Quatro estrelas para o Cupra Raval com o equipamento de série, cinco só com o pacote de segurança opcional montado. A Euro NCAP divulgou os resultados a 2 de setembro, na mesma ronda em que três elétricos chineses arrecadaram a nota máxima sem depender de extras.
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Onde o Cupra Raval perde pontos
A diferença na classificação EuroNCAP faz-se em duas das quatro categorias. Safe Driving fica-se pelos 58% na configuração de série e chega aos 72% com o pacote opcional; em Crash Avoidance, o salto é de 66% para 77%. O pacote inclui controlo de velocidade adaptativo preditivo e alerta de tráfego frontal.
Na primeira dessas categorias, o Raval soma pontuação máxima na deteção de utilização do cinto de segurança, incluindo os casos em que o condutor passa a fita por trás das costas, e tem aviso de cinto para todos os lugares traseiros. O airbag do passageiro da frente pode ser desativado manualmente para permitir a instalação de uma cadeira voltada para trás. O carro identifica a estatura dos ocupantes dianteiros e adapta os sistemas de retenção em conformidade.
Falta-lhe reconhecer quando o passageiro da frente viaja em posição perigosa, com os pés no tablier, e falta-lhe um sistema que avise se uma criança ficou dentro do carro. A monitorização do condutor, essa, pontuou bem na distração e na incapacidade, e os avaliadores registaram o recurso a botões e interruptores físicos para os comandos principais e para o infoentretenimento.
Travagem automática e leitura de limites
A travagem automática de emergência do Raval ultrapassa com folga o exigido pela legislação e comporta-se bem em boa parte dos cenários avançados da Euro NCAP, aos quais se junta um sistema que evita a abertura de uma porta na trajetória de um ciclista que se aproxima por trás. O alerta de tráfego frontal do pacote opcional melhora a resposta da travagem automática, sobretudo em curva.
Quanto à leitura de sinais, os técnicos percorreram 2.000 km por Itália, França e Espanha e o sistema identificou corretamente o limite em 80% dos casos, o equivalente a 92% da distância percorrida.

Tórax marginal no embate contra poste
Nos ensaios de embate o resultado é sólido. No frontal desalinhado a proteção foi boa ou adequada para todos os ocupantes, incluindo os dois bonecos infantis nos bancos traseiros e a mulher de pequena estatura no lugar do passageiro. No ensaio frontal de largura total o Raval fez pontuação máxima, com proteção boa em todas as zonas críticas do corpo.
Há duas exceções ao quadro. Se o impacto lateral contra barreira também rendeu a totalidade dos pontos, no embate contra poste, mais severo, a proteção do tórax foi classificada como marginal a partir das leituras de compressão das costelas do boneco.
Na proteção de peões e ciclistas, a cabeça ficou bem ou adequadamente protegida na maior parte da superfície, com resultados fracos na base do para-brisas e nos montantes rígidos, ainda que a bacia, o fémur, o joelho e a tíbia tenham somado a pontuação máxima.
Em Post-Crash Safety o Raval perde poucos pontos em 100. O sistema eCall avançado transmite aos serviços de emergência o tipo e a gravidade do acidente e informação sobre os ocupantes, e a extração pelos meios de socorro está bem acautelada.
“Seria preferível de série”
A Euro NCAP não escondeu a reserva. “Seria preferível que a marca europeia CUPRA oferecesse as tecnologias ativas de série, mas um pacote de segurança é um compromisso. Ao adotarem ativamente as metas exigentes da Euro NCAP, sobretudo este ano, os construtores mostram que querem entregar veículos mais seguros a toda a gente nas estradas europeias”, afirmou Aled Williams, diretor de programa da Euro NCAP.
Aion UTm Geely E2 e Leapmotor B05 com nota máxima
Aion UT, Geely E2 e Leapmotor B05 passaram os mesmos protocolos de 2026 e saíram todos com cinco estrelas. O B05, que a Leapmotor coloca a competir com Renault Mégane e Volkswagen Golf, foi o melhor dos três no embate, com 92% em Crash Protection, pontuação máxima nos impactos laterais contra barreira e contra poste, e 100% na proteção da bacia e do fémur de utilizadores vulneráveis da estrada.
O Geely E2, o automóvel mais vendido na China no ano passado, somou 79% em Safe Driving, o valor mais alto do grupo, com 80% na avaliação dos comandos físicos e do infoentretenimento. Perdeu pontos com uma travagem automática de emergência inconsistente e com a proteção das pernas do condutor no embate frontal desalinhado. O cinto do boneco de dez anos escorregou parcialmente do ombro.
Quanto ao Aion UT, os técnicos apontaram a dependência excessiva do ecrã central para comandos de condução e um sistema de reconhecimento de limites de velocidade com 68% de precisão. Nem o UT nem o Raval trazem deteção de presença de criança. O B05 tem esse sistema, mas partilha com o Raval a falta de reconhecimento de posição insegura do passageiro da frente e não adapta a retenção à estatura dos ocupantes.
Em Portugal, o pacote não se chama Safety Pack
O configurador português da Cupra não lista nenhum pacote com a designação Safety Pack. Os extras disponíveis no Raval são a Chave Digital, o Drive Pack, o Light & Sound e o Rebel Pack. No Raval Plus, o Drive Pack custa 545 euros, contra 910 euros do Edge e 950 euros do Light & Sound.
O Drive Pack é o candidato mais próximo do que a Euro NCAP testou. Traz o Travel Assist 3.0, com assistente de faixa de rodagem plus, controlo semiautomático em emergência de saúde e assistente em trânsito, a que se juntam o estacionamento inteligente com comando remoto e a câmara Top View de quatro objetivas.
O controlo de velocidade adaptativo já é equipamento de série em toda a gama Raval. A Euro NCAP não fala dessa função, fala da versão preditiva, e nem essa nem o alerta de tráfego frontal aparecem nomeados na lista do Drive Pack.
A gama nacional arranca nos 27.590 euros. A versão Plus, com motor de 99 kW e bateria LFP de 38,5 kWh para 328 km WLTP, começa nos 29.000 euros e chegou aos concessionários em setembro.
Acima dela ficam a Endurance, com 447 km declarados em ciclo WLTP, e a VZ, de 226 cv e 388 km. Todos os preços incluem IVA.
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Como funciona a dupla classificação
Quando o construtor vende um pacote de segurança em separado, a Euro NCAP atribui duas notas ao mesmo modelo, uma que reflete o equipamento montado de série em todas as versões comercializadas na Europa e outra que mostra o nível alcançado com o pacote instalado.
Para ser elegível, o pacote tem de ser vendido como opção autónoma e o construtor tem de cumprir taxas mínimas de montagem no mercado. Com o tempo, diz a Euro NCAP, as funcionalidades hoje fechadas nestes pacotes têm de passar a equipamento de série.
Kia K4 e Mercedes CLE Cabrio sob o protocolo antigo
Na mesma divulgação entraram dois resultados avaliados ainda pelos protocolos de 2025. O Kia K4, testado primeiro pela Australasian NCAP em 2025 e depois complementado com ensaios da Euro NCAP, repete a fórmula do Raval, com quatro estrelas de série e cinco com o pacote de segurança opcional da marca. O Mercedes-Benz CLE Cabrio ficou com cinco estrelas, a transitar da avaliação feita ao coupé no ano passado.
Os veículos de origem chinesa representaram 7% das vendas de automóveis novos na União Europeia no ano passado e quase 10% no Reino Unido. Desde 2021, o número de modelos chineses avaliados pela Euro NCAP multiplicou-se quase por dez.
Fontes: Euro NCAP, comunicado e ficha de resultados de 2 de setembro de 2026, com o texto do comunicado republicado na íntegra por FIA Region I; CUPRA Portugal, versões e equipamento do Raval.




