Itália quer que o sistema de condução assistida da Tesla seja aprovado em toda a União Europeia, e depressa. O ministro dos Transportes, Matteo Salvini, falou com Elon Musk e pediu publicamente a Bruxelas uma decisão rápida, juntando-se à Alemanha, que assumiu a mesma posição no início de outubro.
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Itália junta-se a Berlim
Numa publicação no X, citada pela Quattroruote, o ministro italiano descreveu a conversa com Musk como “muito positiva e construtiva” e defendeu uma “rápida aprovação, por parte da UE, da tecnologia da Tesla”. Disse ainda que Itália acompanha com grande interesse a condução assistida, sobretudo pelo que pode trazer à segurança rodoviária. Musk respondeu com um agradecimento.

A posição italiana surge três semanas depois da alemã. O ministro dos Transportes alemão, Steffen Bilger, anunciou que ia defender em Bruxelas uma aprovação rápida do sistema e aceitou que este possa exceder o limite de velocidade em até 10%, segundo a Reuters. Nenhum dos dois países reconheceu a homologação neerlandesa a nível nacional, por isso o peso de ambos joga-se na votação europeia.
Na Europa, o antigo Full Self-Driving (Supervised) passou a chamar-se Tesla Assisted Driving. Trata-se de condução assistida de nível 2: o carro lida com cruzamentos, rotundas e trânsito urbano, mas o condutor vigia a estrada em permanência e responde por cada manobra.
A conta da maioria qualificada para aprovação do Tesla FSD
Para o sistema valer nos 27, o pedido dos Países Baixos precisa de uma maioria qualificada no Comité Técnico de Veículos a Motor (TCMV), onde se sentam os Estados-membros e a Comissão Europeia. São precisos pelo menos 15 países a favor, que representem em conjunto 65% da população da União. Depois do voto, a decisão final cabe à Comissão.
O EVMag fez as contas com as tabelas de população que o Conselho da UE fixou para as votações de 2026. Os dez Estados que já reconheceram a aprovação neerlandesa, dos Países Baixos à Letónia, somam 14,28% da população. A Alemanha, o país mais populoso da União, junta-lhes 18,47%, e Itália acrescenta 13,19%.
O bloco favorável chega assim a 12 países e 45,94% da população.
Faltam três Estados e 19,06 pontos percentuais, o equivalente a 86,2 milhões de pessoas. Os 15 países que ainda não se comprometeram valem, juntos, 54,06% da população europeia, e entre eles estão França, Espanha, Polónia e Portugal. Apoios declarados e reconhecimentos nacionais também não equivalem a votos expressos: a conta só fica fechada em dezembro.
França ou Espanha e Polónia
Com 15,18% da população, a França leva sozinha o bloco a 61,12%, ainda abaixo do limiar. Mesmo com Paris a favor, a Tesla precisaria de pelo menos mais dois países, um deles com peso suficiente para cobrir os 3,88 pontos em falta: a Roménia, com 4,21%, bastaria, enquanto Portugal, com 2,38%, ficaria curto.
Sem a França, o caminho passa por Espanha e Polónia, que pesam 10,86% e 8,29%. Juntas, elevariam o bloco a 14 países e 65,08% da população, oito centésimas acima do limiar, e qualquer 15.º Estado fecharia a maioria qualificada. França e Suécia levantaram reservas à função que deixa o sistema subir até 50% acima do limite de velocidade detetado, segundo a Reuters, e o ministro francês dos Transportes, Philippe Tabarot, disse em setembro estar a trabalhar com a Tesla em alterações que permitam ao país apoiar a aprovação.
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Portugal na minoria de bloqueio
A regra também se lê ao contrário. Uma minoria de bloqueio exige pelo menos quatro Estados que representem mais de 35% da população, e França, Espanha e Polónia somam 34,33%. Bastaria juntar-lhes Portugal para chegar aos 36,70%.
O Governo português recusou a 25 de setembro reconhecer a aprovação neerlandesa a nível nacional. Na resposta, o gabinete da secretária de Estado da Mobilidade, Cristina Pinto Dias, invocou uma avaliação técnica do IMT, a falta de validação independente pelas autoridades nacionais e a intenção de acompanhar o enquadramento europeu. A 21 de outubro, o IMT declarou por escrito não ter qualquer documento com avaliação técnica ou parecer que sustente essa posição, como o EVMag noticiou.
A recusa diz respeito apenas ao reconhecimento nacional, e o voto português no TCMV é uma decisão separada.
Votação marcada para dezembro
A reunião do comité de 6 de outubro limitou-se a continuar a discussão do pedido neerlandês, sem votação, depois de o tema já ter passado por duas reuniões anteriores.
A 26 de outubro, a Letónia tornou-se o décimo país a aceitar a aprovação provisória que a RDW, a autoridade neerlandesa de homologação, emitiu a 10 de abril. A próxima reunião do TCMV está marcada para dezembro e é a primeira oportunidade para a votação, que ainda não foi anunciada.
Fontes: Conselho da UE, população dos Estados-membros para a maioria qualificada em 2026 (cálculos EVMag); Quattroruote, conversa Salvini–Musk, 29 de outubro de 2026; Reuters, apoio alemão, 7 de outubro de 2026; Reuters, reservas sobre a velocidade, 29 de setembro de 2026; Investing.com, agenda do TCMV; Teslarati, aprovação na Letónia; EVMag, IMT e recusa do Governo, 27 de outubro de 2026; EVMag, Alemanha apoia FSD da Tesla, 8 de outubro de 2026.




