A Tesla teve o melhor trimestre de sempre e a BYD está em queda, mas a construtora chinesa volta a ser a marca que mais carros elétricos vende a nível global.
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Os números do trimestre
A BYD colocou no mercado 557.090 elétricos a bateria de passageiros no segundo trimestre de 2026. A Tesla entregou 480.126 veículos no mesmo período, todos elétricos. A distância entre as duas é de 76.964 unidades, à volta de 16% a favor da chinesa.
A conta compara apenas os modelos 100% elétricos. A Tesla só fabrica elétricos a bateria, ao passo que a BYD vende também híbridos plug-in, deixados de fora deste confronto. É a comparação directa que o setor usa para medir quem lidera o segmento.

Os números da Tesla saem do relatório oficial de produção e entregas, publicado a 2 de julho. Os da BYD resultam da soma dos registos mensais da marca, compilados pela Bloomberg e pelo CnEVPost.
A coroa que troca de mãos
A BYD passou a Tesla pela primeira vez no quarto trimestre de 2024 e liderou o ano de 2025 inteiro, com 2.256.714 elétricos a bateria contra 1.636.129 da rival.
No primeiro trimestre de 2026, a Tesla reconquistou o primeiro lugar, sobretudo porque o fim da isenção do imposto de compra na China travou as vendas domésticas da BYD. Três meses depois, a chinesa, que deixou de produzir carros só a combustão em 2022, voltou a passar à frente.
A troca de coroa tornou-se um ritual quase trimestral, mas a leitura de fundo é mais estável. A BYD é hoje o maior fabricante mundial de elétricos a bateria, e no conjunto de 2025 a distância para a Tesla passou das 600.000 unidades.
Como uma empresa a encolher volta a ganhar
As 557.090 unidades escondem um paradoxo. O valor é 8,22% inferior ao do mesmo trimestre de 2025, mas quase 80% superior ao do primeiro trimestre deste ano.
A diferença veio de fora da China.
As exportações da BYD bateram um recorde em junho, com 175.349 unidades, quase o dobro face ao ano anterior, e já pesam 43,46% de tudo o que a marca vende. Dentro da China, as vendas de elétricos a bateria de passageiros caíram para 201.472 unidades em junho, menos 2,62% do que um ano antes. A empresa diz aos analistas que espera chegar a 1,5 milhões de vendas no estrangeiro este ano, acima da meta oficial de 1,3 milhões.
Já conheces?
Na Europa, a BYD já vende mais elétricos do que a Tesla há vários meses seguidos, incluindo nos dois maiores mercados do continente.
A aposta europeia passa também por produção local, peça central do plano da marca para ter metade das vendas fora da China até 2030. Somando os híbridos plug-in, que no trimestre valeram outras 531.292 unidades, o total de veículos de novas energias da marca ultrapassou 1,1 milhão em três meses, mas a disputa pela coroa conta só os elétricos a bateria.
O melhor segundo trimestre de sempre da Tesla
Do lado americano, o trimestre foi de recuperação. As 480.126 entregas representam uma subida de 25% face ao segundo trimestre de 2025, quando a Tesla ficou pelas 384.122, e um salto de 34% sobre as 358.023 do arranque de 2026. É o melhor segundo trimestre de sempre da marca, acima das 466.140 de 2023, com o Model 3 e o Model Y a valerem 467.762 das entregas, ou 97% do total.
Pela primeira vez em vários trimestres, a Tesla entregou mais do que produziu, escoando cerca de 28.000 carros de um inventário que tinha engordado no arranque do ano. Para o resultado contribuíram versões mais baratas do Model 3 e do Model Y, a chegada do Full Self-Driving supervisionado a mercados europeus e os preços altos dos combustíveis no primeiro semestre. O recorde absoluto continua a ser o terceiro trimestre de 2025, com 497.099 entregas, e as contas financeiras do trimestre são apresentadas a 22 de julho.
Mesmo com o salto, a Tesla continua sob pressão no seu maior mercado. As entregas ficaram cerca de 74.000 unidades acima do consenso dos analistas, fixado em 406.024, mas nos Estados Unidos o fim do incentivo fiscal de 7.500 dólares, no final de 2025, continua a pesar sobre a procura.
Meio ano e o retrato português
No conjunto do primeiro semestre, a BYD soma 867.479 elétricos a bateria e a Tesla 838.149 entregas, uma vantagem de 29.330 unidades para a marca chinesa.
Em Portugal, onde a BYD chegou em maio de 2024 e foi subindo no ranking de matrículas, os elétricos a bateria representaram 28,7% dos ligeiros de passageiros novos vendidos em junho, segundo a ACAP. No mercado nacional, a marca fechou o primeiro trimestre do ano na segunda posição entre os construtores de elétricos, atrás da Tesla.






