruturar uma parceria público-privada no Corredor Norte, que liga o Porto de Luanda a Malanje. O terceiro memorando, com a Hemera Capital Partners, prevê uma plataforma digital com documentação técnica, económica e financeira de projetos estratégicos do setor, destinada às instituições financeiras.

Durante três dias, sob o lema “Conectando Mercados, Pessoas e Oportunidades”, a cimeira junta em Luanda representantes de governos africanos, instituições financeiras, organizações multilaterais e operadores nacionais e internacionais. Termina a 30 de setembro.

Fontes: ANGOP, anúncio do ministro dos Transportes, 28 de setembro de 2026; Mercado; Hold On Angola, declarações de Danilo Ventura; allAfrica; SAPO.

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