Portugal ficou fora do Plug & Charge da Powerdot. A operadora fundada em Portugal ligou mais de 7.000 pontos de carregamento em França, Espanha, Bélgica e Polónia à plataforma da Hubject, e explicou ao EVMag que o modelo da rede Mobi.E impede, para já, a utilização da tecnologia no mercado nacional.
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Plug & Charge em quatro mercados
O anúncio foi feito a 7 de outubro, depois de as duas empresas terem passado pela icnc26, a conferência que a Hubject organizou em Berlim em setembro. Com a integração, um veículo elétrico compatível começa a carregar assim que o cabo é ligado a um posto da Powerdot, sem aplicação, sem cartão RFID e sem qualquer passo de autenticação no carregador.

Os pontos abrangidos correspondem a mais de metade da rede da operadora, que soma mais de 13.000 pontos de carregamento em mais de 2.400 localizações europeias. Além de Portugal, também o Luxemburgo, onde a Powerdot opera, fica fora da lista.
“A tecnologia e a complexidade ficam nos bastidores”, afirmou Luís Santiago Pinto, CEO e cofundador da Powerdot, no comunicado do anúncio.
Como funciona a norma ISO 15118
Por trás do Plug & Charge está a norma ISO 15118. No momento da ligação, veículo, carregador e prestador de serviços de mobilidade trocam certificados digitais, validados pela infraestrutura de chave pública (PKI) da Hubject, e a sessão arranca com o contrato de carregamento que já está associado ao automóvel.
A Hubject, que gere a plataforma de eRoaming intercharge, ligamais de 1.100.000 pontos de carregamento e 3.500 parceiros empresariais em mais de 75 países. Segundo a empresa alemã, há cinco milhões de veículos elétricos preparados para Plug & Charge através das versões ISO 15118-2 e ISO 15118-20. Para funcionar, o carro precisa de ter o certificado instalado e um contrato ativo com um prestador aderente.
Do lado da Powerdot, a opção passa por não obrigar o condutor a usar uma aplicação própria da operadora. O veículo autentica-se diretamente no carregador e a sessão fica associada ao serviço de mobilidade que o condutor já contratou.
Modelo da Mobi.E impede solução em Portugal
Questionado pelo EVMag sobre o mercado português, Santiago Pinto atribuiu a ausência do Plug & Charge ao modelo de funcionamento da rede Mobi.E, um sistema que, nas palavras do gestor, “assenta numa arquitetura própria”.
“Atualmente, o Plug & Charge não está disponível em Portugal devido ao modelo de funcionamento da rede Mobi.E, que assenta numa arquitetura própria. Ainda assim, Portugal é o nosso mercado de referência em Autocharge, uma tecnologia que fomos os primeiros a disponibilizar enquanto CPO, em parceria com a miio, e que permite uma experiência de carregamento semelhante, sem necessidade de utilizar a app ou cartão.”
Luís Santiago Pinto CEO e cofundador, Powerdot, em resposta ao EVMag
Na rede pública portuguesa, cada carregamento passa pela plataforma de gestão centralizada da Mobi.E e por um comercializador de eletricidade para a mobilidade elétrica (CEME), com quem o condutor tem contrato e que fatura a sessão. Nenhum dos outros mercados onde a Powerdot opera funciona com este desenho.
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Autocharge, a solução que já chegou
Santiago Pinto referia-se ao Autocharge, desenvolvido em parceria com a miio. A funcionalidade estreou nos mercados francês e espanhol em julho de 2023, com a Powerdot a apontar o final desse ano como meta para Portugal, e só chegou à rede pública portuguesa em agosto de 2025.
O mecanismo dispensa a troca de certificados. O condutor associa o identificador do veículo, o EV-ID, à sua conta na app miio e ativa a função para os postos da Powerdot; a partir daí, basta ligar o cabo para a sessão começar.
“Portugal é o nosso mercado de referência em Autocharge”, afirmou agora o CEO ao EVMag, sublinhando que a Powerdot foi o primeiro operador de pontos de carregamento a disponibilizar a funcionalidade.
A Powerdot
Fundada em 2018, a Powerdot instala carregadores em supermercados, centros comerciais, restaurantes e outros espaços comerciais. A BloombergNEF classifica-a como a terceira maior operadora de pontos de carregamento da Europa, e a empresa diz ter captado cerca de 500 milhões de euros em financiamento, com a Antin Infrastructure Partners como acionista.
No final de 2025, a Powerdot tinha em Portugal cerca de 550 localizações ativas e mais de dois mil pontos de carregamento, segundo os números divulgados pela empresa em janeiro. No ano passado, investiu 74 milhões de euros na rede europeia, dos quais 19 milhões no mercado nacional.
Fontes: Hubject, comunicado Powerdot e Hubject, 7 de outubro de 2026; Luís Santiago Pinto, CEO da Powerdot, em resposta ao EVMag.




